Judaísmo e os signos do zodíaco - ed.30 - Página1

O JUDAÍSMO E OS SIGNOS DO ZODÍACO


Foto Ilustrativa

Segundo a Torá é totalmente proibido consultar astrólogos ou horóscopo; entretanto, o Talmud nos diz que astros e planetas oferecem influência sobre criaturas e que o astro (mazal) pode tornar a pessoa mais rica e mais sábia.


Edição 30 - Setembro de 2000
O judaísmo acredita na influência dos astros sobre as pessoas e as criaturas em geral?

O judaísmo não duvida que há um sistema inteiro de constelações, astros e planetas que exercem influência sobre as criaturas. Aliás, o Talmud nos diz que "Malchuta deará ke'en malchuta derakiá". "O reinado aqui é um reflexo do Reinado Celeste", da mesma forma que um rei possui ministros e tem a sua corte, assim também funciona nas alturas. Então, não há dúvida de que os habitantes da "mansão Celeste" têm influência.

O Talmud, no Tratado Shabat, ensina que o mazal, o astro, exerce influência sobre a pessoa. Rabi Chanina disse que o mazal pode tornar a pessoa mais rica ou mais sábia. Nossos sábios dizem que não se deve tirar sangue de uma pessoa na terça-feira, pois este dia recebe influência do planeta Marte (o planeta vermelho), astro ligado a assuntos de guerra, sangue, pragas e desastres. A influência dos astros sobre o mundo mineral e vegetal é óbvia. As marés e até o ciclo menstrual dependem dos planetas. O Talmud afirma que não há grama que cresça sem que o seu astro a influencie. Aliás, um dos sinais da Galut é que os fluxos e energia Divina passem por um encadeamento do qual fazem parte as constelações, os astros e os anjos padrões que influenciam todas as criaturas físicas.

Existe, sim, uma influência celeste sobre todas as criaturas, desde os minerais até os seres humanos. O grande mestre, Rabi Isaac Luria, o Arizal, disse que o embrião só se torna perfeito a partir do sétimo mês, quando já passou pela influência de sete planetas principais e importantes. Até lá, pode faltar algo no desenvolvimento do embrião. Rabi Avraham Ibn Ezra diz que cada povo e cada lugar físico é dependente do seu astro. Por exemplo, o povo de Yishmael (os árabes) depende de escorpião. Já os persas são influenciados por sagitário, os romanos por libra, e assim por diante.

Se há uma influência celeste e uma predestinação, como fica o livre-arbítrio e a responsabilidade do indivíduo?

A influência celeste é apenas uma tendência, pois a pessoa pode ter uma inclinação para certos hábitos, certos comportamentos, mas nada é absoluto e a pessoa pode combatê-la. O livre-arbítrio, a livre escolha, continua sempre e a pessoa pode lutar contra a sua inclinação tentando melhorar. Por exemplo, o Talmud ensina que aquele que nasce na terça-feira, dia sob a influência do planeta Marte (Marte em hebraico é maadim, que se origina da palavra dam, sangue ou o planeta vermelho), terá um caráter sangüinário e apreciará o sangue de tal maneira que poderá chegar a ser um assassino. Dizem os nossos sábios que, para o seu bem, ele deveria tornar-se um mohel ou um shochet; em outras palavras, deveria canalizar essa tendência. Ou seja, não há nada absoluto e a influência astrológica é apenas uma tendência eventual. Prova disto é o dito dos nossos sábios: "Tudo está nas mãos de D'us, exceto o temor a D'us." O comportamento correto está totalmente entregue ao homem.

O Zohar, livro básico da Cabalá, menciona algo muito interessante. Diz que: "O povo de Israel ficou sob a influência dos astros até a outorga da Torá no Monte Sinai. A partir do momento em que recebeu a Torá, o povo deixou de depender das estrelas e constelações. Obviamente, quando alguém se afasta dos caminhos da Torá, volta a receber esta influência natural dos astros." Isto fica claro nas palavras dos nossos sábios: "Ein mazal leIsrael", ou seja, o povo de Israel não depende do mazal e das constelações. Cada um continua com o seu livre-arbítrio. Através da oração e dos bons atos é possível modificar o mazal (influência astral) para o bem. A melhor prova bíblica disto está no fato de o próprio Abraão, pai da nação judia, ter visto nas estrelas que não teria filhos. D'us elevou-o acima das estrelas e mostrou-lhe que Abraão teria filhos, como de fato nasceu já na sua velhice o segundo patriarca, Isaac.

É permitido a um judeu consultar astrólogos ou horóscopos?

Totalmente proibido. Encontramos em vários lugares na própria Torá e no Talmud proibições sobre este procedimento. Na Torá está escrito explicitamente: "Tamim tihiê im Hashem Elokecha." (Deuteronômio 18:13). "Seja íntegro com Hashem, seu D'us." Consultar astrólogos ou horóscopos demonstra falta de integridade. Devemos ter fé absoluta em D'us, que Ele dirige o mundo e sabe como e quando fazer, sempre da melhor forma para o ser humano. O homem não deve procurar conhecer e prever o futuro ou os desígnios Divinos.
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