Eleição norte-americana - ed.46 - Página1

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Eleição norte-americana
por Jaime Spitzcovsky


Foto Ilustrativa

"Qualquer que seja o resultado das eleições em novembro, no dia 20 de janeiro do próximo ano, Israel terá um amigo no Salão Oval da Casa Branca".Tal previsão sobre o futuro presidente norte-americano partiu do senador democrata Joseph Lieberman, que, com esta frase, reconhece que o adversário George W. Bush se notabilizou como aliado ferrenho do Estado judeu. Lieberman busca também jogar luzes sobre as credenciais do "correligionário" e candidato John Kerry, mobilizado em se apresentar como um aliado importante de Israel.


Edição 46 - setembro de 2004

Alguns líderes da comunidade judaica norte-americana chegaram a descrever a disputa eleitoral, no que se refere a relações entre Washington e Jerusalém, como um cenário "de resultado positivo garantido". Destacam, de um lado, a sólida aliança da administração Bush com o Estado judeu e com o primeiro-ministro Ariel Sharon. De outro, mencionam o índice de "100% de votos pró-Israel" de John Kerry nos seus quase vinte anos de atuação como senador.

O candidato democrata, no entanto, deslanchou uma ofensiva nos últimos meses para dissipar dúvidas sobre suas posições em relação ao conflito israelo-palestino. Em 2003, Kerry chegou a criticar o projeto da barreira de segurança que Israel constrói para se proteger de terroristas provenientes da Cisjordânia. Também despertou preocupações ao sugerir que poderia nomear como enviado especial ao Oriente Médio o ex-secretário de Estado James Baker, ou o ex-presidente Jimmy Carter, tidos como "críticos em relação a Israel".

Neste ano, o democrata se esforça para mostrar apoio intenso a Israel. Defende enfaticamente a construção da barreira de segurança, descrevendo-a como "uma resposta legítima ao terror". Kerry também sustenta que a paz no Oriente Médio será viável "apenas se a participação dos EUA no processo for ativa, constante e nos níveis mais elevados". Sobre enviados especiais à região em conflito, a lista dos democratas passou a priorizar nomes como o do ex-presidente Bill Clinton e de seus ex-assessores Samuel Berger e Dennis Ross. Indicações polêmicas, como James Baker e Jimmy Carter, foram deixadas de lado.

A campanha democrata também recorre ao envolvimento afetivo e pessoal de Kerry com o judaísmo. Se eleito, o democrata será o primeiro presidente norte-americano com uma herança judaica, pois seus avós paternos eram judeus tchecos que se converteram ao catolicismo pouco antes de emigrar para os EUA, no começo do século passado. Pelo menos dois parentes do senador morreram no Holocausto.

O vínculo se estabelece também no presente. Cameron Kerry, irmão de John, converteu-se ao judaísmo vinte anos atrás. Um dos conselheiros mais influentes do candidato democrata, ele viajou a Israel em julho, quando visitou a barreira de segurança e o instituto Yad Vashem, onde obteve documentos sobre os parentes que morreram na barbárie nazista. Cameron se reuniu com Ariel Sharon, na tentativa de afastar rumores de que seu irmão manteria uma "postura crítica" em relação ao premiê israelense.

O Partido Democrata, tradicional reduto de minorias étnicas e religiosas, se mobiliza para manter a tendência de receber a maioria do voto judaico norte-americano. A última vez que um republicano obteve mais votos do que um democrata, no universo comunitário, foi em 1920, quando Warren G. Harding conquistou 43%, contra 19% de James Cox, de acordo com o pesquisador Steven Windmueller. Já os estrategistas de George W. Bush avaliam que seu candidato deve superar a marca da eleição de 2000, quando os republicanos tiveram 19% do eleitorado judaico.

 

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