Rabi Yehudá HaNasi: Rabênu HaKadosh - ed.50 - Página1

NOSSOS SÁBIOS:

Rabi Yehudá HaNasi: Rabênu HaKadosh
por Tev Djmal



Foto Ilustrativa


Edição 50 - setembro de 2005

Rabi Yehudá HaNasi, um dos maiores Sábios na história de nosso povo, foi o responsável pela compilação da Mishná, o resumo transcrito da Torá Oral, que D'us transmitiu a Moisés no Monte Sinai. Esta obra sagrada, veículo para a Revelação Divina em nada inferior à Torá Escrita, forma a base do Talmud.

Rabi Yehudá é uma das personalidades mais veneradas na história do povo judeu, e o fato de lhe ter sido aposto, para a perpetuidade, o título de HaNasi - literalmente, o Príncipe, mas interpretado como o Líder de Israel - serve de atestado de sua singularidade.No Talmud, via de regra, ele é mencionado como Rebi - simplesmente "o Rabino" - como que a indicar que, enquanto Rabino, sua grandeza era incomparável. Seus contemporâneos estavam convencidos de que, desde os dias de Moisés, nenhum outro homem mais sagrado do que ele pisara na Terra. Por essa razão, atribuíram-lhe outro apelativo, que permanece em uso até hoje: Rabênu HaKadosh, nosso Mestre Sagrado.

Rabi Yehudá HaNasi era filho de Raban Shimon ben Gamliel II, à época, o Nasi - líder da comunidade judaica em Israel. Após o falecimento do pai, ele, o filho, foi nomeado seu sucessor. O pai do Rebi o preparou muito bem para a responsabilidade que, um dia, teria que assumir. Teve os melhores tutores e estudou a Torá com vários de nossos maiores Sábios. Desde pequeno, já revelava inúmeros talentos e uma natural curiosidade, com grande capacidade para aprender e assimilar os conhecimentos que lhe eram transmitidos. Em sua juventude, o Rebi estudou com o pai e, posteriormente, freqüentou as academias de Rabi Yehudá bar Ilai e Rabi Elazar ben Shamua. Foi, também, discípulo de Rabi Shimon Bar Yochai, autor do Zohar, o Livro do Esplendor.

Similarmente aos líderes de Israel que o precederam, Rabi Yehudá HaNasi dedicou parte de seu tempo para estudar ciências naturais, especialmente a astronomia, pois era responsabilidade do Nasi determinar a data do início dos novos meses e dos dias santificados. Estudou, também, a natureza das plantas e animais no que concernia às leis dietéticas e agrícolas ditadas pela Torá.

Além de ser o Nasi e o erudito supremo de sua geração em questões da Torá, o Rebi era extremamente rico, com uma riqueza comparável a dos governantes romanos. Dizia-se, talvez metaforicamente, que seus estábulos continham mais ouro do que havia nos cômodos onde o Rei da Pérsia guardava seu tesouro. Em virtude de sua posição proeminente como líder do povo judeu e de se relacionar com a realeza romana, era obrigado a manter uma corte condizente com a situação de um príncipe. No entanto, utilizava uma ínfima parte de suas posses para uso pessoal. Ao invés disso, doava consideráveis somas para fins de tsedacá, como a manutenção de estudiosos da Torá e o alimento dos pobres. Certa época, em que uma grande fome grassou por toda a Terra de Israel, o Rebi abriu seus depósitos para distribuir cereais e grãos aos destituídos.

Por ser descendente de Hillel e do Rei David, Rabi Yehudá HaNasi recebeu as maiores honrarias. Os judeus o reverenciavam; era seu líder de facto e de juri e sua palavra tinha mais peso do que a de todos os membros da Corte Suprema Judaica, o Sanhedrin, juntos. Sua geração foi unânime em venerar sua santidade. Quando um dos Sábios do Talmud, o Rabi Shimon ben Menasia, enumerou as sete virtudes que cabiam aos justos, afirmou, de imediato, que o Rebi e seus familiares personificavam-nas todas: beleza, honra, sabedoria, uma barba máscula e dignificante, idade madura e filhos bem sucedidos. Os Sábios de um período mais tardio afirmaram que o profeta Eliahu costumava fazer parte do círculo de discípulos de Rabi Yehudá HaNasi apenas para ouvir sua forma sublime de ensinar a Torá.

A despeito de seu grande sucesso, o Rabênu HaKadosh nunca demonstrou o menor sinal de orgulho. Era voz corrente que nenhum dos Sábios reconhecia tão prontamente o valor dos demais colegas, como ele. Seus contemporâneos viam-no como a personificação da humildade, a exemplo do que fora Moshé Rabênu, o homem mais humilde que existiu neste mundo. Mas, apesar de nunca insistir em suas prerrogativas pessoais, o Rebi reconhecia que seu povo, à época no exílio ou sob ocupação, precisava de líderes de pulso para zelar pela preservação da Torá e organizar a vida comunal judaica. Sob sua liderança e graças a um empenho inabalável, o ofício de Nasi exercia grande autoridade: seus pronunciamentos eram considerados lei e suas decisões, inquestionáveis.

Contudo, apesar de seu poder e riqueza, entregava-se totalmente a servir o povo judeu e a aprender e transmitir os ensinamentos da Lei. Pouco antes de sua morte, ergueu as mãos espalmadas aos Céus, clamando: "Senhor do Universo, Tu és testemunha e sabes que empenhei toda a força de meus dez dedos no estudo da Torá, mas dos prazeres mundanos não usufruí nem o mínimo esforço de um de meus dedos mindinhos". Referindo-se à sua grandeza d'alma, os Sábios do Talmud registraram que na história de nosso povo só houve dois homens que tivessem sido, a um só tempo, líderes do povo e os maiores conhecedores da Torá. Um, como se sabe, Moshé Rabênu e, o outro, Rabênu HaKadosh.

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