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O Ben Ish Hai viajava freqüentemente à Terra de Israel. Em uma destas viagens, no ano de 1896, acompanhado de vários outros rabinos, havia combinado com o guia árabe que a caravana não viajaria durante o shabat. Durante o percurso, o Hacham continuava sua rotina de estudos: levantava-se à meia-noite para recitar o Tikun Hazot, e estudava e rezava até o amanhecer.

No shabat, porém, o guia árabe não quis interromper a viagem e ameaçou deixar o grupo no meio do deserto. O Ben Ish Hai não capitulou e junto com os outros começou os preparativos para o shabat. No meio da noite, bandidos circundaram o acampamento. O chefe do bando foi diretamente até a tenda do Hacham. Mas, ao vê-lo imerso em seus estudos, algo aconteceu e ele virou as costas, indo embora. O guia que havia parado a uma pequena distância, ao ver o que acontecera, correu para desculpar-se, prometendo seguir tudo que o Ben Ish Hai desejasse.

Em 1909, seis meses antes de seu falecimento, foi-lhe oferecido o posto de Rishon LeZion e Hacham Bashi sobre todas as comunidades sefaraditas na Terra de Israel, mas o sábio recusou a oferta.

Faleceu no dia 13 de Elul de 1907. Foi o maior funeral pós-talmúdico já realizado em Bagdá e o Beit Din (Tribunal Rabínico) determinou que nenhum judeu trabalharia durante os sete dias de luto. O Rabino Yaakov Katzin conta, em seu livro Peri Etz Hagan, a seguinte história sobre o falecimento do grande sábio:

"Na noite de Elul 5669/1909, em Jerusalém, o Rabino Avraham Ades adormeceu enquanto estudava a Torá e teve uma visão: viu o falecido rabi Avraham Laniado vestido de branco. O Rabino Ades perguntou-lhe para onde se dirigia e Rabino Laniado respondeu que o Rabino Yossef Hayim, de Bagdá, o Ben Ish Hai, havia morrido e que estava indo buscá-lo para enterrá-lo em Jerusalém. O Rabino Ades viu, então, uma multidão acompanhando o enterro, ao qual compareceram todas as autoridades de Jerusalém. Os rabinos fizeram, então, discursos carregados de emoção... Quando acordou, o Rabino Ades se informou do estado de saúde de Ben Ish Hai, mas ninguém soube lhe responder com precisão. Algumas horas mais tarde, chegava um telegrama de Bagdá com a triste notícia do falecimento de Hacham Yossef Hayim. O Rabino Ades contou, então, o seu sonho e, conforme suas palavras, as maiores autoridades de Jerusalém se juntaram para chorar a morte de Ben Ish Hai".

Bibliografia:
Artigo de autoria do grão-rabino Ovadia Yossef Shlita.
IF I Forget Thee - The Ben Ish Hai Anthology - Yeshivat Ahavat Shalom Publications, Jerusalém 5758/1998
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