A noite em que a Dinamarca disse basta ao "Führer" - ed.46 - Página1

HOLOCAUSTO
A noite em que a Dinamarca disse basta ao "Führer"


Foto Ilustrativa


Edição 46 - setembro de 2004

A maior parte das nações sob jugo nazista ora agiu passivamente, ora colaborou ativamente para mandar seis milhões de judeus para os campos de extermínio. No entanto, mesmo no meio da loucura de uma guerra, há momentos de esperança e luz. Um desses momentos aconteceu em 1943.

 

Durante os dez dias de penitência entre Rosh Hashaná e Yom Kipur, o povo da Dinamarca ocupada desde 1940 pela Alemanha conseguiu levar toda a população judaica do país para a Suécia, uma nação neutra e segura. O rabino chefe da Dinamarca, Marcus Melchior, lembra com clareza a seqüência dos eventos durante aquele período. Os nazistas haviam planejado encurralar oito mil judeus em 1º de outubro de 1943 - segundo dia de Rosh Hashaná, quando todos estariam "convenientemente" reunidos na sinagoga ou em seus lares. Seriam presas fáceis para as unidades do Sonderkommando (comando especial), escolhidas a dedo por Adolf Eichmann, que tinha por missão coordenar a implementação da famigerada "Solução Final", e organizar as rotas dos trens para os campos de extermínio.

Os navios das tropas alemãs estavam ancorados em Copenhague, prontos para transportar as futuras vítimas para um depósito na costa alemã. Veículos fretados já os esperavam para levá-los rumo aos fornos crematórios de Auschwitz e Bergen-Belsen. Entretanto, quando as tropas de assalto, em uma série de incursões cuidadosamente executadas, foram às sinagogas e às casas judaicas, descobriram que suas presas tinham sumido.

O protecionismo do rei

Segundo uma lenda, quando os alemães determinaram que os judeus da Dinamarca ocupada fossem obrigados a usar na roupa uma Estrela de David, como já acontecia em outros países sob o jugo nazista, o próprio rei Christian X também a colocou em suas vestes. Ainda de acordo com a lenda, imediatamente todos os cidadãos dinamarqueses não-judeus passaram a usá-la para evitar a identificação dos judeus e também como demonstração de que todos os dinamarqueses eram iguais.

No entanto, embora a população do país tenha tomado atitudes heróicas para proteger "seus" judeus dos nazistas e do registro de outros gestos simbólicos de desacato contra os ocupantes, não há documentos sobre estes fatos ou outros similares. Na verdade, nem o rei nem os dinamarqueses jamais usaram a faixa amarela que identificava os judeus. Sequer houve qualquer ordem oficial dos alemães nesse sentido.

O fato é que o rei Christian X tornou-se uma figura proeminente entre a população do país: não o abandonara após a invasão alemã, como outros governantes. Tinha por hábito cavalgar todas as manhãs, sozinho, desarmado e sem escolta, por Copenhague, para enfatizar sua soberania. Tornou-se um símbolo nacional, um verdadeiro contraste ao militarismo germânico e ao culto do "Führer". De fato, o rei Christian discursou em várias ocasiões contra as forças invasoras e ficou conhecido como o protetor dos judeus. O bem-estar dos judeus dinamarqueses era importante para o rei e para o governo, tanto que, no outono de 1941, o ministro das Relações Exteriores, Erik Scavenius, disse a Hermann Goering, segundo homem na hierarquia do III Reich e tido como sucessor direto de Hitler: "Não há uma 'questão judaica' na Dinamarca".

Anterior  123  Próxima
N.79/março 2013
Clique acima e consulte as edições anteriores.

Maio 17
8 Sivan

horário
17:14

Maio 18
9 Sivan

horário
18:07