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Ao deixar o exército, trabalhou como motorista durante o dia, enquanto freqüentava a Yeshivá "Shaare Torá", à noite. Foi neste período que teve oportunidade de conhecer o rabino Nissim Zeev, que o introduziu na vida política nacional. Responsável pela primeira vitória do Shas em uma eleição em Jerusalém, em 1983, Zeev, então professor na Yeshivá, tornou-se membro da Câmara Municipal e escolheu o discípulo para ser seu assistente no gabinete.

Atendendo telefonemas e anotando recados, Yishai começava a mostrar seu talento para resolver problemas. "Ele tinha este dom. Era ótimo para acertar as coisas de uma maneira muito prática", relembra Zeev, acrescentando que, desde então, ele já demonstrava sinais de que faria uma carreira brilhante. Uma afirmação feita recentemente por uma pessoa próxima ao rabino Ovadia Yossef confirma o brilho da estrela do presidente do Shas: "Quando alguém procura o rabino pedindo alguma coisa, sua resposta é sempre a mesma: fale com Eli Yishai".

A trajetória política de Yishai contou também com a participação de Deri, então ministro do Interior, que, em 1988, tornou-se a liderança mais forte dentro do Shas. Deri fez dele seu braço direito, tornando-o responsável por todo o setor municipal do partido. Naquele momento, ele passou a ser chefe de Zeev. Em 1990, foi nomeado secretário-geral do Shas, mantendo-se na função até 1996. De 1994 até 1996, foi diretor do projeto El Hamayan, um sistema educacional de atividades extracurriculares, de fundamental importância para o partido.

Ao longo dos anos, foi-se aproximando, cada vez mais, de Ovadia Yossef, que contava com sua habilidade e aptidão para enfrentar situações delicadas. Chegavam a conversar quatro a cinco vezes por dia.

Simultaneamente à ascensão do novo líder, o Shas começou a enfrentar problemas com Deri, acusado de corrupção. A crise interna do partido, acossada pela disputa entre partidários e opositores de Deri, acabou refletindo-se também nas relações com o primeiro-ministro Barak, que gostaria de ter o Shas no governo - sem Deri. Assim, apesar de alguns setores da legenda - inclusive o filho de Ovadia Yossef - acreditarem que o conceituado líder espiritual jamais afastaria um de seus seguidores da presidência partidária, ele próprio disse a Deri que deixasse o cargo. Com isto, aproximou-se de Barak, deixando descontentes inúmeros membros do Shas. Naquele momento, porém, não indicou um sucessor para Deri.

O sucessor foi nomeado posteriormente, após mais uma crise no partido. Eli Suissa, ministro da Infra-estrutura e fiel seguidor de Deri, provocou um incidente com o governo de Barak, novamente visando afastar o partido da coalizão. E, uma vez mais, o rabino Ovadia Yossef mostrou o poder de sua autoridade, encontrando uma solução para a crise e mantendo o Shas no governo. Foi então que resolveu nomear Yishai para a presidência do partido, apesar de este não ser um nome de consenso. Quando lhe perguntaram se acreditava ser a pessoa ideal para o cargo, respondeu: "Sou o representante do rabino Ovadia Yossef. Aqueles que se opõem a seu representante, opõem-se a ele. Portanto, estão no partido errado".

Seu estilo

Como líder, Yishai impôs rapidamente seu estilo pessoal de trabalhar, realizando várias reuniões semanais em separado com os quatro ministros do Shas que integram o governo; com os vice-ministros e com os parlamentares da legenda, no intuito de ouvir a opinião de todos os setores. Com certeza, um estilo bem diferente de seu antecessor, que tomava sozinho todas as decisões-chave.

Impôs-se, também, um desafio como presidente do Shas: eliminar as suspeitas de irregularidades financeiras, afirmando que os membros do partido não são desonestos, mas podem cometer falhas por inexperiência. "Nosso compromisso é com a transparência". Para isso, determinou a contra-tação de novos advogados, contadores e auditores para todos os departamentos.

O novo líder quer obter do governo de Barak recursos para os programas educativos e assistenciais do partido. Pretende, ainda, efetuar uma mudança nas relações com o Estado, baseando-se na lei judaica e acabando com as diferenças entre judeus seculares e religiosos, sefaraditas e ashquenazitas. Rejeita as persistentes críticas de que o Shas só oferece educação religiosa, afirmando que os alunos estão aptos a enfrentar o mundo moderno e encontram bons empregos, não perpetuando, assim, a pobreza.

À frente da presidência do Shas, Eli Yishai enfrenta atualmente um duplo desafio: mostrar que o partido está crescendo, apesar da ausência de Deri - e as próximas eleições deverão ser a sua prova de fogo, quando espera-se que o partido tenha mais cadeiras na Knesset - e manter a coalizão com Barak ainda neste governo. Até o momento, vem mostrando a Ovadia Yossef que a escolha de seu nome foi certa.
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