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A atitude de João Paulo II em relação ao povo judeu não é um consenso dentro da Igreja Católica. Enquanto alguns segmentos a defendem, outros acreditam que foi superficial acerca de determinados temas, como o próprio Holocausto. Nos últimos tempos, líderes religiosos católicos de vários países, como a França, vêm, a exemplo do Papa, pedindo desculpas por seus atos durante essa época negra da história recente.

Há também aqueles que discordam totalmente do fato de a Igreja pedir perdão por atos do passado. No meio judaico, líderes seculares e religiosos esperavam que, em seu discurso em Yad Vashem, o pontífice fosse mais direto sobre os atos da Igreja Católica durante o Holocausto, ou seja, apresentasse um pedido formal de perdão pelo silêncio do Vaticano diante do Holocausto, no papado de Pio XII, durante a Segunda Guerra Mundial. Se não um pedido de desculpas, ao menos uma menção explícita ao papel da Igreja Católica na época. A omissão acerca das atitudes de Pio XII atraíram críticas sobre o Pontífice.

Sobre Pio XII pesa a grave acusação de se ter mantido em silêncio durante a perseguição nazista. Mesmo assim, o discurso foi bem recebido pelos israelenses e muitos líderes judaicos o consideraram "muito forte", apesar de não ter preenchido as suas expectativas. Segundo eles, o fato de maior importância é o pontífice ter ido até Yad Vashem e ter dito o que disse. Acredita-se que uma desculpa específica dos atos cometidos pelo seu predecessor está além dos limites do que lhe é permitido fazer.

Mesmo sem pronunciar o tão esperado mea culpa em nome de Pio XII, João Paulo conseguiu promover uma aproximação histórica e sua visita foi bem recebida pela grande maioria dos israelenses.

Os judeus sabem que este Pontífice fez mais, em 22 anos de papado, do que qualquer outro. É o primeiro Papa que afirma que o anti-semitismo é um pecado cometido contra D’us, ao trazer a comemoração do Holocausto para o Vaticano, e a repetidamente citar a Shoá como o grande exemplo do mal. O primeiro a afirmar de forma explicita que os judeus são um povo abençoado por D’us e a reconhecer que o povo judeu é "o povo da Aliança" (negado durante séculos pela Igreja). O primeiro a usar o termo "irmãos mais velhos" quando se refere ao povo judeu, além de também ser o primeiro a visitar uma sinagoga (em 1986, em Roma) e a incluir reuniões com líderes judaicos em suas peregrinações pelo mundo.

O Grão-Rabino Meir Lau, sobrevivente do Holocausto, que havia-se encontrado com o papa antes de sua visita a Yad Vashem, afirmou, quando lhe perguntaram se estava satisfeito com o pedido de perdão: "Foi um bom pronunciamento – muito emocional – mas prefiro aguardar o segundo capítulo".

Apesar da atitude do Papa João Paulo II, o caminho da reconciliação é longo e difícil, pois como expressou Ehud Barak, "É impossível superar todas as dores do passado num só dia".

Um dos momentos mais emocionantes da visita a Yad Vashem foi o reencontro do Papa João Paulo II com Edith Tzirer, judia polonesa de 69 anos a quem o então padre Karol Wojtila alimentou e carregou nas costas por três 3 km, até chegar a uma estação de trem. Nessa ocasião, ela, com 14 anos, doente e sem forças, havia sido recém liberada do campo de concentração Skarzy-Kamienna. Provavelmente, esta atitude salvou-a da morte. Ao reencontrá-lo, Edith chorou e conversou com ele em polonês, apertando seu braço em sinal de afeto.
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