Judeus da Venezuela - ed.57 - Página4

Mesmo antes de Hitler iniciar a guerra, tanto os judeus alemães quanto os da Europa Central, sentindo-se ameaçados, tentaram traçar planos de fuga. Várias embarcações, com judeus a bordo, à procura de um porto seguro, testariam inutilmente a compaixão mundial.

As portas do mundo lhes estavam fechadas. A Venezuela foi uma exceção quando, em 1939, acolheu os passageiros de duas embarcações, a "Koenigstein" e a "Caribia", provenientes da Alemanha. Após receber apelos do Comitê Pró-Refugiados de Caracas, o então presidente General Eleazar Lopes Contreras deu permissão aos judeus embarcados nos navios para permanecer no país.

A maior parte dos ashquenazim só aportou na Venezuela após a 2ª Guerra Mundial. Sobrevivendo à Shoá, fincaram raízes neste país, engrossando as fileiras de sua comunidade. Em 1950, fundaram a Unión Israelita de Caracas e ergueram, na cidade, a primeira sinagoga asquenazita da Venezuela.

Em 1950 eram 6 mil os judeus da Venezuela, sendo acrescidos, até 1960, de cerca de outros mil, que vieram do Egito, Hungria e Israel.

A comunidade cresceu ainda mais após a Guerra dos Seis Dias, em 1967, quando o país recebeu uma onda imigratória significativa do Marrocos e de outros países latino-americanos. Eram, na maioria, profissionais qualificados ou comerciantes e, como tal, muito bem recebidos pelo governo. Há estatísticas indicando que, entre 1960 e 1970, havia 30 mil judeus no país, enquanto dados mais conservadores estimam o número em 15 mil.

Atualidade

Na Venezuela, os judeus cresceram e prosperaram, criando associações sociais, culturais e esportivas e fundando escolas, sinagogas e centros comunitários. Rapidamente se integraram na sociedade local, enquadrando-se como classe média alta. Este quadro harmonioso, no entanto, modificou-se nas últimas décadas, após a recessão que assolou o país; mais acentuadamente, de fato, desde 1998, com a subida de Hugo Chávez ao poder.

Em termos econômicos, a comunidade judaica vem acompanhando a tendência de empobrecimento da sociedade venezuelana, em geral, e os outrora bem-remunerados profissionais vêem despencar o seu poder aquisitivo. A parcela judaica atendida pela assistência social comunitária também aumenta, a olhos vistos. Outro sinal de decadência foi o fechamentode uma das principais escolas da capital, no bairro judaico de São Bernardino.

Desde que Chávez assumiu o poder, a organização americana ADL, a Liga Anti-difamação, tem denunciado o crescente anti-semitismo local, em grande parte em decorrência da própria retórica presidencial e de seus partidários, à frente de importantes pastas e controlando a mídia governamental.

Decorrente da insegurança econômica e política, cresce o ritmo de emigração judaica.

Mesmo que os problemas econômicos sejam preocupantes, a emigração é hoje o principal desafio da comunidade. Segundo Pynchas Brenner, Rabino-chefe da Unión Israelita, há três cenários possíveis para o futuro judaico na Venezuela. Se Chávez continuar no poder por longo tempo e se mantiver a política atual, os judeus continuarão a emigrar a uma média de 2% a 3% ao ano; sem dúvida, uma tendência lenta, porém contínua. Se Chávez obtiver êxito com o que chama de "Revolução Bolivariana", bem ao estilo de Fidel Castro, e adotar políticas de extrema esquerda, 50% da comunidade deixará o país rapidamente. E o terceiro cenário: se Chávez deixar o poder, a vida comunitária será revigorada pelo retorno de 30 a 50% dos que tiverem partido. Somente o tempo dirá que perfil terá, na próxima década, esta comunidade, que já foi uma das mais bem sucedidas do continente latino-americano.

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N.85/setembro 2014
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