O azul celeste de Talit - ed.22 - Página1

O AZUL CELESTE DE TALIT


Foto Ilustrativa

Há muito tempo atrás, havia um reino no qual reinava a mesma dinastia há mais de dez séculos. A cada coroação, o novo rei vestia uma capa especial, a mesma que havia pertencido ao fundador da dinastia. Era feita de uma seda muito fina, tingida de um azul único, um azul celeste que não existia igual.


Edição 22
Colocava-se a capa sobre os ombros do novo soberano e ele era então aclamado pelo povo. Em seguida, a preciosa roupa era guardada num cofre dourado ate a próxima posse.

Mas, houve um rei que após quarenta anos de reinado, cansou-se do poder e resolveu abdicar a favor de seu filho. Um ano antes, ele construiu um novo palácio, enviou convites para os reinos vizinhos e fez preparar uma cerimonia grandiosa. Ele mandou que tirassem a capa do cofre dourado para que arejasse. Mas, para horror dos serviçais a capa estava toda rasgada pelas traças. O rei começou a tremer de medo pois ela era o símbolo de sua autoridade. Convocou seus ministros e chegaram a conclusão que precisavam fabricar uma outra capa com a mesma cor de azul tão marcante. caso contrario os inimigos do rei diriam que a dinastia havia acabado.

O rei chamou seus magos para que eles sugerissem como conseguir reproduzir a cor da capa. Todos O mais velho falou:

- Eu me lembro, ó Rei, de ter escutado quando criança, que a capa real era um presente dado pelos judeus há mais de mil anos. Eles certamente saberão preparar a tintura necessária.

O rei chamou os chefes da comunidade judaica e mostrou-lhes o que restara da capa. Exigiu que em menos de nove meses eles lhe trouxessem a tintura ou toda a comunidade seria condenada. E, deveriam manter segredo sobre o assunto para evitar retaliações.

Os chefes da comunidade judaica ficaram com medo. Eles sabiam que a capa fora oferecida há mil anos pelos seus irmãos, e sabiam que o azul celeste era o mesmo que a Torá manda utilizar nos chales de reza. Nos quatro cantos dos chales, há as franjas, os tzitziot, com nós que simbolizam as quatro letras do Nome Divino. Antigamente o fio mais longo das franjas era azul celeste, o tekhelet. Mas, o segredo da tintura perdera-se há séculos. Ninguém conhecia a planta ou a concha que a produzia. Os chales então eram feitos só de fios brancos. Os chefes da comunidade tentaram explicar isso ao rei, mas foi em vão. Encolerizado o rei exigiu que lhe trouxessem a tintura em nove meses. Os anciões se reuniram na sinagoga para discutir o assunto. Era imprescindível manter segredo para não semear o pânico na comunidade. Rabi Abraham, o mais velho, disse:

- Há muito tempo nós renunciamos a honrar o mandamento de tingir os tzitzit. Mas, agora é vital encontrarmos o segredo do azul celeste.

- Devemos descobrir onde achar esta famosa tintura. Lembro-me de ter lido no Talmud que o segredo vem da cidade de Louz, na Terra Santa, no local onde Jacob havia sonhado com a escada na qual os anjos subiam e desciam, disse o Rabi Isaac, que era muito querido na comunidade.

- Precisaremos de um ano para ir à Terra Santa e voltar. O rei nos deu nove meses, disse o mais novo, Rabi Jacob. Houve um longo e desesperado silencio. De repente, o rosto do Rabi Abraham se iluminou.

- Já é tempo que eu vos revele um segredo que está na minha família há séculos. Meu pai me fez jurar que eu só o revelaria se a comunidade corresse perigo de vida e isso pudesse salvá-la. Acho que é o caso hoje.

Todos prenderam a respiração.

- Quando chegar a era Messiânica, todas as almas irão a Jerusalém para a ressurreição. Elas viajarão pôr túneis subterrâneos que chegam diretamente a um lugar situado perto da cidade de Louz. Eu conheço a entrada de um dos túneis. Podemos chegar na Terra Santa em uma semana!
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N.79/março 2013
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