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"Um dia, Rabi Simalai pediu a Rabi Yochanan que lhe ensinasse em três meses o complexo Livro de Crônicas, ao que Rabi Yochanan respondeu, irado: 'Se Beruriá, que conseguia aprender 300 leis de 300 mestres em um único dia, demorou três anos para estudá-lo, como você pode imaginar que conseguiria fazê-lo em três meses?'"

Sua reputação como erudita era enorme e, às vezes, sua opinião era mais considerada do que a de outros sábios. Foi a única mulher mencionada em antigos textos rabínicos por sua perícia sobre temas ligados a conceitos da lei judaica. Segundo o Talmud, Beruriá também lecionava (Eruvin 53b).

Sua personalidade

Além de ser dona de uma mente brilhante, Beruriá tinha uma personalidade especial. A força de seu caráter, o total respeito à Lei e seu compromisso com D'us podem ser comprovados nesta famosa história que envolve a perda de seus dois filhos.

Numa tarde de Shabat, enquanto Rabi Meir estudava na sinagoga, seus dois filhos morreram vítimas de uma epidemia. Mesmo arrasada, Beruriá cobriu os corpos dos meninos e pensou em como dar a notícia a seu marido, pois não queria que ele chorasse a perda dos filhos durante o Shabat.

Assim que Rabi Meir entrou em casa, perguntou pelos filhos, mas Beruriá não lhe contou o que havia sucedido. Só após o término do Shabat, ela lhe fez a seguinte pergunta: "Algum tempo atrás, alguém lhe deu um tesouro para guardar e hoje esse homem veio pedi-lo de volta. Você seria obrigado a lhe devolver esse tesouro?" Sem hesitar, Meir respondeu à sua esposa que o tesouro deveria retornar a seu dono. Beruriá, então, segurou-o pela mão e levou-o para o quarto onde jaziam os corpos dos meninos.

Enquanto ela removia o manto que os cobria, Rabi Meir começou a chorar. Beruriá então falou: "Você não me disse que é preciso devolver ao verdadeiro dono aquilo que nos foi confiado?" E, usando a citação do Livro de Jó, disse: "D'us deu, D'us levou. Aben-çoado seja o nome de D'us". O Talmud conta que Rabi Meir sentiu-se confortado pelas palavras e pela fé em D'us demonstrada pela esposa naquela situação.

Em outra ocasião, de acordo com o Talmud, Beruriá usou seu conhecimento da Torá para aconselhar o sábio Rabi Meir em relação a um bando de ladrões que costumava atacá-lo. Um dia, cansado da situação, orou para que os perversos desaparecessem. Beruriá lembrou-o acerca do verso do Livro dos Salmos (104:35) que diz: "Deixe os pecados e não os pecadores desaparecerem da terra". Rabi Meir, então, disse: "Você tem razão". O sábio rezou e os bandidos reconheceram seus erros, abandonando a vida criminosa.

Ninguém tem certeza de como e quando Beruriá morreu.
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