As leis do Sefer Torá, Tefilin e Mezuzá
Se entrarmos no corpo haláchico referente a estas leis, encontraremos também conceitos muito interessantes.
Uma das leis refere-se à tinta utilizada pelo sofer. Ela deve ser proveniente de produtos minerais ou vegetais. Porém, a melhor tinta é aquela completamente extraída da madeira das árvores. A Cabalá (Zohar Parashat Teruma) explica a importância de se tirar proveito total da madeira, por dentro e por fora. A arca onde se coloca a Torá, é revestida de madeira. A tinta com a qual se escreve o pergaminho, também é proveniente de madeira. Esta analogia nos remete ao ser humano, que pode florescer como as árvores ou apodrecer como a madeira mal tratada.
Outra lei interessante presente nestes textos refere-se ao Sirtut: o traçado das linhas antes de escrever as letras, deixando uma marca para alinhar as palavras. Esta lei parece estranha, pois afirma que mesmo as palavras estando retas e na posição correta, se as linhas não foram previamente traçadas, a escrita não é válida. A lei ainda frisa a impossibilidade de traçá-las após a escrita.
A principal razão para isto está no livro Kedushat Levi. Este conceito sobre as linhas é encontrado também no rosto de um ser humano e em suas mãos. Estes trazem consigo a identidade do ser humano, diferenciando cada um de nós. O mesmo acontece nas Escrituras Divinas, cujos traços revelam a essência do Todo-Poderoso, o Seu íntimo.
Ao beijar uma Mezuzá ou um Sefer Torá, apoiamos a mão no objeto sagrado e logo a aproximamos de nosso rosto para beijá-la. Este gesto conecta, intimamente, a nossa identidade, que é revelada pelos traços de nossas mãos e rosto, com a identidade Divina. Assim, podemos assumir nosso jugo Divino.
Por esta e inúmeras outras razões é necessário cuidar de uma série de detalhes referentes a objetos sagrados. Sua manutenção deve ser constante e uma supervisão rabínica periódica é necessária sempre que possível, para mantê-los sagrados. Fatores externos como umidade ou calor excessivos podem eventualmente danificar um pergaminho, por isso é recomendável verificar as Mezuzot em intervalos de no máximo três anos e meio, porém, o ideal seria verificá-las todos os anos.
Tendo em vista todos os conceitos acima, ressaltamos também a parte prática que estes objetos trazem a nossas vidas, funcionando como guardiões de nossas identidades. Por isso, não há dúvidas de que devemos estar seguros sobre sua procedência e ter certeza que o lugar onde foram comprados merecem total confiança.
Tentamos demonstrar nesse artigo, apenas de modo geral, o denominador comum entre Sefer Torá, Tefilin e Mezuzot a sua escrita, Sofrut. Não há dúvida de que caberiam vários outros artigos para cada um destes objetos sagrados, a fim de podermos entender e conhecer um pouco mais suas importantes peculiaridades.
Rabino Victor Cohen |