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Naquele momento eu ainda não tinha a resposta para a pergunta que me fora feita na reunião antes da viagem, mas sim uma pista, e não era uma pista qualquer. Quem estava dando o depoimento era o rabino-chefe ashquenazita de Israel, Meir Lau.

No decorrer da viagem fui descobrindo que a resposta não estava nos campos de concentração e de extermínio que visitamos exaustiva e penosamente, mas fora deles. A resposta não estava nos livros e reportagens sobre o Holocausto, que me causavam tanto medo e descrença.

Na manhã seguinte fomos em direção a Tchikotin, um pequeno lugarejo. Descemos do ônibus e pensei que tínhamos sido transportados para o set de filmagem de "O Violinista no Telhado", o clássico literário de Scholem Aleichem, um verdadeiro shtetel. Penetramos por ruas estreitas e logo avistamos uma pequena casa que descobrimos ser aquela na qual vivia o melamed. Esta casa ficava bem próxima da do Rabino, que morava na sinagoga. Logo em seguida encontramos outra sinagoga, a chamada Alta Sinagoga, que era realmente grande proporcionalmente ao tamanho das demais construções da cidade. Ao entrar, descobrimos que por dentro era mais alta ainda, pois seu piso era bem rebaixado.

Partimos em direção a Cracóvia, localizada a cerca de sete horas de viagem de ônibus de Varsóvia. No meio do caminho, iríamos fazer uma parada em uma cidade muito importante para o judaísmo polonês: Lublin.

Estacionamos em frente a um edifício bem grande, talvez do tamanho do Teatro Municipal de São Paulo, que possuía um amplo jardim. Na fachada, os dizeres Collegium Maius que é, atualmente, uma escola de enfermagem. Mas nem sempre foi assim. Entramos, subimos pelas escadarias e encontramos alguns funcionários. Mas está tudo meio vazio.

Continuando a visita, entramos em uma sala enorme que talvez comportasse cerca de trezentos alunos. Estamos na sala principal do que foi um dia a Ieshivá de Lublin, fundada pelo rabino Meir Shapira, em 1930, e fechada prematuramente nove anos depois. Olhamos em volta e quase pudemos ouvir as vozes dos bachurei ieshivá nos seus pilpulim.

Nossa última parada, a grande cidade de Cracóvia, foi poupada pelos bombardeios. Suas construções estão intactas. É uma cidade medieval. O antigo bairro judeu pode ser visitado e lá encontramos restaurantes casher, com direito a musica klemerz.

As sinagogas, que durante o regime socialista se transformaram em armazéns ou estábulos, estão, pouco a pouco, sendo compradas e restauradas por judeus originários da cidade, especialmente pela conhecida família Lauder, dos Estados Unidos.

Passamos por uma pequena sinagoga que foi tombada na sua parte externa e, internamente, serve como residência. Enquanto estamos olhando, curiosamente sai na janela uma freira que nos cumprimenta de forma simpática.

Olhando para trás, percebo que apesar de termos visitado lugares que nem todos suportariam conhecer, esta viagem fez com meu medo se dissipasse. E que minha fé perdida nas cadeiras do auditório há trinta anos poderá ser encontrada no casa do melamed em Tchikotin ou nos bancos da Ieshivá de Lublin. Lembrar nossa tragédia na Polônia é, sem dúvida, essencial. Conhecer melhor a riqueza do judaísmo polonês e preservar sua memória é uma questão de sobrevivência.

Joel Rechtman

Marchando pela Vida é um programa realizado pela Federação Israelita do Estado de São Paulo em parceria com o CEPI.
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