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Rabi Yehudá é uma das personalidades mais veneradas na história do
povo judeu, e o fato de lhe ter sido aposto, para a perpetuidade, o
título de HaNasi - literalmente, o Príncipe, mas interpretado como o
Líder de Israel - serve de atestado de sua singularidade.No Talmud,
via de regra, ele é mencionado como Rebi - simplesmente "o Rabino" -
como que a indicar que, enquanto Rabino, sua grandeza era incomparável.
Seus contemporâneos estavam convencidos de que, desde os dias de Moisés,
nenhum outro homem mais sagrado do que ele pisara na Terra. Por essa
razão, atribuíram-lhe outro apelativo, que permanece em uso até hoje:
Rabênu HaKadosh, nosso Mestre Sagrado.
Rabi Yehudá HaNasi era filho de Raban Shimon ben Gamliel II, à época,
o Nasi - líder da comunidade judaica em Israel. Após o falecimento do
pai, ele, o filho, foi nomeado seu sucessor. O pai do Rebi o preparou
muito bem para a responsabilidade que, um dia, teria que assumir. Teve
os melhores tutores e estudou a Torá com vários de nossos maiores Sábios.
Desde pequeno, já revelava inúmeros talentos e uma natural curiosidade,
com grande capacidade para aprender e assimilar os conhecimentos que
lhe eram transmitidos. Em sua juventude, o Rebi estudou com o pai e,
posteriormente, freqüentou as academias de Rabi Yehudá bar Ilai e Rabi
Elazar ben Shamua. Foi, também, discípulo de Rabi Shimon Bar Yochai,
autor do Zohar, o Livro do Esplendor.
Similarmente aos líderes de Israel que o precederam, Rabi Yehudá HaNasi
dedicou parte de seu tempo para estudar ciências naturais, especialmente
a astronomia, pois era responsabilidade do Nasi determinar a data do
início dos novos meses e dos dias santificados. Estudou, também, a natureza
das plantas e animais no que concernia às leis dietéticas e agrícolas
ditadas pela Torá.
Além de ser o Nasi e o erudito supremo de sua geração em questões da
Torá, o Rebi era extremamente rico, com uma riqueza comparável a dos
governantes romanos. Dizia-se, talvez metaforicamente, que seus estábulos
continham mais ouro do que havia nos cômodos onde o Rei da Pérsia guardava
seu tesouro. Em virtude de sua posição proeminente como líder do povo
judeu e de se relacionar com a realeza romana, era obrigado a manter
uma corte condizente com a situação de um príncipe. No entanto, utilizava
uma ínfima parte de suas posses para uso pessoal. Ao invés disso, doava
consideráveis somas para fins de tsedacá, como a manutenção de estudiosos
da Torá e o alimento dos pobres. Certa época, em que uma grande fome
grassou por toda a Terra de Israel, o Rebi abriu seus depósitos para
distribuir cereais e grãos aos destituídos.
Por ser descendente de Hillel e do Rei David, Rabi Yehudá HaNasi recebeu
as maiores honrarias. Os judeus o reverenciavam; era seu líder de facto
e de juri e sua palavra tinha mais peso do que a de todos os membros
da Corte Suprema Judaica, o Sanhedrin, juntos. Sua geração foi
unânime em venerar sua santidade. Quando um dos Sábios do Talmud, o
Rabi Shimon ben Menasia, enumerou as sete virtudes que cabiam aos justos,
afirmou, de imediato, que o Rebi e seus familiares personificavam-nas
todas: beleza, honra, sabedoria, uma barba máscula e dignificante, idade
madura e filhos bem sucedidos. Os Sábios de um período mais tardio afirmaram
que o profeta Eliahu costumava fazer parte do círculo de discípulos
de Rabi Yehudá HaNasi apenas para ouvir sua forma sublime de ensinar
a Torá.
A despeito de seu grande sucesso, o Rabênu HaKadosh nunca demonstrou
o menor sinal de orgulho. Era voz corrente que nenhum dos Sábios reconhecia
tão prontamente o valor dos demais colegas, como ele. Seus contemporâneos
viam-no como a personificação da humildade, a exemplo do que fora Moshé
Rabênu, o homem mais humilde que existiu neste mundo. Mas, apesar
de nunca insistir em suas prerrogativas pessoais, o Rebi reconhecia
que seu povo, à época no exílio ou sob ocupação, precisava de líderes
de pulso para zelar pela preservação da Torá e organizar a vida comunal
judaica. Sob sua liderança e graças a um empenho inabalável, o ofício
de Nasi exercia grande autoridade: seus pronunciamentos eram considerados
lei e suas decisões, inquestionáveis.
Contudo, apesar de seu poder e riqueza, entregava-se totalmente a servir
o povo judeu e a aprender e transmitir os ensinamentos da Lei. Pouco
antes de sua morte, ergueu as mãos espalmadas aos Céus, clamando: "Senhor
do Universo, Tu és testemunha e sabes que empenhei toda a força de meus
dez dedos no estudo da Torá, mas dos prazeres mundanos não usufruí nem
o mínimo esforço de um de meus dedos mindinhos". Referindo-se à sua
grandeza d'alma, os Sábios do Talmud registraram que na história de
nosso povo só houve dois homens que tivessem sido, a um só tempo, líderes
do povo e os maiores conhecedores da Torá. Um, como se sabe, Moshé
Rabênu e, o outro, Rabênu HaKadosh.
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