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Shula Cohen nasceu na Argentina, em 1920, e aos 7 anos emigrou para
Eretz Israel com sua família. Sua vida começou a mudar quando, aos 16
anos, encontrou Joseph Kishik Cohen, um próspero comerciante judeu libanês
que fora a Jerusalém especialmente para conhecê-la. Foi um casamento
"arranjado", como era costume, à época. A cerimônia se realizou em Beirute,
onde Joseph vivia com sua família.
O casal foi morar no bairro judeu de Wadi Abu Jamil e teve sete filhos.
Joseph era um bom marido, mas, embora tivesse uma vida feliz, Shula
sentia um vazio dentro dela; buscava envolver-se mais concretamente
com seu povo.
Esse envolvimento com a causa sionista começou casualmente, em 1944,
quando ela passou a freqüentar o movimento juvenil Macabi Hatzair. Sua
função era transmitir aos jovens, por meio de músicas, histórias e jogos,
as experiências de sua infância em Jerusalém, incutindo neles o amor
por Israel. No dia da votação nas Nações Unidas para a Partilha da então
Palestina, em 29 de novembro de 1947, que levaria à criação do Estado
de Israel, a polícia cercou o bairro judeu para controlar as manifestações
e evitar hostilidades contra os judeus.
Shula passava o dia em casa ouvindo pelo rádio notícias da luta que
acontecia em Israel. As informações eram alarmantes: parecia inevitável
uma guerra entre o recém-criado Estado e a Liga Árabe. No Líbano, o
representante da Liga recrutava voluntários para lutar no Exército de
Libertação Árabe, que invadiria o novo país assim que fosse declarada
sua independência. A fronteira do Líbano se tornaria - assim como ocorrera
em 1936-39 - uma base para ataques militares contra Israel.
Preocupada com a sua família, que vivia em Jerusalém, e com a sorte
do recém-criado Estado, Shula procurava uma forma de ajudar. Na época,
tinha 24 anos. A oportunidade surgiu um dia, quando, estando na loja
do marido, ouviu de um vendedor libanês, recém-chegado do sul do país,
importantes informações. Ele falava sobre voluntários que estavam sendo
recrutados e treinados para lutar contra Israel e sobre possíveis instalações
militares e movimentações de tropas árabes que se preparavam para atacar
o novo país.
Shula não teve dúvida. As informações precisavam chegar até Israel.
Convenceu o marido a ajudá-la. Este pediu a um de seus vendedores, que
vivia em um vilarejo na fronteira com Israel, que levasse uma carta
até o kibutz mais próximo, alegando ser para os pais da esposa. Na carta,
Shula colocara todas as informações, na certeza de que, de alguma forma,
estas chegariam às pessoas certas.
Decidida a Partilha, explodiram por todo o Oriente Médio manifestações
contra os judeus. O clima de relativa tolerância e liberdade que havia
no Líbano fez afluírem a este país milhares de refugiados judeus exilados
da Síria e do Iraque. Shula e dois grandes líderes comunitários, o advogado
Albert Elia e o médico Dr. Attié, foram os responsáveis pela criação
de uma rota de fuga para transferir, clandestinamente, os refugiados
para Israel.
Com o tempo, essa mulher destemida conseguiu penetrar nos mais altos
círculos do poder, circulando entre presidentes, diplomatas e militares
com a mesma naturalidade com que o fazia no submundo, povoado por perigosos
bandidos, contrabandistas e ladrões.
Sob o codinome "a Pérola", Shula se tornou uma das principais agentes
israelenses no Líbano. Sua história é a de uma mulher que não hesitou
em arriscar a vida de seu marido e filhos, além da sua, em prol de seu
povo.
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