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Eli Yishai (E), Rabino Yossef e Ehud Barak: sólida parceria
Aos 38 anos, Eli Yishai vê sua atuação crescer cada vez mais no partido e conta com um aliado especial em sua trajetória: o líder espiritual Ovadia Yossef. À frente da pasta do Trabalho e Bem-Estar Social do governo de Ehud Barak, é o segundo mais novo ministro da história de Israel
| Edição 28 - Abril de 2000 |
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As últimas eleições gerais realizadas em Israel em maio de 1999, além de tornarem Ehud Barak, da coligação partidária Israel Achat, o primeiro-ministro do país, transformaram o partido Shas em um dos grandes vencedores do pleito, elevando o seu número de cadeiras no Knesset (Parlamento) de 10 para 17. Como conseqüência deste resultado, o Shas passou a desempenhar um papel estratégico no governo de Barak, transformando-se em um dos seus principais aliados.
À frente do Shas está o rabino Ovadia Yossef, que, há décadas, exerce uma liderança partidária incontestável. Um de seus membros, no entanto, vem ganhando destaque no seio do partido desde o final da década de 80 e, consequentemente, no cenário político israelense, tornando-se um dos seus principais nomes: Eliyahu (Eli) Yishai.
Eleito para o Knesset pela primeira vez há quatro anos, foi reeleito em 1999, assumindo o cargo de ministro do Trabalho e Bem-Estar Social e tornando-se o segundo ministro mais jovem da história de Israel, precedido apenas por Arye Deri, do mesmo partido. Em agosto de mesmo ano, foi indicado pelo próprio rabino Ovadia Yossef para a presidência do Shas, até então ocupada por Deri, afastado do cargo após ter sido julgado pela Suprema Corte de Israel, por corrupção.
Desde que assumiu o cargo, o novo presidente do partido vem ocupando espaço na mídia israelense, não apenas por suas atitudes como líder de um partido fundamental para o governo de Barak, mas também pelo seu empenho em criar uma nova imagem para o Shas. Enfatiza a necessidade de uma maior transparência sobre temas delicados, como as questões financeiras, e também preocupa-se em manter um melhor relacionamento com os setores seculares da sociedade israelense.
Afinal de contas, quem é o novo presidente do Shas? Nascido em Jerusalém em 1962, cresceu em Malhah, um bairro árabe abandonado que, a partir dos anos 50, tornou-se o lar dos imigrantes recém-chegados do norte da África. Filho de Tzion Yishai, judeu religioso vindo da Tunísia, Eli é o terceiro de uma família com oito filhos e foi criado dentro dos valores tradicionais do judaísmo, em um ambiente intensamente marcado pelo vandalismo e pela violência das ruas.
Em uma reportagem publica-da na revista The Jerusalem Report, em dezembro de 1999, disse acreditar que, para seu pai, transmitir judaísmo aos filhos foi a maneira encontrada para diminuir a influência da vizinhança na qual viviam, ou seja, "uma maneira de salvá-los do mal". Sua formação judaica teve continuação em uma escola religiosa da rede estatal de ensino e, posteriormente, em uma Yeshivá sefardita, na cidade de Netivot, na região do deserto do Neguev.
Seu envolvimento com a causa dos judeus de origem oriental, base original do partido Shas, foi despertado por um fato que presenciou durante umas férias escolares, quando acompanhava o pai no trabalho, em uma construtora. Diante de seus olhos, o então jovem estudante viu o pai ser humilhado injustamente por uma pequena transgressão. Foi naquele momento que fez, a si mesmo, a promessa que influenciou o resto de sua vida: trabalhar pelos direitos dos judeus sefarditas.
Rápida ascensão
Acontecimentos como esses influenciaram Yishai na escolha da sua carreira e levaram-no a tomar a decisão de participar da vida pública de Israel. Ainda na Yeshivá, filiou-se ao Shas. Quando prestou o serviço militar, do qual poderia ter sido dispensado por ser religioso, serviu como motorista e assistente do oficiante do culto. Quando questionado sobre as razões que o levaram a integrar o exército - decisão não aceita pelos judeus ultra-ortodoxos - afirmou: "Era algo que queria fazer". Com esta resposta clara e objetiva evitou debates sobre um dos temas mais polêmicos do país. |
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