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Alguns líderes da comunidade judaica norte-americana chegaram a descrever
a disputa eleitoral, no que se refere a relações entre Washington e
Jerusalém, como um cenário "de resultado positivo garantido". Destacam,
de um lado, a sólida aliança da administração Bush com o Estado judeu
e com o primeiro-ministro Ariel Sharon. De outro, mencionam o índice
de "100% de votos pró-Israel" de John Kerry nos seus quase vinte anos
de atuação como senador.
O candidato democrata, no entanto, deslanchou uma ofensiva nos últimos
meses para dissipar dúvidas sobre suas posições em relação ao conflito
israelo-palestino. Em 2003, Kerry chegou a criticar o projeto da barreira
de segurança que Israel constrói para se proteger de terroristas provenientes
da Cisjordânia. Também despertou preocupações ao sugerir que poderia
nomear como enviado especial ao Oriente Médio o ex-secretário de Estado
James Baker, ou o ex-presidente Jimmy Carter, tidos como "críticos em
relação a Israel".
Neste ano, o democrata se esforça para mostrar apoio intenso a Israel.
Defende enfaticamente a construção da barreira de segurança, descrevendo-a
como "uma resposta legítima ao terror". Kerry também sustenta que a
paz no Oriente Médio será viável "apenas se a participação dos EUA no
processo for ativa, constante e nos níveis mais elevados". Sobre enviados
especiais à região em conflito, a lista dos democratas passou a priorizar
nomes como o do ex-presidente Bill Clinton e de seus ex-assessores Samuel
Berger e Dennis Ross. Indicações polêmicas, como James Baker e Jimmy
Carter, foram deixadas de lado.
A campanha democrata também recorre ao envolvimento afetivo e pessoal
de Kerry com o judaísmo. Se eleito, o democrata será o primeiro presidente
norte-americano com uma herança judaica, pois seus avós paternos eram
judeus tchecos que se converteram ao catolicismo pouco antes de emigrar
para os EUA, no começo do século passado. Pelo menos dois parentes do
senador morreram no Holocausto.
O vínculo se estabelece também no presente. Cameron Kerry, irmão de
John, converteu-se ao judaísmo vinte anos atrás. Um dos conselheiros
mais influentes do candidato democrata, ele viajou a Israel em julho,
quando visitou a barreira de segurança e o instituto Yad Vashem, onde
obteve documentos sobre os parentes que morreram na barbárie nazista.
Cameron se reuniu com Ariel Sharon, na tentativa de afastar rumores
de que seu irmão manteria uma "postura crítica" em relação ao premiê
israelense.
O Partido Democrata, tradicional reduto de minorias étnicas e religiosas,
se mobiliza para manter a tendência de receber a maioria do voto judaico
norte-americano. A última vez que um republicano obteve mais votos do
que um democrata, no universo comunitário, foi em 1920, quando Warren
G. Harding conquistou 43%, contra 19% de James Cox, de acordo com o
pesquisador Steven Windmueller. Já os estrategistas de George W. Bush
avaliam que seu candidato deve superar a marca da eleição de 2000, quando
os republicanos tiveram 19% do eleitorado judaico.
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