<< Voltar Página
Antônio José estudou direito em Coimbra mas não conseguiu formar-se: foi preso em 1726 junto com os dois irmãos, primos e primas. A segunda geração daqueles que foram incriminados por causa da festa em Irajá. Antônio José e os irmãos escapam com vida, o primo-irmão, João Thomas de Castro, não teve esta sorte.

Graças às amizades do pai, então advogado na Casa da Suplicação, Antônio José conseguiu acercar-se, sem grande êxito, dos círculos oficiais. Mas o sucesso só veio através das comédias musicadas, encenadas com marionetes no teatro popular do Bairro Alto. Na sua maioria eram inspiradas em temas clássicos mas satirizavam os costumes e os poderosos do seu tempo.

Depois da morte do pai foi preso pela segunda vez (1737) quando, junto com a mulher, mãe, tia, irmão e cunhada participavam de uma cerimônia do Dia Grande (Yom Kipur). Não há indicações de que a prisão fosse decorrência dos seus escritos mas o rigor da sentença (único do grupo condenado à pena capital) faz supor algum tipo de retaliação por parte do Car-deal-Inquisidor, D. Nuno da Cunha (um dos mentores de D. João V).

Suas "óperas" foram encenadas entre 1733 e 1738 - a última quando já estava encarcerado. Impressas em edições avulsas e anônimas enquanto vivo foram incluídas também anonimamente na famosa coletânea Theatro Cómico Português que alcançou sucessivas edições ao longo do século XVIII. São elas: Vida de D. Quixote de la Mancha, Esopaida ou Vida de Esopo, Os Encantos de Medeia, Anfitrião ou Júpiter e Alcmena, Labirinto de Creta, Guerras do Alecrim e Mangerona, Variedades de Proteu e Precipício de Faetonte. É considerado o criador do moderno teatro português.

Extirpando as raízes na Paraíba. Esta incursão inquisitorial só agora começa a ser estudada a fundo e revela o ajuste de contas final entre o Santo Ofício e os remanescentes do velho núcleo de marranos no Nordeste. Entre 1728 e 1756 foram presos 38 cristãos novos judaizantes que viviam há pelo menos um século na capitania. Uma das vítimas, Guiomar Nunes, foi executada (1731) e outra, Maria de Valença, permaneceu encarcerada 19 anos - um recorde.19

Ouro e Sangue, seria a designação apropriada para a saga dos Cristãos Novos que conseguiram escapar do extermínio da comunidade do Rio refugiando-se nas montanhas de Minas. Os dois elementos não estão dissociados porque entre as causas subjacentes à perseguição no Rio (de acordo com relatos da época e estudos recentes), está riqueza dos aluviões auríferos descobertos no fim do século XVII e a importância dos Cristãos Novos na cidade onde o metal seria processado e de lá exportado para o Reino.

A partir de 1723 começam a aparecer nos Autos da Fé de Lisboa cristãos novos judaizantes com profissão de mineiro (minerador ou vendedor de ouro) e moradores nas Minas. Alguns pertenceram ao clã fluminense original outros eram seus descendentes, outros ainda chegavam da Bahia pelo Rio S,. Francisco. O estudo dos processos mostra a mobilidade geográfica dos Cristãos Novos, a intercomunicação entre comunidades regionais através dos laços de parentesco, lugar de origem e negócios.

No período 1723-1748 foram presos cerca de 20 Cristãos Novos moradores em diferentes regiões do que hoje seria Minas Gerais - de Ouro Preto a Paracatu mas também foram até as minas de Goiás. Deste grupo foram executados cinco (27.7% do total). Alguns eram recém-chegados do Reino, atraídos pelas notícias da descoberta do ouro e originários da Beira Baixa (onde até o início do século XX existiram núcleos de cripto-judeus). Da terra trouxeram um judaísmo bastante coeso e mantiveram-se conectados com outros núcleos de judaizantes no Brasil. Razão pela qual foram enredados principalmente pelas denúncias vindas de fora do seu meio imediato.

Dois Cristãos Novos moradores em S. Paulo foram executados em Lisboa: Theotonio da Costa, em 1686, denunciado em Lisboa por parentes (inclusive o seu pai) e Miguel de Mendonça Valladolid, preso em 1728 por denúncias de parentes e amigos na Bahia. Teve uma formação judaica na França e em Amsterdã onde foi circuncidado. Voltou a Portugal e de lá veio para a Bahia percorrendo o país em viagens de negócio. Foi executado em 1731.

O fim da distinção entre Cristãos Velhos e Cristãos Novos decretada pelo Marques de Pombal em 1773 antecipa em quase 50 anos a desativação formal do Santo Ofício. Sem Inquisição, desapareceram os documentos e sem estes interrompe-se a história dos judeus no Brasil.
<< Voltar Página

1 2 3 4 5