Rabi Meir, Ba'al Ha-Ness - ed.47 - Página1

NOSSOS SÁBIOS
Rabi Meir, Ba'al Ha-Ness: o Mestre dos Milagres
por Tev Djmal


Foto Ilustrativa


Edição 47 - dezembro de 2004

"Eloka d'Meir, Aneni" (Ó D'us de Meir, atende-me!)

Um dos ensinamentos judaicos sustentados por nossos sábios e místicos conta que a alma de Rabi Meir intercede em favor daqueles que contribuem para o sustento dos nossos irmãos menos favorecidos e dos que dedicam a vida ao estudo da Torá, em Israel. Se uma pessoa promete um donativo a alguma obra beneficente, na Terra Santa, entre as várias que levam o nome de Rabi Meir, e clama a invocação "Eloka d'Meir, Aneni" - Ó D'us de Meir, atende-me! - esta pessoa é merecedora de ter suas preces atendidas pelo Todo-Poderoso.

Os judeus de todas as partes do mundo, especialmente em momentos de desespero, voltam-se ao Rabi Meir em busca de salvação. Alguns podem nem saber exatamente quem ele foi, onde viveu ou mesmo onde ensinou. Mas sabem que ele é o Grande Rabi Meir, Ba'al Ha-Ness, O Mestre dos Milagres - e que é um poderoso defensor a interceder pelas causas dos homens perante a Corte Celestial.

O Talmud conta a passagem de como Rabi Meir adquiriu esse título e a reputação de operar milagres. Sua mulher, Berúria, tinha uma irmã que, como punição por ser filha de um grande sábio em Torá, foi condenada pelos romanos a ser encerrada em uma casa de prostituição, na Antioquia. Berúria implorou ao marido, Meir, que intercedesse em favor da irmã. Acendendo ao pedido, o grande sábio empreendeu viagem até a casa de maus costumes, oferecendo ao guarda uma medida de ouro para libertar sua cunhada. Disse ao guarda que guardasse para si a metade do ouro, usando o restante para subornar quem quer que se apercebesse da soltura da prisioneira judia. Mas o guarda recusou, dizendo a Rabi Meir que o dinheiro acabaria sendo gasto e ele não teria como aliciar guarda romano algum. O grande sábio assegurou-lhe que não tinha o que temer. Se, em algum momento, se visse em perigo, bastava invocar "Ó D'us de Meir, atende-me!", e seria salvo. Mas não conseguiu convencê-lo. Para comprovar o que dizia, Rabi Meir começou a provocar os cães ferozes que rondavam o bordel. Quando os violentos animais arremeteram contra ele, para destroçá-lo, o sábio exclamou - "Ó D'us de Meir, atende-me!" - e os cães, de imediato, deixaram-no em paz. O guarda, percebendo que podia confiar naquele operador de milagres, aceitou o suborno.

Mas a história não terminou aí. Conforme instruído, o guarda aliciou os superiores, mas, como previra, o dinheiro acabou. A notícia da soltura da moça judia se tornou pública e ele foi condenado à morte. Quando estava para ser enforcado, suplicou: "Ó D'us de Meir, atende-me!", e, milagrosamente, a execução não se consumou pois a corda se rompeu. Os romanos, atônitos, perguntaram-lhe que encantamento era aquele que, após tê-lo pronunciado, conseguira salvá-lo. Ele, então, contou-lhes sobre o tal judeu, operador de milagres. Roma, a seguir, lançou uma caçada maciça em todo o território de Israel para capturar Rabi Meir. Mas o Ba'al Haness os despistou e conseguiu fugir para a Babilônia. Há uma história que conta que ele teria fugido das garras malignas de Roma através de outro milagreiro, conhecido por salvar os judeus da aflição - Eliyahu Ha-Navi, o profeta Eliahu. Desde então - e lá se vão quase dois milênios desde sua morte física - Rabi Meir tem sido invocado vezes sem fim para socorrer os que por ele clamam. Sempre que um judeu se encontra num aperto, recomenda-se que faça uma doação a uma das instituições de caridade em Israel que levam o nome de Rabi Meir Ba'al Ha-Ness. Isto feito, deve clamar "Eloka d'Meir, Aneni" - e pode contar que o Mestre dos Milagres há de interceder perante D'us, rogando ao Todo-Poderoso que o alivie de seu sofrimento.

O Iluminador

Nós, judeus, invocamos o Rabi Meir como se o conhecêssemos, como se fosse um Tzadik que recém tivesse deixado a Terra. Contudo, ele continua sendo um enigma mesmo para os eruditos em Torá que, cuidadosamente, ponderam sobre cada uma de suas palavras. Pouco se sabe acerca de sua origem e, menos ainda, de sua família. Segundo o Talmud, ele descendia de Nero, o desequilibrado imperador romano, conhecido por ter incendiado Roma e que, ainda segundo o Talmud, se teria convertido ao judaísmo.

A vida do Ba'al Ha-Ness foi tão encoberta em mistério que nem seu verdadeiro nome sabe-se ao certo. Alguns acreditam que não fosse Meir, mas Nehorai, e que ele era chamado de Meir, que significa "aquele que irradia luz", pois iluminava a visão e o pensamento dos estudiosos judeus com o que ensinava sobre a Torá. Esta divergência, no entanto, não nos deve preocupar, pois em aramaico, Nehorai significa exatamente o mesmo que Meir, em hebraico.

Mas o que se sabe ao certo sobre o Rabi é que, além de operar milagres, sempre foi e continua a ser um dos pilares do judaísmo. Teve um papel tão primordial no ensino da Lei Divina a ponto de a Mishná - núcleo da Torá Oral - conter mais de 300 leis que levam seu nome. Ainda mais notório é o fato de ter sido ele o autor da maioria das leis da Mishná que são tidas como anônimas, por não terem sido atribuídas a nenhum sábio em particular. O Mestre dos Milagres sozinho decidiu emergir nas águas profundas da Lei Judaica e, com efeito, foi essa profundeza a fonte de seus poderes sobrenaturais. Costumava dizer que o estudo da Torá, a reverência a D'us e a prática de Seus Mandamentos eram os principais objetivos pelos quais devia batalhar o judeu. O nome de Rabi Meir, seus ensinamentos e as histórias extraordinárias sobre sua pessoa aparecem constantemente no Talmud Babilônico e no Talmud de Jerusalém, no Midrash, na Sifrá e no Sifri.

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