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MUSEUS JUDAICOS, UM MERGULHO NA HISTÓRIA |

Hotel de Saint-Aignan, sede do Museu de Arte e de História do judaismo em Paris.
Um povo sem história é um povo sem memória e, talvez, não haja melhor lugar para se conhecer os diferentes aspectos da história dos povos do que em um museu. Esta talvez seja uma das razões pelas quais a maioria das principais capitais do mundo e também pequenas cidades e povoados possuam, pelo menos, um museu judaico. Há também uma lenda, segundo a qual o patriarca Abrahão apascentava seus carneiros nas montanhas de Alepo. Daí o nome árabe Halab, que significa leite.
| Edição 26 - Dezembro de 1999 |
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Objetos de arte e rituais, quadros, livros, roupas, utensílios domésticos, remanescentes de uma sinagoga e inúmeros outros objetos contam o dia-a-dia de comunidades que desapareceram no tempo. Revelam a herança judaica, com as tradições e diferenças entre os judeus de origem sefaradita e asquenazita, seculares e ortodoxos, enfim, falam de sua história. Em um artigo publicado na revista francesa "Passages", o jornalista André Goezu afirmou que a diversidade dos museus judaicos reflete a diversidade do judaísmo através dos séculos, além de também revelar a visão de seus idealizadores.
Museus de história, museus de artes plásticas, museus de arte religiosa, museus do Holocausto, museus de arqueologia. Museus, museus e mais museus, todos inspirados pela vida judaica, com suas tradições, seus rituais e cerimônias religiosas cujos símbolos despertaram a criatividade de artesãos e artistas através do tempo.
O resultado visto nas inúmeras salas de exposições de todo o mundo são criações que não podem ser analisadas simplesmente como se fossem ou não "obras de arte". Suas criações, acima de tudo, contam a história do povo judeu.
O museu de Praga
O Museu Judaico em Praga possui uma das maiores coleções de objetos rituais e religiosos - ou Judaica, como são tratadas estas coleções - de todo o mundo, cobrindo principalmente os séculos XVI a XIX. Seu acervo reflete a trajetória e o destino dos judeus da Boêmia e da Morávia, cuja presença na Checoslováquia vem desde o século X. Durante a Segunda Guerra Mundial, os judeus foram deportados para os campos de morte nazistas e suas coleções enviadas para Praga, onde foram cuidadosamente catalogados por curadores e historiadores de arte, também judeus, sob a supervisão dos alemães. Manuscritos raros, livros antigos em hebraico, rolos da Torá, ornamentos de prata, quadros e outros objetos foram gradativamente transferidos para os cofres nazistas.
Parte dessas coleções integra o atual acervo do Museu Judaico, permitindo aos visitantes conhecerem um pouco mais sobre as comunidades judaicas da região. Um manuscrito em hebraico, do século XIV, um livro em hebraico impresso em Praga em 1526, estão expostos ao lado de objetos de prata dos séculos XVIII e XIX, como castiçais, rimonim, chanuquiot.
O Museu Judaico de Praga possui, também, uma das maiores coleções do mundo de adornos em tecido, incluindo capas para chalot e matzot, sacolas para tefilin e talitim. Especialistas afirmam que o estilo destes ornamentos revela um intercâmbio entre os artistas judeus de Praga e de outros centros da Europa, seguindo certas tendências da época.
Estes mesmos especialistas afirmam ainda que o acervo deste museu, centrado principalmente em objetos religiosos, revela a importância da espiritualidade, dos simbolismos e da tradições para os judeus. A coleção de Judaica, como as pessoas que criaram os objetos e também as que os utilizavam, possui elementos que refletem a influência das comunidades vizinhas. São testemunhas silenciosas de um estilo de vida e das experiências de seus criadores. |
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