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A família cumpre, atualmente, funções decisivas nos campos cruciais
para o ser humano e a sociedade. É a principal unidade de saúde preventiva
da sociedade. A atenção e cuidado com a criança na primeira infância
são centrais para os níveis de saúde futuros de toda a sua vida. O desempenho
educativo de crianças vindo de lares onde os pais apóiam e acompanham
seus estudos é muito melhor do que o das crianças provenientes de lares
enfraquecidos, desarticulados ou pouco responsáveis. O modelo de pensamento,
análise e discussão recebidos no lar afetam profundamente o desenvolvimento
de habilidades intelectuais importantes no mundo de hoje, como as do
pensar independente e criativo. As pesquisas determinaram que o tipo
de relação pai-mãe tende a ser reproduzido nos lares dos filhos. Entre
outros aspectos, determinou-se que os maridos que praticam a violência
doméstica, uma aberração muito freqüente no mundo atual, provêm em um
percentual altíssimo de lares onde viram seus próprios pais agir desta
forma.
Em uma época em que a criminalidade aumenta desenfreadamente, observa-se
que o que se aprende do aspecto moral no âmbito familiar, nos primeiros
anos de vida, é decisivo para que, mais tarde, o jovem caia ou não em
condutas delituosas. Assim sendo, a família é percebida como o instrumento
mais eficaz de prevenção do delito, a serviço da sociedade. Alguns economistas
indicam, ainda, que não há nenhuma unidade produtora de serviços sociais,
seja pública ou privada, que se possa comparar em eficácia à família.
Esta gera serviços nutricionais, educacionais, de saúde e outros a seus
membros, com a mais alta qualidade e os maiores níveis de eficiência
existentes.
Sempre se conheceu o papel espiritual, emocional e ético da família.
Mas agora se lhe agregam avaliações que indicam seu peso fundamental
sobre aspectos concretos e básicos das sociedades, como todos os mencionados
e muitos outros ainda por agregar.
A instituição criada por D'us como base do gênero humano, como afirma
a Torá, é hoje "redescoberta", no início do Século 21, pelas ciências,
como a unidade social mais capaz e efetiva com que conta o homem.Pode
parecer que tal redescobrimento chega um pouco tarde, já que a família
vivencia sérias dificuldades em diversos aspectos. Nas sociedades ricas
e nas classes altas de países como os latino-americanos, a busca desenfreada
por bens materiais e de poder como objetivos finais da vida, e o consumismo
exagerado, relegaram à marginalidade valores e instituições não utilitárias,
entre elas a família. Esta aparece para os yuppies, e aos que visam
a ascensão social, como um obstáculo, com suas mensagens morais e suas
exigências de fidelidade e respeito a pais e irmãos.
Nos setores pobres da América Latina e de outras regiões, a família
sofre o embate das agudas penúrias econômicas. Estima-se que de 1980
a 1996 o número de pessoas abaixo da linha de pobreza sofreu um aumento
de 63 milhões. Uma vítima desse processo de pauperização foi, sem dúvida,
a família. Hoje, mais de 30% dos domicílios na região ficaram sob a
responsabilidade da mãe, apenas, e em sua imensa maioria, de mães humildes.
O desemprego e a miséria foram determinantes na ruptura do núcleo familiar.
Políticas econômicas totalmente insensíveis a suas conseqüências sobre
a família foram também responsáveis por estas realidades,cada vez mais
agudas. Urge fortalecer a família e, para tanto, toda a sociedade deve
empenhar-se ao máximo. Sem essa fonte inesgotável de valores, afeto
e contribuições diários, o futuro das gerações jovens será sombrio e
o da sociedade será um grande ponto de interrogação.
O judaísmo tem idéias estruturadas a este respeito desde suas origens, e sua consagração da família como entidade pilar da vida judaica é uma das características centrais da identidade judaica. "Honrarás teu pai e tua mãe" já prescreviam os Dez Mandamentos. No texto bíblico há um alerta drástico: "Amaldiçoado seja aquele que ultraja seu pai ou sua mãe" (Devarim, 27:16).
As normas básicas não deixam lugar a dúvidas nem a ambigüidades. Honrar os pais - aspecto básico da relação familiar - é um dever inevitável. As relações entre marido e mulher, pais e filhos, irmãos entre si e parentes imediatos são cuidadosamente definidas, buscando assegurar a harmonia do núcleo familiar. Maimônides ensina como devem ser as relações entre esposos: "Nossos Sábios sentenciaram que o marido deve honrar sua mulher mais do que a si próprio e amá-la como a si próprio".
Esta regra determinante foi ditada em períodos da mais virulenta discriminação
entre os gêneros. Os pais, segundo prega o judaísmo, não devem favorecer
um dos filhos, pois isto seria um erro. Devem, sim, cuidar da educação
de seus filhos, isto é ponto pacífico, um compromisso vital básico.
Os filhos, por sua vez, devem esforçar-se para dar satisfações legítimas
a seus pais.
A Torá, em Gênese, assim narra o encontro de José, filho supostamente
assassinado, e seu pai Jacob (Israel), após 25 anos de separação: "E
aprontou José sua carroça e subiu ao encontro de Israel, seu pai. Em
Goshen, se lhe apareceu diante dos olhos, atirou-se sobre seu pescoço,
e chorou muito sobre seu pescoço." (Bereshit 46:29). Os rabinos enfatizam
que com a expressão "se lhe apareceu diante dos olhos", o texto bíblico
enfatiza que, apesar de tantos anos de separação, o pensamento de José
estava fixo no prazer que tinha seu pai ao vê-lo. Entendeu que seu próprio
prazer era secundário frente ao que sentia seu pai (citado pelo Rabino
Zelig Plinskin, na obra "Ama teu próximo").
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