O Cajado de Moisés - ed.28 - Página1
O CAJADO DE MOISÉS


A travessia do Mar Vermelho

Vários anos haviam se passado desde o dia em que Bátia, a filha do Faraó, salvara do rio Nilo o pequeno Moisés. A criança tornara-se um belo rapaz, culto, um príncipe do Egito amado pelo próprio Faraó. Apesar do luxo e conforto no qual vivia, o jovem nunca esqueceu seu povo.


Edição 28 - Abril de 2000
Um certo dia, Moisés passeava pelas propriedades do Faraó e, de repente,
ouviu um grito. Ao erguer a cabeça, viu um soldado egípcio agredindo com violência alguns escravos judeus. Moisés não pode suportar tal injustiça; jogou-se em cima do soldado para protegê-lo e, na fúria do momento, matou-o. O que fazer naquela situação?

Não podia voltar ao palácio. Seria condenado à morte. Com certeza, não havia refúgio para ele em todo o Egito.

Moisés resolveu, então, fugir. Ultrapassou vales, escondeu-se nas profundezas das montanhas até encontrar abrigo em Midian, na casa do sacerdote Jethro, que havia sido um dos conselheiros pes-soais do Faraó.

Jethro era um grande sábio: interpretava os astros, havia aprendido segredos da natureza e conseguia penetrar nas mentes chegando aos mais secretos pensamentos. Dizia-se que até o que não era revelado aos mortais vinha a ele com clareza.

O Faraó, sabendo de seus dons, havia pedido que se tornasse, mesmo que por pouco tempo, seu conselheiro pessoal. Foi assim que Moisés o conheceu.
Jethro deixou a corte por não concordar com o decreto do Faraó de escravizar os judeus. Porém como o servira durante bastante tempo, este deu-lhe o direito de escolher a sua recompensa antes de voltar ao seu país.

- "Tenho um longo caminho pela frente", disse Jethro. Dê-me, então, aquele velho cajado, aquele que se encontra perdido e jogado dentro do palácio. Ele me permitirá caminhar com mais facilidade".

O pedido deixou o Faraó sem palavras, pois havia pensado que Jethro escolheria algo mais valioso: inimagináveis quantidades de ouro ou pedras preciosas, terras, palá-cios... Mas só pedira um cajado... Que então partisse com o seu pedido realizado. O Faraó resolveu atendê-lo imediatamente.

Porém, o cajado ao qual se referia Jethro, não era um simples pedaço de madeira. Jethro sabia muito bem disso e sabia mais: o tal cajado provinha de um lugar muito especial: o Jardim de Éden; mais precisamente, da Árvore do Conhecimento. D'us o criara no crepúsculo do primeiro Shabat do mundo.

Era feito em safira e tinha gravado nele o Nome Divino e as 10 letras hebraicas, as iniciais das dez pragas que no futuro iriam infestar o Egito.

Adão o havia recebido do Criador no Jardim do Éden. Quando morreu deu-o para Enoch. O cajado possuía uma virtude mágica: amenizava o cansaço e fazia o trabalho mais árduo parecer brincadeira de criança. Pertenceu a Noé, que o utilizou para medir a Arca na qual sobreviveu durante o dilúvio. Em seguida foi a vez do patriarca Abraão, que o herdou. Serviu também a seu filho Isaac e logo a seu descendente, Jacob. Este, ao ir para o Egito, levou o cajado consigo deixando-o como herança a seu amado filho José. Quando este último morreu, todas suas propriedades passaram a pertencer ao Faraó. O Faraó ordenou que lhe fosse trazido o cajado. Desconfiava que não fosse um simples pedaço de madeira. Mas, por mais que o Faraó tentasse dar-lhe ordens, nada acontecia. Decepcionado, mandou que o deixassem dentre os tesouros do palácio; lá ficou encostado por vários anos, até que Jethro o pediu como recompensa.
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