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PROFETAS E SÁBIOS |
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NACHMÂNIDES "O RAMBAN" |

Foto Ilustrativa
No século XIII, surgiu no firmamento judaico da Espanha uma nova estrela que brilhou com poderosa luz. Um dos principais autores da literatura talmúdica da Idade Média, cabalista, filósofo e escritor renomado. Mais conhecido por seus comentários místicos do Pentateuco, destacou-se no campo da lei rabínica além de ser um poeta litúrgico de grande expressão.
| Edição 28 - Abril de 2000 |
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Rabi Moisés Ben-Nachman, o Ramban, mais conhecido como Nachmânides nasceu em Gerona, na Espanha, em 1194, (passando a ter o sobrenome de Gerondi) e morreu em Haifa, Eretz Israel, em 1270. No século XII, a Espanha foi o principal centro cultural judaico do mundo conquistando um lugar importante no mundo judaico através de grandes personagens, como Maimônides, Abraham Ibn Ezra, Yehuda Halevi, entre outros.
Aos 15 anos o Ramban, foi considerado uma autoridade em Talmud, já que havia escrito vários tratados sobre o tema, sendo elogiado pelos sábios de então, que consideravam seus trabalhos de alto nível. Sua mente brilhante, sua lógica e capacidade de pesquisa - estabelecendo ligação entre os mais variados temas - tornou-se visível desde sua juventude, quando se dedicou também ao estudo da Ciência e da Filosofia, além de ter-se graduado em Medicina e em várias línguas. Nachmânides exerceu durante a maior parte de sua vida sua profissão, a medicina. Erudito, seu conhecimento era inigualável, na época, referiam-se a ele como Há-Rav, "Rabi" ou "Professor". Os rabinos sefaraditas de todas gerações consideram-no seu grande mestre.
Seus comentários sobre o Talmud, semelhantes aos dos tosafistas franceses, embora mais pragmáticos, garantiram-lhe a reputação de maior talmudista espanhol. Sua obra Torá ha-Adam, sobre os ritos fúnebres, possuía base cabalística e abordava a natureza da neshamá, alma. Nachmânides produziu, pelo menos, cinqüenta obras, na maior parte comentários sobre o Talmud e Halachá.
Aprofundou-se na Cabalá, pois era fascinado pelos ensinamentos místicos segundo os quais cada palavra e cada letra da Torá continham os segredos mais profundos da Criação. Seu objetivo era aproximar a Cabalá da corrente principal do judaísmo ortodoxo, especialmente na Espanha. Nachmânides tornou possível aos cabalistas traçar a origem de suas idéias à Torá e ao Talmud, mantendo as melhores e mais antigas tradições judaicas. Apesar de nenhum de seus trabalhos ser especificamente cabalístico, ele faz alusões completas ao sistema, sobretudo no comentário da Bíblia.
Em 1238, em Montpellellier tentou ser mediador entre os que apoiavam a obra de Maimônides e os que a combatiam. Maimônides, que vivera no século anterior, era um homem de grande erudição, interessado no Talmud assim como na Medicina. Elaborou um comentário sobre a Torá, dando ênfase à razão e à lógica. Na época, os racionalistas é que eram os "inovadores", levando para o estudo da Torá as idéias dos gregos antigos.
Enquanto Maimônides explicava o judaísmo pela razão e lógica, Nachmânides o explicava pelo sentimento e afirmava que certas partes da Tora escapam à qualquer explicação racional. A Torá e o Talmud constituem a autoridade suprema mesmo quando seu ensinamento parece contrariar o ensinamento da filosofia. "Aprender com anciãos é beber um velho vinho amadurecido pelos anos", teria dito,
Para Nachmânides três idéias são fundamentais: acreditar na Criação, na omnisciência de D'us e na Providência Divina. Corpo e alma, ambos oriundos de D'us, são igualmente bons. Adepto das doutrinas místicas e da Cabalá, é a estas que recorre para explicar certos antropomorfismos bíblicos (atribuir a D'us formas ou atributos humanos, para facilitar a compreensão de conceitos espirituais). Seus comentários eram claros, simples e repletos de devota instrução.
Estava mais interessado na atitude religiosa do judeu do que na profundidade de seu pensamento. |
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