Os judeus da Hungria - ed.50 - Página1

HISTÓRIA DAS COMUNIDADES
Os judeus da Hungria no século XX


Foto Ilustrativa

Edição 50 - setembro de 2005

O século XX foi um período de grande sofrimento para os judeus húngaros. Foram a última grande comunidade a ser deportada e exterminada pela Solução Final de Hitler. No final da guerra, quem conseguiu sobreviver, por pura obra do destino, acreditava que o pesadelo chegara ao fim. no entanto, sobre eles se fechou a Cortina de Ferro, por outras tantas décadas. Hoje são a maior comunidade judaica da Europa Central.

Na aurora do novo século, a comunidade judaica da Hungria ainda vivia a ilusão de um futuro tranqüilo e próspero, a despeito dos sinais de que o anti-semitismo tomava proporções perigosas. Viviam um processo célere e cada vez mais intenso de assimilação e aculturação, participando ativamente da vida sócio-econômica e cultural da nação. Esse crescente envolvimento desagradava intensamente as elites magiares. Theodor Herzl, nascido em Budapeste, ciente do anti-semitismo latente no país, já em 1903 expressava sua preocupação: "A mão do destino também se fechará sobre o judaísmo húngaro. Quanto mais tarde isto acontecer e quanto mais forte a comunidade se tornar, mais cruel e mais duro será o golpe, que será desferido com monstruosa selvageria. Não haverá escapatória". Mas, como nos mostrou a história, lamentavelmente, suas palavras não foram levadas a sério.

Na 1ª Guerra Mundial, como parte do Império Austro-húngaro, a Hungria estivera do lado das derrotadas Potências Centrais. A guerra teve profundas conseqüências políticas e econômicas; enormes extensões territoriais mudaram de nome e bandeira. A Hungria foi o país mais prejudicado nos tratados de paz, perdendo 66% de seu território e mais de metade de sua população. As minorias étnicas não-magiares das províncias periféricas passaram a fazer parte dos países recém-criados. Conseqüentemente, houve uma séria queda no número de judeus sob soberania húngara, indo de 850 mil, em 1910, para 437 mil, em 1920. Em sua maioria, viviam na Grande Budapeste.

Durante a guerra, foi significativa a presença de jovens judeus nas Forças Armadas, tendo um judeu sido indicado para o Ministério da Guerra. Esses fatos, no entanto, não amenizaram o latente ressentimento popular antijudaico. Com o final da guerra, o Império Austro-húngaro se desmoronou e uma extrema direita nacionalista, oriunda da nobreza, tomou o poder. Esta facção rancorosa, revoltada com o desfecho da guerra, buscava um bode expiatório. A escolha era fácil, pois já estava 'pronta'. A comunidade judaica, no entanto, tão integrada na sociedade húngara, não quis acreditar que pudesse ser atingida.

O período entre as duas guerras

Em novembro de 1918, a Hungria foi proclamada república independente. Mas, meses depois, em 1919, era deposta a coalizão governamental, assumindo, em seu lugar, a extrema esquerda comunista, liderada por Bela Kun. Entre as lideranças do movimento, figuravam inúmeros judeus, inclusive o próprio Kun. Desencadeia-se uma onda de "terror vermelho" e, após cinco meses de violência, o governo é derrubado por uma coalizão conservadora nacionalista. De imediato instala-se no país um regime autoritário, assumindo o governo o almirante Miklos Horthy, que ficaria 24 anos à frente do país. No mesmo momento, os comunistas e os judeus se tornam alvo do "terror branco". Três mil judeus foram mortos e, assaltados pelo pânico, cerca de sete mil optaram pelo batismo ao catolicismo.

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