Golem de Praga - ed.30 - Página1

GOLEM DE PRAGA


Cemitério Judaico de Praga

A antiga lenda do Golem ainda provoca curiosidade e controvérsia. Continua atraindo e despertando a imaginação dos milhares de turistas que visitam Praga anualmente.


Edição 30 - Setembro de 2000
Os turistas que visitam o antigo bairro judeu em Praga têm a impressão de estar fazendo uma viagem através do tempo. A controvérsia sobre a lendária criatura do Golem de Praga aumenta o clima de mistério da área, na qual encontram-se 30 magníficas estátuas barrocas.

Embora a comunidade judaica de Praga fosse melhor tratada pela aristocracia local do que o eram a maioria dos judeus da Europa, ainda assim os judeus eram vítima freqüente de ataques anti-semitas e de uma política oficial discriminatória. Em 1357, por exemplo, o rei Charles IV determinou o confinamento de toda a população judaica em um único bairro. Em Pessach de 1389, três mil judeus entre homens, mulheres e crianças foram assassinados. Eram épocas difíceis para a comunidade de Praga.

No final do século XVI, quando o rabino Judah Loew (1520-1609), um dos mais respeitados e queridos sábios do Leste Europeu, tornou-se Grão-rabino de Praga, o perigo para os judeus era iminente. O Maharal, nome pelo qual o rabino se tornou conhecido, estava ciente do perigo. O ódio era incitado pelo bispo Tadeusz, judeu convertido. Como resultado, explodia a violência e sangue judeu era derramado.

O sacerdote católico usava todos os recursos para prejudicar o povo que repudiara. Repetia para as massas de Praga a caluniosa acusação de que os judeus assassinavam crianças cristãs. O Maharal tentara desesperadamente apaziguar os ânimos, mas seus apelos à razão e à justiça não obtiveram resultado. A agitação atingira seu ponto máximo e a comunidade judaica receava um massacre. O Maharal, que rezava constantemente para que D'us os ajudasse, apelou, então, para os Céus.

Conta a tradição que o sábio teve um sonho no qual recebeu indicações de como poderia evitar a catástrofe que ameaçava abater-se sobre seu povo. A resposta veio oculta nas dez primeiras letras do alfabeto hebraico. O Maharal, além de ser um grande sábio, mestre na Torá, no Talmud e na Cabalá, possuía poderes mentais e espirituais inigualáveis. Por isso, entendeu a mensagem que lhe indicava fazer uma figura de argila que se transformaria em um Golem. Esta criatura teria, então, meios para destruir os inimigos de Israel.

Na manhã do dia seguinte, 20 de Adar de 1580, mandou chamar seu genro e seu discípulo preferido. Contou-lhes seu sonho, a revelação que tivera e a decisão de criar um Golem. Ao ver o espanto dos dois, avisou que aquela não seria a primeira vez em que se criaria este artifício. Muitas tentativas haviam fracassado no passado, mas o Talmud contava que o sábio Rava havia conseguido.

Yossel, o Golem

Os três homens foram à mikvê, na qual se purificaram por três dias, rezando, jejuando e santificando seu espírito e coração com extrema devoção. Ao amanhecer do terceiro dia, prepararam um pacote de roupas do tamanho de um homem normal e levaram-no a um lugar fora da cidade, próximo às margens do rio Vlatva. Lá, moldaram um boneco de argila com a aparência de um homem inclinado, com a cabeça voltada para o céu.
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