MULHERES DA HISTÓRIA
A HISTÓRIA DE BERURIÁ


Coluna decorada da Sinagoga de Ostia perto de Roma.

Beruriá foi a mais destacada figura feminina de todo o período talmúdico.Única mulher reconhecida pelo Talmud como erudita na Torá, era filha de Rabi Hananiá Ben Teradion, um dos maiores sábios de seu tempo e um dos "Dez Mártires" mencionados nas orações feitas em Yom Kipur.


Edição 26 - Dezembro de 1999
Menu Completo
Morashá.com HOME
Revista Morashá
Clique acima e consulte as edições anteriores.
Beruriá foi esposa do grande sábio, Rabi Meir Baal Ha-Ness, que, em várias
ocasiões registradas no Talmud, ouviu os conselhos da esposa. Rabi Meir foi o maior erudito de seu tempo. Discípulo de Rabi Akiva, era considerado um homem sábio e vários milagres lhe são atribuídos. Até hoje, quando enfrentam situações difíceis, os judeus sefaraditas costumam fazer tzedacá para elevação da alma de Rabi Meir.

Com a destruição do Segundo Templo (no ano 70 da era comum), o local no qual os Filhos de Israel expiavam seus pecados, viu o centro de suas orações, festivais e peregrinações encontrava-se arrasado. Iniciava-se, então, um novo período no judaísmo. Sua sobrevivência não dependia mais de um lugar físico, por mais sagrado que fosse, mas sim da Palavra e da Lei de D'us, ou seja, da Torá. Esta os judeus poderiam levá-la em seu coração e em sua mente onde quer que estivessem. Seu estudo tornou-se o centro da vida e da sobrevivência judaica.

Numa época em que as mulheres normalmente não estudavam Torá, já que ensiná-la aos filhos era obrigação dos pais e não havia referências sobre como transmiti-la a suas filhas, Beruriá lia e estudava com afinco. Ela vinha de uma família de estudiosos da Torá e possuía uma mente brilhante e adquiriu assim amplo conhecimento, tanto no campo da Torá oral, como da escrita.

Sua vida

Beruriá passou a maior parte de sua vida em Tiberíades. Não se sabe ao certo a data de seu nascimento nem de sua morte, mas acredita-se que tenha nascido nos primeiros 25 anos do século II da era comum. A tragédia marcou a vida de Beruriá assim como a de muitos judeus que habitavam a Terra de Israel, naquele período. Foi uma época marcada por morte e destruição. Após a Primeira Revolta, que culminou com a destruição do Segundo Templo, o novo imperador romano Adriano ordenou proibições na Judéia de várias práticas religiosas, entre as quais a circuncisão e o estudo da Torá. O resultado foi a trágica revolta judaica liderada por Bar Kochba (133-135 da era comum).

O pai de Beruriá, Rabi Hananiá Ben Teradion, foi perseguido pelas tropas romanas por causa de sua devoção à Torá. Foi preso, queimado, e sua esposa, executada. A irmã mais jovem de Beruriá foi levada pelos romanos a um prostíbulo em uma cidade distante. De acordo com o Talmud, Beruriá disse, então, ao marido: "Estou envergonhada por minha irmã estar em um prostíbulo". (Avodá Zará 18b).

O Talmud relata com detalhes como Rabi Meir salvou sua cunhada, com sua virtude intacta, e as conseqüências que este gesto teve em sua vida. Os romanos o perseguiram e ele foi obrigado a exilar-se na Babilônia. Antes deste episódio, o jovem irmão de Beruriá havia-se juntado a um grupo de marginais e acabou sendo executado pelas autoridades.

Sua erudição

Beruriá era respeitada por sua busca incansável de conhecimento, sendo citada como modelo para os que estudavam o Talmud. Como já dissemos, conhecia não só a Lei escrita como a oral. Um relato talmúdico revela esta afirmação:
Virar Página >>

1 2