A magia de Eilat - ed.47 - Página1

Israel
A magia de Eilat


Formações de corais próximas a Eilat

Edição 47 - dezembro de 2004

Ao final do deserto do Neguev, no extremo sul de Israel, está um dos principais balneários do país. Mesclando a magia do deserto e os mistérios do mar, Eilat atrai turistas principalmente durante os meses do inverno no hemisfério norte, quando as baixas temperaturas, a neve e os ventos gelados levam especialmente os europeus a buscarem opções mais quentes.

Com cerca de 20 mil habitantes e uma temperatura média de 21º - no período que vai de dezembro a março, o inverno israelense - mais a sua proximidade com a Europa, Eilat se consagrou como um atraente centro de esportes aquáticos e também radicais, como safáris nos desertos, escaladas e caminhadas em trilhas, entre outros.

O que pouca gente sabe, no entanto, é que Eilat é também um dos melhores locais do mundo para a observação de pássaros. O Centro Internacional de Observação de Pássaros está instalado na região. Dizem os estudiosos do tema que aproximadamente um bilhão de aves atravessa a área entre a costa mediterrânea e as montanhas da Jordânia, transformando o extremo sul de Israel em um dos lugares de maior concentração de aves migratórias do mundo.

A história de Eilat, porém, não começou com sua fundação em 1950, pouco depois da independência de Israel, em 1948. A região onde se localiza está mencionada na Torá, como mostra o texto "...eles partiram de Ebroná e acamparam em Ezion-Geber..." (Números, 33:35). Assim a história dos judeus na região então denominada Ezion-Geber começou quando, há aproximadamente 3.300 anos, os Filhos de Israel vagueavam pelo Deserto do Sinai e chegaram a esse local. Foi durante o reinado de Salomão que a importância da área, como porto comercial estratégico, tornou-se conhecida. A Torá relata os fatos: "... e o rei Salomão fez uma frota de navios em Ezion-Geber, que está ao lado de Elot, na costa do Mar Vermelho, na terra de Edom" (Reis I, 9:26). A estratégica importância do local, porto de entrada para a África e para o Extremo Oriente, tornou-se imediatamente evidente para Salomão.

O porto de Ezion-Geber continuou a prosperar durante o período do Reino de Judá. O rei Jehoshaphat, por exemplo, preparou uma expedição para a legendária Ofir em busca de ouro: "... mas eles não foram; pois os navios estavam quebrados em Ezion-Geber" (Reis I,22:48). Restos desses navios foram encontrados pelo arqueólogo norte-americano Nelson Glueck, além de galpões nos quais eram armazenados os produtos que seriam carregados e as mercadorias entrantes. Tais descobertas foram fundamentais para confirmar a existência dessas antigas embarcações datadas do período do Reino de Judá.

Motivo de uma longa disputa de terras entre os Filhos de Israel e o povo de Edom, Eilat passou de um domínio para outro através dos séculos: depois dos edomitas vieram os nabateus; os egípcios a chamavam de Berenice. Depois foi a vez dos gregos e dos romanos - que a chamaram de Aila e, em seguida, dos cruzados, que fortificaram o porto e construíram uma fortaleza na Ilha dos Corais. Durante os quatro séculos em que os turcos ocuparam a região, a cidade perdeu sua identidade e até seu nome, caindo no esquecimento. Durante o período do Mandato Britânico, Eilat funcionava apenas como um posto policial chamado Umm Rash Rash. Seus únicos habitantes eram alguns poucos soldados jordanianos. Durante a Guerra da Independência, em março de 1949, forças israelenses encabeçaram a Operação Uvda, conquistando o povoado. Eles chegaram tão rapidamente e sem disparar tiro algum que somente no último momento perceberam a falta de uma bandeira de Israel para hastear, marcando a vitória. Assim, um soldado pegou uma folha de papel em branco e desenhou com uma caneta azul o símbolo da bandeira israelense - a Estrela de David. A foto desse momento histórico faz parte do acervo oficial do governo.

A cidade deixou então de se chamar Umm Rash Rash para se tornar Eilat. Sua localização estratégica, com saída para o Mar Vermelho, é fundamental para Israel, justificando sua conquista. Ao norte do Golfo de Ácaba está a Jordânia e o seu porto encontra-se a apenas cinco quilômetros a leste de Eilat. Na região mais oriental da costa está a Arábia Saudita, a aproximadamente sete quilômetros ao sul de Ácaba; e, na faixa mais ao sul, Eilat faz fronteira com o Egito. Ou seja, cercada de países árabes por todos os lados, Israel precisava controlar uma saída para o mar.

 

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