Segundo o Zohar, o casamento é a união de duas metades de almas que foram colocadas em corpos separados quando a alma desceu à terra. Nos planos Divinos essas "almas gêmeas" vão ser reunidas através do casamento. Mas não podemos esquecer do livre arbítrio. Por isso, apesar de Dus estar envolvido na predestinação de cada par, a decisão final cabe ao indivíduo, já que cada um de nós pode interferir em seu próprio destino .
O próprio Todo-Poderoso, ao criar o homem, percebeu a necessidade deste ter um companheiro fiel que o acompanhasse ao longo da vida. "E disse o Eterno : "Não é bom que o homem esteja só" ( Gênese 2:18). E Dus criou Eva a partir da costela de Adão, assim ordenando: "E é por isso que o homem deixará seu pai e sua mãe, e se unirá à sua mulher, e eles serão uma só carne" (Gênese 2:24).
Nossos sábios ensinam que Adão estava só porque não havia alguém a quem ele pudesse se "dar". Com a criação de Eva, as coisas mudaram. Alguém precisava dele e de seu amor, assim como ele precisava do dela. A palavra hebraica para amor - ahavá - vem da raiz hav, que significa dar, o que já indica quão importante é saber "doar-se" ao "bechirat libó", o eleito de seu coração.
O casamento não é uma instituição criada pelos homens, mas sim um mandamento divino. O homem e a mulher foram criados como uma entidade única, por isso seu estado natural é a união e, ao se unirem, realizam plenamente "a imagem de Dus". A Torá afirma: "Dus criou o homem à sua imagem. Na imagem de Dus, Ele os criou, homem e mulher. Ele os criou e os abençoou e lhes disse: "Sejam fecundos, multipliquem-se" (Gênese 1:27).
Em uma primeira análise, o Shir Hashirim, Cântico dos Cânticos, um dos mais belos livros da Bíblia, de autoria do rei Salomão, parece ser uma canção de amor entre um homem e uma mulher. Nossos sábios ensinam que, ao ser analisada mais cuidadosamente, a obra pode ser considerada uma alegoria do amor entre Dus e o povo de Israel. O fato de o rei Salomão ter utilizado o amor entre homem e mulher como alegoria mostra o quão poderoso e sagrado deve ser o amor pois sagrada e indissolúvel é a união entre D´us e Israel.
A união e o amor entre os cônjuges são descritos com insistência nas biografias dos patriarcas (Abrahão e Sara, Isaac e Rebeca, Jacó e Lea e, mais tarde, Jacó e Raquel. Estes dois últimos vivem uma das mais bonitas histórias de amor em toda a literatura, uma relação repleta de devoção e ternura.
Com Isaac e Rebeca o texto bíblico relata o primeiro casamento conhecido na história da humanidade. Descreve Rebeca entrando na tenda de Sara, a falecida mãe de seu futuro marido. O Midrash indica que os milagres que se realizavam através de Sara e que haviam cessado com a sua morte, reaparecem através de Rebeca.
O matrimônio
O matrimônio recebe o nome hebraico de kidushin (consagração, santificação ou dedicação), pois o casamento é uma ocasião sagrada no judaísmo. É um mandamento divino, a criação de um laço sagrado. O casamento entre dois judeus é visto como o início de uma nova vida para ambos. O casal passa a ter uma relação exclusiva, e isto implica em uma dedicação total entre o noivo e a noiva para que possam tornar-se o que a Cabalá descreve como "uma única alma em dois corpos diferentes". |