OS PASSOS DE NOSSOS ANTEPASSADOS


Foto Ilustrativa

O advento da Internet vem tornando possível a um número cada vez maior de judeus encontrar a origem de suas famílias ou mesmo localizar parentes distantes através da Web.


Edição 28 - Abril de 2000
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Revista Morashá
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Uma data ao lado de um nome em um livro com folhas já bem amareladas. Uma inscrição em uma lápide quase corroída pelo tempo. Uma certidão de nascimento. Um passeio por uma ruela em uma cidade do Leste europeu. Uma fotografia desbotada em preto e branco. Algumas vezes esta é a recompensa para centenas de judeus do mundo todo que dedicam tempo, energia, além de quantias consideráveis procurando documentar sua história familiar.

A busca por raízes não é exclusividade judaica. Milhões de pessoas de diferentes etnias estão à procura de suas origens. Há dois anos a revista Time publicou uma reportagem de capa na qual analisava o crescente interesse registrado em torno da genealogia, denominação científica do estudo da origem das famílias.

Esta busca, porém, torna-se às vezes uma tarefa difícil quando o objetivo são as famílias judias, pois grande parte do povo judeu já não vive mais nos locais onde moravam seus antepassados há 150 anos. Não se pode esquecer que, nos últimos séculos, a vida judaica caracterizou-se por dois grandes acontecimentos: emigração massiva e Holocausto. Ambos, de magnitude e formas diferentes,levaram à desestruturação de famílias inteiras.

O interesse entre os judeus em traçar suas raízes está crescendo desde a década de 1970. Desde 1981, vem sendo realizado anualmente um seminário sobre o assunto – o "Summer Seminar of Jewish Genealogy".

Porém, foi o colapso do comunismo, a queda da Cortina de Ferro e a possibilidade de acesso a vilarejos da Europa Central e Oriental que deram à genealogia judaica seu primeiro grande impulso. Muitos judeus foram à Europa do Leste, às cidades de onde descendem seus antepassados, para ter uma idéia de como estes viviam.

O número de profissionais e serviços especializados vem crescendo a cada dia. Alguns chegaram inclusive a negociar arquivos com os governos da Polônia e Ucrânia. Às vezes conseguem algum contato com algum parente perdido da ex-União Soviética e, mais raramente, da Polônia.

Em certos casos, a genealogia não é apenas uma busca sentimental, mas é essencial para tentar reaver bens confiscados na época do Holocausto. A confirmação de parentesco é fundamental para a concessão da herança. Há empresas especializadas em documentar e avaliar bens nos países da Europa.

O aspecto que mais dificulta a localização de familiares é o sobrenome. Na Europa, até 1800, somente as famílias rabínicas tinham sobrenome, por exemplo, Auerbach, Rothschild, Rapaport e Horowitz. Até o início do século XIX, a maioria dos judeus não adotava sobrenomes hereditários, seguindo a tradição judaica de adotar o nome do pai após o seu próprio – por exemplo, Yaacob Ben-Shmuel, ou seja, Yaacob filho de Shmuel.

Assim, muitos sobrenomes nasceram apenas do acréscimo de um sufixo em algum idioma – do alemão "son" ou do eslavo "ovitch", "owicz", "off", "kin" dando origem ao sobrenome Abramowitz "filho de Abram". Outros sobrenomes foram criados por características físicas como "Klein" – pequeno; outros tinham base religiosa – "Cohen" "Levine"; outros, ainda, pela localização: "Wilner" – aquele que é de Vilna.

Nesta busca por antepassados há que se lembrar que a grafia do nome é irrelevante, pois os nomes "Meyerson", "Meirson" ou até "Majersohn" têm a mesma origem. É relevante também que o fato de duas pessoas possuírem o mesmo sobrenome não significa que sejam parentes. Muitos nomes como Weiss, Cohen, Kaplan, Feldman, entre outros, são realmente muito comuns. Assim, o lugar de origem é decisivo no rastreamento de parentes.
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