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O discurso eleitoral de Haider não trouxe de volta suas intempéries anti-semitas, munição que o candidato parece ter deixado no porão em busca de reconhecimento e respeitabilidade internacional. Ele até chegou a se oferecer para visitar Israel, num esforço para esclarecer um suposto mal-entendido quanto a suas posições.

No caso recente do avanço eleitoral dos xenófobos na Suíça, as explicações guardam evidente parentesco com o caso austríaco: reação a ondas de imigrantes e manifestação conservadora contra "o cosmopolitismo da globalização". No entanto, um fator adicional teria de ser levado em conta: uma eventual reação negativa de fatia do eleitorado suíço à questão de indenização envolvendo sobreviventes do Holocausto e o papel dos bancos do país durante a Segunda Guerra Mundial, quando estocaram ouro nazista e realizaram operações eticamente condenáveis. Nacionalistas alpinos vêem, nesse caso, um "complô judaico destinado a manchar a imagem da Suíça".

No último vértice do triângulo, desponta o sucesso, em 98, da extrema direita alemã. Ela colhe sobretudo na antiga Alemanha Oriental votos de protesto contra a crise econômica local, provocada pela transição ao capitalismo, e manifestações de xenofobia em áreas onde as taxas de desemprego podem beirar os 20%. Eleições mais recentes, no entanto, demonstram sucesso dos ex-comunistas do PDS na hora de capitalizar o voto de protesto contra os grandes partidos, o SPD do premiê social-democrata Gerhard Schroeder, e a democrata-cristã CDU, do ex-primeiro-ministro Helmut Kohl.

Deter o avanço da extrema direita na Europa não será possível apenas por meio da guerra ideológica e eleitoral nos países onde haja eleição. Será preciso enfrentar também estancar a ferida aberta no continente, que alimenta o fluxo de imigrantes rumo aos pólos mais ricos da região, e isso significa o espinhoso desafio de buscar a estabilidade no Leste europeu e minorar os efeitos negativos da inevitável globalização. Afinal, os extremistas, de qualquer tipo, costumam beber da fonte dos medos e das incertezas vividas pelo eleitor comum.
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