|
|
| BENS JUDAICOS NOS PAÍSES ÁRABES |

Sinagoga de Sa'adom, Fez, Marrocos, 1994 - Zev Radovan
O debate sobre a questão das indenizações dos judeus que fugiram dos países árabes e a postura do governo israelense sobre o tema provocam debate em Israel e na diáspora
| Edição 26 - Dezembro de 1999 |
|
|
 |
Final da década de 1940. O mundo assistia à reconstrução da Europa, após a Segunda Guerra Mundial; à Partilha da Palestina, aprovada pelas Nações Unidas, em 1947; e à criação do Estado de Israel, em 1948. Enquanto gritos de júbilo ecoavam pelas ruas do Estado Judeu, medo e incerteza começavam a tomar conta dos judeus que, até então, viviam em relativa tranqüilidade nos países árabes.
Como conseqüência da fundação do Estado Judeu e da guerra deflagrada pelos países árabes contra a nova nação, iniciou-se um período de perseguições que culminou com a saída de milhares de judeus do Egito, Síria, Iraque, Argélia, Marrocos, Iêmen, Líbano e Tunísia. Famílias se separaram. Alguns partiram para Israel, outros para a Europa, Estados Unidos, América do Sul e outros locais. Deixaram atrás de si amigos de longa data, séculos de história e milhões de dólares em patrimônios pessoais construídos ao longo de gerações, além de um valor incalculável em bens comunitários. Que fim levaram tais fortunas?
O tema da restituição de bens aos judeus sefaraditas que deixaram seus países de origem fugindo das perseguições dos governos árabes, após 1948, começa a surgir na cena política de Israel. Vem despertado por outra polêmica com a qual, aparentemente, não teria relação direta: a reivindicação feita pela Autoridade Palestina (AP) pelos bens deixados em Israel pelos palestinos, após 1948. Segundo a AP, o governo israelense deverá pagar indenizações aos que deixaram seus bens ao fugir das fronteiras que delimitaram o Estado de Israel. Esta questão deverá ser abordada durante as conversações finais de paz entre Israel e AP, em data ainda indefinida. Sabe-se, no entanto, com certeza, que os palestinos já estão fazendo o levantamento detalhado do montante em quanto deverão ser ressarcidos.
A relação entre os dois temas tornou-se evidente após a divulgação de informações segundo as quais o governo israelense estaria começando também a fazer um levantamento dos bens deixados pelos judeus nos países árabes. Por trás desta medida estaria uma meta: apresentar uma proposta à AP, cujo conteúdo, a grosso modo, seria trocar as reivindicações dos judeus aos países árabes pelas dos palestinos a Israel. Este assunto foi capa da revista The Jerusalem Report em sua edição de 27 de setembro de 1999. Poderia até ser uma solução aceitável, não fossem as reações de protesto de ambas as partes: judeus sefaraditas e palestinos.
Reivindicações antigas
Setores menos envolvidos na vida judaica da diáspora e também no desenrolar dos fatos no Oriente Médio podem ter-se surpreendido não apenas com a maneira como o tema vem sendo abordado em Israel, mas também com a constatação do fato em si. Ou seja, ainda há judeus reivindicando alguma coisa aos países árabes? Ou melhor, há judeus que ainda acreditam que poderão receber algo da herança de seus antepassados?
A resposta para as duas perguntas é positiva, acrescida do fato de que inúmeras organizações sefaraditas em todo o mundo estão empenhadas na luta pelas indenizações há vários anos, a ponto de ter sido criada, em novembro de 1975, a Organização Mundial de Judeus dos Países Árabes, com braços ativos na diáspora e em Israel. Seu objetivo era, e ainda é, encaminhar suas reivindicações aos governos árabes e lutar para que sejam atendidas.
Em termos concretos, no entanto, nada foi conseguido. Segundo o The Jerusalem Report, o governo israelense jamais incentivou as atividades da organização e, justamente agora, quando o tema das indenizações está sendo debatido, o Ministério das Relações Exteriores de Israel decidiu fechar a representação local, alegando falta de verbas. Fontes oficiais afirmam que o escritório será fechado por não ter tido atuação efetiva. |
 |
 |
|