Israel e Índia, parceria em crescimento - ed.48 - Página1

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Israel e Índia, parceria em crescimento
por Jaime Spitzcovsky


Foto Ilustrativa

Edição 48 - abril de 2005
Após décadas de relacionamento difícil e distante, dois países mergulharam numa aproximação que fortalece os laços bilaterais a cada dia. Israel e Índia constroem uma parceria baseada em valores políticos, como democracia, em interesses econômicos e comerciais e na ameaça representada por um inimigo comum: o terrorismo.

Civilizações milenares, os dois países emergiram como Estados modernos praticamente ao mesmo tempo, quando se livraram do colonialismo britânico. A Índia ganhou sua independência em agosto de 1947 e Israel, em maio de 1948. O governo indiano reconheceu o Estado judeu em 1950, mas relações diplomáticas plenas só vieram em 1992, depois de quatro décadas marcadas por um relacionamento espinhoso.

A Índia, em seus primeiros anos pós-independência e sob o comando do então primeiro-ministro Nehru, despontou como líder e fundador do chamado Movimento dos Países Não-Alinhados. O bloco, apoiado na idéia do "terceiro-mundismo", se apresentava como bastião de combate ao "neocolonialismo". No cenário bipolar da Guerra Fria, o grupo, que incluía nações como Egito, Indonésia e Iugoslávia, acabava atuando como linha auxiliar da União Soviética na disputa pela hegemonia global com os Estados Unidos.

Nehru e o seu Partido do Congresso transformaram a Índia numa das principais trincheiras de apoio a organizações palestinas. O alinhamento tinha, além do aspecto ideológico, outros elementos. O governo indiano, sempre perseguido pela rivalidade regional com o Paquistão, buscava apoiar movimentos árabes justamente na tentativa de minar o apoio ao inimigo paquistanês no mundo muçulmano. Outros fatores para explicar a opção de Nehru eram de natureza econômica: a Índia desejava proteger o fornecimento de petróleo árabe e também se esforçava para garantir a permanência de cidadãos indianos trabalhando nos países do Golfo Pérsico, que ainda representam importante fonte de remessa de moeda forte para a economia da Índia. Hoje, estima-se que três milhões de indianos trabalhem em nações como Bahrein e Emirados Árabes Unidos.

Essa política levou a Índia, por exemplo, a ser um dos primeiros países não-árabes a permitir a abertura de uma embaixada palestina em sua capital, Nova Déli. Yasser Arafat costumava receber pomposas recepções de Chefe de Estado ao desembarcar em solo indiano. Os salamaleques incluíam muitas vezes desfiles militares, recheados de armamento fornecido pela União Soviética, o poderoso patrocinador daqueles tempos.

O colapso soviético provocou fortes movimentos tectônicos, sentidos também na Índia. Terminada a Guerra Fria, Nova Déli começou a promover mudanças para se adaptar à nova realidade da geopolítica internacional. Iniciou um processo de abertura econômica, para se livrar das décadas de heranças de planejamento e engessamento socialista. No plano internacional, percebeu ser necessário reavaliar alianças. Enxergou na China, inimigo histórico, uma ameaça crescente e uma preocupação que aproximava Nova Déli de Washington. Com medo do crescimento chinês, norte-americanos e indianos passaram a flertar, deixando para trás as diferenças de anos passados.

No contexto de remodelagem das alianças, a Índia estabeleceu relações diplomáticas com Israel em 1992. Começava assim um novo capítulo na história das relações bilaterais, já marcadas por uma antiga presença judaica em solo indiano. Avalia-se que a comunidade hoje reúna 6 mil integrantes e que, entre os anos 50 e 70, mais de 25 mil judeus da Índia mudaram-se para Israel.

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