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O Rebi baseou-se na Mishná de Rabi Akiva, mas, enquanto este último
organizou as leis segundo seus autores, o primeiro as dispôs por assunto.
Separou as mishnayot em seis unidades. A inicial, Zeraim, trata basicamente
das leis judaicas agrícolas e assuntos correlatos à época em que o povo
judeu habitava a Terra de Israel. A segunda unidade, Moed, trata do
Shabat, dias santificados, dias de jejum, bem como das demais datas
de importância no calendário judaico. A terceira, Nashim, é uma compilação
das leis referentes à vida familiar, os votos e os Naziritas. A quarta,
Nezikim, praticamente se concentra nas leis do comércio, do relacionamento
do homem com a comunidade em que se insere e do Sanhedrin. A quinta
unidade, Kodshim, abrange os sacrifícios animais e as leis e
práticas dietéticas judaicas; e, finalmente, a sexta, Taharot,
relaciona-se às leis de "pureza familiar". O estilo da Mishná ilustra
o domínio do Nasi em assuntos da língua hebraica. Ele amava a Língua
Sagrada, buscando estabelecê-la como idioma falado por todos os judeus.
Doía-lhe n'alma, saber que o povo de Israel falava uma mistura de idiomas.
Em sua casa, no entanto, o hebraico reinava, absoluto.
Para se entender a magnitude da contribuição e influência do Rebi,
faz-se necessário lembrar que a Mishná é a base da Torá Oral.
A Guemará, freqüentemente chamada de "Talmud", comenta e elucida
os ensinamentos da Mishná. Juntas, as duas obras formam a base
da Lei Judaica e de suas práticas. Sem as mesmas, a Torá Escrita não
pode ser entendida em seu real significado, não podendo, tampouco, ser
cumpridas a maior parte de suas Leis. Ao editar a Mishná, Rabi
Yehudá HaNasi estava assegurando a sobrevivência do judaísmo. Moshé
Rabênu nos entregou a Torá, mas foram Rabênu HaKadosh e, antes
dele, Rabi Akiva aqueles que tornaram possível que nosso povo jamais
a esquecesse.
A vida do Rebi - sua liderança, seu cabedal de conhecimentos, suas
qualidades pessoais e, sobretudo, suas contribuições ao judaísmo - foi
tão extraordinária que Rav, um dos maiores Sábios do Talmud, fez-lhe
um elogio inigualável: "Se o Mashiach se encontra entre os vivos, certamente
é alguém como Rabênu HaKadosh" (Sanhedrin, 98b). Rashi, clássico
comentarista da Torá, oferece duas explicações para esta afirmação talmúdica.
Primeiro diz: "E disse Rav, 'Se o Mashiach está vivo em nossa
geração, certamente é o Rabênu HaKadosh"; explicando, a seguir:
"E disse Rav, 'O Mashiach será alguém como Rabênu HaKadosh".
Diz o Talmud que homem algum - nem mesmo o próprio - sabe quem será
o Mashiach. Mas, se alguém deseja saber que tipo de pessoa será,
não é necessário buscar exemplo melhor do que o de Rabi Yehudá HaNasi.
Uma morte sobrenatural
Como vários outros tsadikim - homens justos - que o precederam
e sucederam, o Rebi padeceu de terríveis dores físicas. Acredita-se
que tenha feito grande parte da edição da Mishná em Beit Shearim
- uma pequena cidade na Galiléia, mas, sabe-se que no final de sua vida
se mudou para a cidade de Tzipori, motivado por problemas de saúde.
Aos 70 anos, após ter servido como Nasi durante mais de trinta, a saúde
finalmente deixou seu corpo. Conta o Talmud que quando percebeu que
estava prestes a morrer, o Rebi se pôs a chorar. Um de seus discípulos,
Rabi Chiya, ao vê-lo soluçar, indagou: "Mestre, por que choras? Não
nos ensinam que quando alguém morre em meio a muito pranto, aquilo é
um mau presságio para a pessoa?" Respondeu-lhe o Rebi que ele não chorava
por sua vida - nem pela riqueza nem tampouco pela posição de liderança
que deixava atrás de si. "Choro, pelo contrário, por conta da Torá que
não mais poderei estudar, bem como pelos mandamentos que não mais poderei
cumprir...".
Relata o Talmud que, no dia em que morreu, os demais rabinos haviam
decretado jejum geral em virtude de sua enfermidade, implorando pela
Misericórdia Celestial. E alertaram para o fato de que "aquele que mencionar
que o nosso Rebi faleceu, será trespassado por uma espada". E uma das
razões para tão drásticas medidas foi assegurar que o Rebi seguisse
com vida, pois seu mérito servia de escudo e proteção para toda aquela
geração.
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