OS JUDEUS DE ROMA


Relevo do Arco de Tito, em Roma, representando os judeus trazidos de Jerusalém como escravos

Atualmente, vivem em Roma cerca de 15 mil judeus. Nem todos descendem dos que viviam na antiga Roma. Houve outras correntes migratórias, como a dos judeus da Líbia, que, expulsos pelo coronel Kadafi e, por serem de origem italiana, estabeleceram-se na Itália.


Edição 28 - Abril de 2000
Menu Completo
Morashá.com HOME
Revista Morashá
Clique acima e consulte as edições anteriores.
Roma Antiga

É raro uma grande potência expressar compaixão por suas vítimas, mas quando Jerusalém caiu nas mãos dos romanos, em 70 da era comum, foram cunhadas moedas muito comoventes. Uma destas trazia, de um lado, um soldado romano com a inscrição Judea Capta (a Judéia foi conquistada) e, do outro, uma mulher judia chorando sob uma árvore.

Esta pequena mostra do sofrimento infligido está ausente no Arco de Tito. Este monumento próximo ao Fórum foi erguido pelos romanos para celebrar sua vitória sobre a Judéia. Em seus baixos-relevos vemos prisioneiros judeus trazidos como escravos, carregando a Menorá do Templo. Apesar de não serem estes os primeiros judeus a viver em Roma, já que sua presença está documentada desde 161 antes da era comum, com eles inicia-se a diáspora do povo judeu.

Na época, os que assistiram a Tito e suas tropas romanas marchando em triunfo e trazendo consigo escravos judeus, certamente imaginaram que o poder de Roma se perpetuaria e que os judeus eram mais um entre os povos vencidos. O poeta romano Virgílio cantou em sua obra Eneida a missão de Roma: "Tu regeris imperio populos, romane, memento. Haec tibi erunt artes, pacique imponere mores, parcere subjectis et debellare superbos." (Tu, Roma, estás predestinada a liderar os povos com teu domínio. Esta será tua habilidade, como também a de ditar as condições da paz, poupar os submissos e vencer os soberbos). Mas o contrário se mostrou verdade: a Roma Antiga e seu império não existem mais, enquanto os judeus sobreviveram e voltaram para Jerusalém, mantendo a Menorá como um de seus símbolos.

Aliás, os judeus de Roma afirmam ironicamente, com certo orgulho e razão, que representam os verdadeiros romanos, porque lá estiveram por mais de dois mil anos, antes do Império Romano, antes dos papas, antes do cristianismo e ainda lá se encontram. Sobreviveram às hostilidades e arbitrariedades dos imperadores romanos, a séculos de autoridade papal, ao regime fascista e à terrível ocupação alemã durante a Segunda Guerra Mundial.

A Itália foi o primeiro país na diáspora e a comunidade de Roma é a mais antiga do mundo ocidental. Até hoje, os judeus italianos usam um ritual religioso e uma pronúncia próprios (chamado de Rito Italiano). Acredita-se ser este o ritual mais parecido ao original em uso no Templo de Jerusalém, mais do que o ashquenazita ou o sefaradita.

Roma possui uma única ilha no rio Tibre, a Isola Tiberina, que se comunica por duas pontes com o centro da cidade, por um lado e, pelo outro, com o Trastevere. Estas duas regiões de Roma em volta do rio são fundamentais na história dos judeus da cidade.

Em Trastevere há uma sinagoga que sobrevive desde a Idade Média e há um novo centro cultural na Via Arco dei Tolomei. Este possui arquivos, uma biblioteca e oferece concertos, palestras, cursos e exposições sobre a história do gueto de Roma e o papel dos judeus na resistência italiana. Ocasionalmente são apresentadas peças teatrais no tradicional dialeto judaico-romanesco, a língua original do gueto histórico, antigamente localizado do outro lado do rio.
Virar Página >>

1 2 3 4