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A visita de João Paulo II a Israel - ed.28 - Página1
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| A VISITA DO PAPA JOÃO PAULO II A ISRAEL |

Papa João Paulo II em encontro com o Grão-Rabino Chefe Asquenazita Meir lau e o Grão-Rabino Sefaradita Eliahu Bakshi-Doron.
Um Pontífice, líder supremo da Igreja Católica, vir a público em Israel para expressar sua contrição pelas ações cometidas durante séculos contra o povo judeu, pela própria Igreja que representa, era algo inimaginável até pouco tempo atrás.
| Edição 28 - Abril de 2000 |
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João Paulo II, no último dia de sua peregrinação a Israel foi ao Kotel, colocando, entre suas pedras milenares, a seguinte mensagem: "D'us de nossos pais, escolheste Abraão e seus descendentes para levar Teu nome às nações. Estamos profundamente tristes com o comportamento daqueles que, ao longo da História, fizeram sofrer esses Teus filhos..."
A visita de João Paulo II a Israel foi totalmente diferente da última visita do então Pontífice Papa Paulo VI à região, em 1964. Na época o Vaticano não reconhecia o Estado de Israel, não mantendo, portanto, com este relações diplomáticas. Paulo VI, em seus discursos, nunca usou o termo Israel, recusou-se a ir a Yad Vashem, não visitou rabino algum nem qualquer outra autoridade israelense. Quando o então presidente do Estado de Israel, Zalman Shazar, foi até Meggido para encontrá-lo, o Papa usou termos vagos para a ele se referir, como "Sua Excelência", em vez de "Senhor Presidente", numa clara violação do protocolo diplomático.
As atitudes de João Paulo II em relação aos judeus e ao Estado de Israel são completamente diferentes. Foi o primeiro Pontífice a expressar o direito dos judeus de voltar à sua terra natal e, em 1993, promoveu o reatamento das relações diplomáticas entre Israel e a Santa Sé, apesar dos protestos de outros líderes católicos que alegavam temer represálias muçulmanas.
A ida de João Paulo II a Israel em peregrinação foi marcada por momentos extremamente importantes. Reuniu-se com o Grão Rabino Chefe ashquenazita de Israel, o Rabino Meir Lau, e visitou o presidente Ezer Weizman.
Mas, os pontos altos de sua viagem foram a visita a Yad Vashem, o Museu do Holocausto, e ao Kotel, Muro das Lamentações, em Jerusalém. Acompanhado de Ehud Barak, em cerimônia marcada pela sobriedade e emoção, o Papa alimentou uma chama que nunca se apaga em recordação das vítimas do Holocausto. Em cerimônia na Sala da Memória, onde estão inscritos os nomes de 22 campos nazistas, lamentou a "terrível tragédia do Holocausto", afirmando: "Não há palavras fortes o suficiente para deplorar a terrível tragédia que foi a Shoá."
O Pontífice disse: "Vim a Yad Vashem render homenagem aos milhões de judeus que, privados de tudo e especialmente de sua dignidade humana, foram assassinados durante o Holocausto".
O Holocausto foi uma experiência que o Papa viveu de perto. Amigo de muitos judeus, presenciou o nazismo na Polônia, vendo desaparecerem muitos deles. Até hoje se questiona sobre sua atuação, na época.
No museu, 200 sobreviventes estavam presentes à cerimônia, entre os quais 20 de sua cidade natal. Vários eram seus amigos de infância, pois, diferentemente da tradição polonesa, em sua casa não havia anti-semitismo e ele mantinha estreita amizade com os judeus da cidade.
O Papa declarou em seu discurso: "Asseguro ao povo judeu que a Igreja Católica está profundamente entristecida com o ódio, atos de perseguição e demonstrações de anti-semitismo dirigidos contra os judeus por cristãos, em qualquer tempo e em qualquer lugar".
Em 12 de março último, no Vaticano, o Papa João Paulo II já havia feito uma mea culpa, fato sem precedente histórico. Pediu perdão em nome da Igreja Católica pela perseguição aos judeus durante os séculos anteriores e por dois mil anos de pecados cometidos em nome da instituição. O discurso foi baseado no documento "Memória e Reconciliação: A Igreja e os Erros do Passado", elaborado por autoridades eclesiásticas. O pedido de perdão do papa incluía as Cruzadas, a Inquisição, o Holocausto e outras atitudes da Igreja em relação a fiéis de outros credos. Antes dessa mea culpa, João Paulo II havia reconhecido os terríveis males provocados pela Inquisição aos judeus. |
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| N.79/março 2013 |
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