Rabi Yehudá HaNasi: Rabênu HaKadosh - ed.50 - Página3

O Rebi baseou-se na Mishná de Rabi Akiva, mas, enquanto este último organizou as leis segundo seus autores, o primeiro as dispôs por assunto. Separou as mishnayot em seis unidades. A inicial, Zeraim, trata basicamente das leis judaicas agrícolas e assuntos correlatos à época em que o povo judeu habitava a Terra de Israel. A segunda unidade, Moed, trata do Shabat, dias santificados, dias de jejum, bem como das demais datas de importância no calendário judaico. A terceira, Nashim, é uma compilação das leis referentes à vida familiar, os votos e os Naziritas. A quarta, Nezikim, praticamente se concentra nas leis do comércio, do relacionamento do homem com a comunidade em que se insere e do Sanhedrin. A quinta unidade, Kodshim, abrange os sacrifícios animais e as leis e práticas dietéticas judaicas; e, finalmente, a sexta, Taharot, relaciona-se às leis de "pureza familiar". O estilo da Mishná ilustra o domínio do Nasi em assuntos da língua hebraica. Ele amava a Língua Sagrada, buscando estabelecê-la como idioma falado por todos os judeus. Doía-lhe n'alma, saber que o povo de Israel falava uma mistura de idiomas. Em sua casa, no entanto, o hebraico reinava, absoluto.

Para se entender a magnitude da contribuição e influência do Rebi, faz-se necessário lembrar que a Mishná é a base da Torá Oral. A Guemará, freqüentemente chamada de "Talmud", comenta e elucida os ensinamentos da Mishná. Juntas, as duas obras formam a base da Lei Judaica e de suas práticas. Sem as mesmas, a Torá Escrita não pode ser entendida em seu real significado, não podendo, tampouco, ser cumpridas a maior parte de suas Leis. Ao editar a Mishná, Rabi Yehudá HaNasi estava assegurando a sobrevivência do judaísmo. Moshé Rabênu nos entregou a Torá, mas foram Rabênu HaKadosh e, antes dele, Rabi Akiva aqueles que tornaram possível que nosso povo jamais a esquecesse.

A vida do Rebi - sua liderança, seu cabedal de conhecimentos, suas qualidades pessoais e, sobretudo, suas contribuições ao judaísmo - foi tão extraordinária que Rav, um dos maiores Sábios do Talmud, fez-lhe um elogio inigualável: "Se o Mashiach se encontra entre os vivos, certamente é alguém como Rabênu HaKadosh" (Sanhedrin, 98b). Rashi, clássico comentarista da Torá, oferece duas explicações para esta afirmação talmúdica. Primeiro diz: "E disse Rav, 'Se o Mashiach está vivo em nossa geração, certamente é o Rabênu HaKadosh"; explicando, a seguir: "E disse Rav, 'O Mashiach será alguém como Rabênu HaKadosh". Diz o Talmud que homem algum - nem mesmo o próprio - sabe quem será o Mashiach. Mas, se alguém deseja saber que tipo de pessoa será, não é necessário buscar exemplo melhor do que o de Rabi Yehudá HaNasi.

Uma morte sobrenatural

Como vários outros tsadikim - homens justos - que o precederam e sucederam, o Rebi padeceu de terríveis dores físicas. Acredita-se que tenha feito grande parte da edição da Mishná em Beit Shearim - uma pequena cidade na Galiléia, mas, sabe-se que no final de sua vida se mudou para a cidade de Tzipori, motivado por problemas de saúde.

Aos 70 anos, após ter servido como Nasi durante mais de trinta, a saúde finalmente deixou seu corpo. Conta o Talmud que quando percebeu que estava prestes a morrer, o Rebi se pôs a chorar. Um de seus discípulos, Rabi Chiya, ao vê-lo soluçar, indagou: "Mestre, por que choras? Não nos ensinam que quando alguém morre em meio a muito pranto, aquilo é um mau presságio para a pessoa?" Respondeu-lhe o Rebi que ele não chorava por sua vida - nem pela riqueza nem tampouco pela posição de liderança que deixava atrás de si. "Choro, pelo contrário, por conta da Torá que não mais poderei estudar, bem como pelos mandamentos que não mais poderei cumprir...".

Relata o Talmud que, no dia em que morreu, os demais rabinos haviam decretado jejum geral em virtude de sua enfermidade, implorando pela Misericórdia Celestial. E alertaram para o fato de que "aquele que mencionar que o nosso Rebi faleceu, será trespassado por uma espada". E uma das razões para tão drásticas medidas foi assegurar que o Rebi seguisse com vida, pois seu mérito servia de escudo e proteção para toda aquela geração.

Anterior  1234  Próxima
N.69/setembro 2010
Clique acima e consulte as edições anteriores.

3 de setembro
24 Elul

horário
17:36

4 de setembro
25 Elul

horário
18:30