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PURIM |
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PURIM, A FESTA DA FANTASIA |

Meguilát Esther
Os fatos relatados na Meguilá de Esther parecem obra do acaso, mas o acaso é obra de D'us.
É Ele quem planeja o salvamento do povo judeu.
| Edição 26 - Dezembro de 1999 |
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A festa de Purim é considerada por muitas crianças e, também por alguns adultos, como um tipo de carnaval, no qual a fantasia é indispensável. Em certas comunidades, foi dada enorme importância a esse costume, superando até mesmo o cumprimento das leis de Purim, como a leitura da Meguilá Esther, o Mishloach Manot (envio de doces a familiares e amigos), a tsedacá (caridade) e a Seudát Purim (refeição festiva). Qual então o verdadeiro papel da fantasia? Por que motivo a miraculosa vitória de Mordechai e Esther sobre Haman se celebra com o uso de fantasias, muitas vezes excêntricas?
Uma das explicações do Sfat Emet é que o homem, através da sua fantasia, mostra seus sentimentos mais ocultos. Outra, mais divulgada, diz que, no dia de Purim, D'us fantasiou-se Ele próprio ao realizar, através de terceiros, os milagres descritos na Meguilá.
A Meguilá é o único livro no qual o Todo-Poderoso não se revela diretamente ao povo. Além disso, na Meguilá, o nome de D'us não consta nenhuma vez, um fato inédito na Bíblia. D'us, Onipresente na Torá, aparece oculto na história de Mordechai e Esther.
Ao salvar os judeus do decreto de Haman, D'us está presente, porém disfarçado. É, logicamente, o mesmo Todo-Poderoso que realizava milagres diariamente, um após o outro, no Templo de Jerusalém. Mesmo após a destruição do Templo, Ele não esquece Seu povo exilado. Só que, a partir daí, não mais apareceu diretamente para interferir em seu destino, mas sim disfarçado.
Os fatos relatados na Meguilá parecem obra do acaso, como por exemplo quando o rei Assuero se separa da mulher Vashti e casa-se com Esther; ou então quando Mordechai ouve a conversa entre os dois eunucos que tramavam contra o rei e os denuncia, salvando assim a vida do soberano.
O "acaso" é, de fato, obra de D'us. É Ele quem planeja o salvamento do povo judeu. O fenômeno do milagre não apresenta, necessariamente, um aspecto sobrenatural, como por exemplo a passagem dos judeus sobre o Mar Vermelho. Um milagre pode, e é o que hoje em dia acontece, aparecer sob a forma de acontecimentos banais do dia-a-dia. A história de Israel moderno está aí para provar: seria por acaso que o voto em comum - único na história das Nações Unidas - no qual as duas maiores potências da época (Estados Unidos e União Soviética) apoiaram juntos a criação de um Estado judeu na Terra de Israel? E como acreditar que as poucas armas do jovem exército israelense de 1948 permitiram repelir os ataques em massa dos países árabes vizinhos? E, na guerra de 1967, a vitória do Tsahal e a conquista do Muro Ocidental não foram milagres? Claro que estes acontecimentos não podem ser considerados mero acaso.
Se a intervenção do Todo-Poderoso na história de Purim se manifestou por milagres disfarçados, milagres que salvaram os judeus do perigoso Haman, esta intervenção continua nos tempos de hoje, da mesma maneira disfarçada.
Até Mordechai se disfarça em cidadão persa, trabalhando para o rei. Mas, no fundo, o que ele quer é salvar o seu povo. Até o fim, ele não desiste da esperança de levar o seu povo para a Terra de Israel.
Daqui tiramos que todos os envolvidos na história de Purim têm uma máscara e são fantasiados. Purim é a festa que nos dá a oportunidade de nos disfarçarmos para chegar ao fim a que sempre aspiramos: ser nós mesmos!n
Traduzido de um artigo
por Shlomo Aviner |
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