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Foto Ilustrativa
O termo marrano aplica-se aos judeus espanhóis e portugueses que tiveram de se converter ao catolicismo, forçados pela Inquisição. Na opinião do historiador Reuven Kashani, pode-se também utilizá-lo para os membros da comunidade judaica que vivia na cidade de Mashad, no Irã, convertidos à força.
| Edição 28 - Abril de 2000 |
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A história do povo judeu é marcada por tragédias. A tal ponto, que para qualquer judeu de 60 anos ou mais, o ponto de referência em sua vida é sempre um pogrom, um gueto, uma expulsão...
As catástrofes são numerosas demais para serem lembradas por todas as comunidades e as comemorações preencheriam todos os dias do calendário. Por isso, os judeus lembram das datas que marcaram a sua vida em família e tentam transmitir as lembranças aos filhos e netos.
É o caso de Efraim Cohen Harunoff, um descendente dos "marranos" de Mashad. A data gravada em sua memória é 12 de Nissan de 5599 (27 de março de 1839). A data não tem nenhum si-gnificado para a maioria das pes-soas. Mas, para este homem de 68 anos, nascido em Israel, é repleta de significado.
Foi precisamente nesta data que, em Mashad, cidade ao norte do Irã, que 40 judeus foram assassinados pela população muçulmana. O restante da comunidade judaica foi obrigado a se converter ao islamismo, inclusive os avós de Efraim Cohen.
No entanto, os judeus convertidos e seus descendentes mantiveram "vida dupla". Fora do lar, eram muçulmanos, mas assim que entravam em casa, reassumiam sua identidade judaica. A história destes judeus, baseada na versão do historiador Reuven Kashani, foi relatada em um programa de televisão de Israel produzido por um descendente destes "marranos", primo de Efraim.
Vida em Mashad
Durante séculos, os xiitas proibiram os judeus de viver em Mashad por considerarem a cidade santa. No início do século XVIII, porém, o Xá Nadar conquistou a cidade expulsando os turcos; declarou Mashad sua capital e acolheu os judeus, revogando todos os decretos que os discriminavam.
Em 1734, o governo da Pérsia autorizou os judeus a se instalarem em Mashad, pois era preciso ampliar o comércio da região. Mesmo assim, sempre foram odiados.
Com queda desse governo, em 1839, a situação dos judeus mais uma vez deteriorou, e no dia 12 de Nissan os judeus da cidade foram atacados pelos muçulmanos. Existem duas versões sobre este pogrom. Uma afirma que tudo começou por causa de um boato: um muçulmano vira um judeu matando um cachorro e na cidade espalhou-se a noticia que o judeu havia sacrificado cão depois de dar-lhe o nome do profeta Hussein. O fato teria então enfurecido a população muçulmana. Outra versão afirma que pesou sobre os judeus a acusação clássica de "libelo de sangue". Os judeus de Mashad negaram as acusações, mas não foram ouvidos.
O fato é que naquele dia, mais de 30 judeus foram mortos. Em seguida foi proclamado um decreto dando aos judeus a opção de se converter ou morrer. A população judaica entendeu que não lhe restava outra alternativa a não ser a conversão, para pelo menos manter as aparências. Decidiram manter uma "vida dupla" se convertendo ao islamismo, mas praticando fervorosamente o judaísmo, em segredo. |
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