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Israel:

Degânia Alef, mãe de todos os kibutzim



Foto Ilustrativa

Edição 69 - setembro de 2010

Há cem anos, em outubro de 1910, um grupo de jovens judeus fundou uma colônia agrícola às margens do lago Kineret. Seu sonho, como o de tantos outros jovens judeus que haviam deixado o Leste europeu para se estabelecer em Eretz Israel, era fazer de sua visão do sionismo um modus vivendi. Queriam trabalhar a terra e se assentar permanentemente na Terra de Israel.

Desse sonho nasceu Deganyah, a primeira kvutzá (grupo, em hebraico) socialista-sionista na então Palestina, que serviu de modelo para todas as outras kvutzot seguintes e, por fim, também para os kibutzim.A história de Degânia, no litoral norte do Lago Kineret, está intimamente ligada à história da criação do Estado de Israel. O kibutz foi o local de nascimento do lendário chefe do Estado Maior das FDI, General Moshé Dayan, e foi também o lar de um considerável número de famosos personagens do incipiente Estado. A poetisa Rachel, A.D. Gordon, e Yossef Trumpeldor, todos trabalharam em Degânia Alef (A). Em 1981, Degânia Alef recebeu o Prêmio Israel por sua contribuição especial à sociedade e ao Estado e por seu pioneirismo social-humanitário.

Pano de fundo

Nas últimas décadas do século 19, a idéia de um Lar Nacional Judeu em Eretz Israel, na época parte do Império Turco, não passava de um sonho. Mesmo assim, algumas dezenas de milhares de judeus optaram por se instalar na então Palestina; grande parte se originava do Império Russo, onde se deteriora a já difícil situação dos judeus.

Na primeira onda migratória, que ficou conhecida como a Primeira Aliá (1882-1903), calcula-se que chegaram à então Palestina 70 mil judeus, dos quais apenas metade conseguiram lá permanecer em virtude das inóspitas condições locais. Uma parte desses pioneiros estabeleceu colônias agrícolas, tais como Petach Tikva, Rechovot e Rosh Piná. Mas, as dificuldades eram muitas e as colônias pareciam fadadas ao fracasso. A ajuda de Maurice de Hirsch e, principalmente, de Edmond de Rothschild em termos financeiros e técnicos foi fundamental para a sobrevivência dessas colônias.

Com o início da Segunda Aliá, começam a chegar a Eretz Israel um novo tipo de imigrantes. Eram jovens idealistas, a maioria russos, de classe média baixa. Desenganados da Diáspora, desiludidos dos discursos de teóricos sionistas e socialistas, queriam construir em Eretz Israel uma nova sociedade apoiada sobre dois pilares: o renascimento nacional e os princípios do sionismo-socialista.     

Ninguém, no entanto, estava preparado para o que encontrariam, pois as condições de vida eram incrivelmente difíceis e primitivas mesmo para os padrões dos judeus do Leste da Europa. O árduo trabalho braçal, a malária, serpentes e escorpiões, faziam parte do dia-a-dia dos jovens chalutzim. Além do mais, não se ajustaram às normas do trabalho agrícola nas aldeias existentes. Nas colônias auxiliadas pela Associação de Colonização da Palestina, do barão Rothschild, seus administra­dores preferiam contratar mão-de-obra árabe, mais barata, ao invés de fomentar o emprego para os recém-chegados. Esses jovens chalutzim tampouco queriam, como escreveu Mania Shochat, “tornar-se agricultores individualistas, proprietários, pois isso ia totalmente contra seus arraigados princípios socialistas”. Felizmente, esta crise coincidiu com a aprovação, pela Organização Sionista Mundial (OSM), das propostas do Dr. Arthur Ruppin, diretor do Instituto Palestina, órgão da OSM, recém-estabelecido em Yaffo. Judeu alemão de 32 anos, formado pela Universidade de Berlim, o Dr. Ruppin acreditava que para concretizar o sonho de um Lar Nacional judaico deviam-se criar imediatamente oportunidades de emprego para milhares de novos imigrantes. Suas propostas incluíam a compra de 2 milhões de dunams1 de terra na Judéia e na Galiléia, com recursos do Keren Kaiemet Le-Israel, Fundo Nacional Judaico, e criação para os jovens pioneiros, de um período de treinamento de formação em trabalhar a terra em fazendas “auxiliares”.

Quando suas recomendações foram aceitas, Ruppin passou a ad­quirir extensas propriedades na Judéia e na Galiléia, dividindo-as em pequenos lotes. Em seis anos, conseguiu comprar terra em várias partes do país. Ao chegar à então Palestina, os jovens pioneiros eram instalados nas colônias Kineret, Ben Shemen e Chulda, onde recebiam uma formação agrícola. Ruppin acreditava que esses jovens idealistas eram “o patrimônio mais valioso da federação sionista”.

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