|
Desvendando o divórcio - ed.26 - Página1
|

Foto Ilustrativa.
Rabino Y. David Weitman responde No judaísmo, o divórcio é uma forma de D'us manifestar a Sua compreensão. Existe o divórcio no judaísmo? O que fazer quando um casal não vive em paz e resolve se separar?
| Edição 26 - Dezembro de 1999 |
|
|
 |
Neste caso, existe sim, dentro do judaísmo, a possibilidade do divórcio. E este procedimento é denominado guerushin, "se-paração", ou simplesmente guet, que é o nome do documento do divórcio.
O divórcio é um dos preceitos positivos da Torá. Em caso de separação, o marido deve escrever um sefer-critut (um documento de rompimento) entre ele e a sua esposa, conforme consta na Torá, no livro Deuteronômio, XXIV.
Porém, surge aqui uma pergunta: sabemos que D'us nos quer casados. E que pelo judaísmo o casamento é sagrado, que cada pessoa deve se casar e que D'us reservou para cada pessoa a sua escolhida, a sua alma gêmea. Assim sendo, se há a mitzvá de se casar, como pode haver também uma mitzvá de se divorciar? Mas a resposta é simples. D'us quer que a pessoa fique casada e arranjou tudo para que isto aconteça. Afinal, a sua alma gêmea já foi preparada desde o início da Criação...
Mas ocorre também que D'us tem compaixão, consideração, é gentil. Quando percebe que as coisas não funcionam, que há sofrimento, que o casal não consegue levar o casamento adiante, de jeito algum, Ele dá, então, uma orientação que pode ser seguida: a separação, o divórcio. É como um livro de receitas: se você acertou a receita, muito bem. Se enganou? Então existem outros pratos nos quais os ingredientes podem ser aproveitados.
Em outras palavras, no ju-daísmo, o divórcio é uma forma de D'us manifestar a Sua compreensão. Ele percebe que a situação está difícil, as pessoas estão sofrendo e o relacionamento não tem como continuar. Neste caso, Ele diz: "Se você quer se separar e insiste nisto, a possibilidade existe".
Isto significa que o casamento foi um erro?
Não. O casamento não foi e não é um erro. E nem é uma
loteria, na qual você aposta e, às vezes, ganha, em outras, perde. Não. Se você se casou com alguém com chupá e kidushin - sob o pálio da chupá e com as bênçãos Divinas, sem dúvida este alguém era a sua alma gêmea, escolhida há quase 6.000 anos e com a qual você tinha de se casar. Dizer que o casamento foi um erro é como dizer que a mulher deu à luz a criança errada, e não há a menor possibilidade de uma mulher dar à luz a criança errada.
D'us não brinca com mentes, corações e, menos ainda, com as almas das pessoas. Apenas, como ressaltamos, este casamento, tal relacionamento, tinha mesmo de ocorrer. Se o casal teve filhos, estas crianças precisavam nascer. O fato é que, no plano Divino, D'us gostaria que a pessoa continuasse casada; quando ocorre uma separação, diz o Talmud, o próprio altar chora. Mas se a pessoa insiste e está sofrendo, Ele entende. Permite o divórcio e ainda dá a receita de como deve ser feita a separação, de acordo com o judaísmo. D'us fala à pessoa que ela pode fechar a porta, mas também ensina como fechá-la suavemente, sem batê-la.
Então os rabinos facilitam os divórcios?
Não necessariamente. A obrigação do rabino é se esforçar
ao máximo para fazer a paz entre o casal. Quando eles chegam ao rabino com a intenção de se separar, este vai tentar restabelecer a antiga harmonia. Se não conseguir, mesmo após várias tentativas, a solução para o caso poderá ser o divórcio.
Sabemos que muitos anos atrás havia uma takaná (decreto) nas comunidades alemãs de Spayer, Worms e Maintz. Quando algum morador queria separar-se da esposa, tinha de enviar um emissário para as outras duas cidades a fim de exibir os documentos e argumentos envolvidos na contenda. E este procedimento, obviamente, ocasionava muitos gastos. Mas o motivo desta takaná era exatamente dificultar o divórcio. Foi es-tabelecida para mostrar ao casal que não era assim tão fácil. Também para ganhar tempo; no entretempo poderia acontecer de eles voltarem a viver e a conviver em paz. |
 |
|
 |
 |
| N.79/março 2013 |
 |
|
|
 |
| Clique acima e consulte as edições anteriores. |
 |
|
|

 |
|