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| BIROBIDJAN, ENCLAVE JUDAICO NA ANTIGA URSS |

Geração mais idosa vê partirem os jovens.
Durante a década de 1930, Stalin acenou para os judeus com a possibilidade de criar um centro de vida judaica em uma das repúblicas soviéticas. Os anos passaram e a realidade mostrou-se bem diferente
| Edição 29 - Junho de 2000 |
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Um país do tamanho da Bélgica, parte da antiga União Soviética, concentrou durante algum tempo as esperanças dos judeus da região de verem realizado o seu sonho de um lar nacional judaico - um local no qual poderiam cultivar as tradições de seus antepassados e seguir sua religião abertamente. Birobidjan foi o lugar escolhido por Stalin, em 1934, para criar a Região Autônoma Judaica.
Mais do que preservar o judaísmo, no entanto, Stalin estava interessado em povoar a região, ao longo da fronteira com a Manchúria, então ocupada pelo Japão, além de criar uma classe camponesa judaica que tivesse uma profunda ligação com território nacional. Segundo Robert Weinberg, professor de História da Pensilvânia e especialista sobre o tema, "Stalin pretendia que o ídiche servisse como elo fundamental para a formação de uma comunidade e de uma cultura proletária judaico-soviética".
Em um artigo publicado pelo The Jerusalem Post Magazine, na edição de 11 de janeiro deste ano, intitulado Home Away Home, o jornalista Russel Working faz uma análise do ressurgimento do judaísmo em Birobidjan, levando em consideração os fatos ocorridos desde 1934 até o desmembramento da ex-URSS. Para Working, o sonho da população judaica desvaneceu-se diante da política autoritária de Stalin, logo após as primeiras migrações para a região autônoma. A região, no entanto, ainda possui fortes traços de influência judaica e passa por um processo de reflorescimento comum em quase todas as antigas repúblicas soviéticas.
Inna Dmitrenko, editora do jornal Die Birobizhaner Stern, é descendente de judeus que deixaram São Petersburgo para se unir à primeira onda de colonos que foram para a Região Judaica Autônoma. "Havia um espírito de otimismo, pois cada um daqueles indivíduos estava motivado pelo apelo feito pelo Partido Comunista. Mas os primeiros habitantes da região logo descobriram que o novo lar não corresponderia a seus sonhos. Foram instalados em plantações de arroz ao longo do rio Amur, sob um regime que possuía os mesmos vícios de outros cantos do país: malícia, planejamento inadequado, fome e muita vodca", conta Dmitrenko. Suas afirmações vêm de encontro ao trabalho publicado por Weinberg: "Birobidjan - Resolvendo a Questão Judaica: A formação de uma classe camponesa judaica".
Apesar das dificuldades iniciais, no entanto, a região começou a receber cada vez mais migrantes judeus, além de russos e ucranianos. O Dier Birobizhaner Stern foi fundado em 1930 e era totalmente escrito em ídiche. Um teatro e uma livraria também foram inaugurados e as autoridades soviéticas até permitiram a abertura de uma sinagoga. A população judaica, no entanto, nunca ultrapassou o número de 30 mil pessoas do total de dois milhões de judeus que viviam sob o regime de Stalin. E, apesar de as autoridades continuarem afirmando que Birobidjan era um enclave judaico, colonos da Rússia e da Ucrânia, sem nenhum vínculo com o judaísmo, continuaram a chegar. O grande dilema, então enfrentado tanto pelas autoridades quanto pela comunidade, era como desenvolver uma identidade judaica sem as tradições religiosas do judaísmo, já que a religião em geral era reprimida no país.
Para o poeta Boris Miller, que vivia em Birobidjan, a Região Autônoma não atingiu seu objetivo e acabou transformando-se "em uma fábrica para assimilação dos judeus". A promessa de Stalin de incentivar a cultura judaica não se concretizou e a população local também foi vítima dos expurgos do ditador. De 1936 a 1938, as escolas ídiches foram fechadas, as instituições para agricultores judeus, desmanteladas, e a política de atrair colonos judeus suspensa. Foi apenas após a Segunda Guerra Mundial e com a divulgação dos horrores do Holocausto que Stalin adotou novamente uma política de maior tolerância em relação aos judeus. |
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