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O levante do Gueto de Varsóvia - ed.33 - Página1
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| O LEVANTE DO GUETO DE VARSÓVIA |

Foto Ilustrativa
Há 56 anos, durante a Segunda Guerra Mundial, em um dos períodos
mais sanguinários da história da Humanidade, a perseguição
aos judeus assumia proporções inéditas nos países
ocupados pela Alemanha.
| Edição
33 - Junho de 2001 |
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Fiel ao programa de eliminação
dos judeus, traçado em seu livro Mein Kampf,
Hitler estava determinado a atingir seus objetivos e realizar a sua
obra. Grande parte dos que haviam sido deportados da Alemanha e da
Áustria já haviam morrido nos campos de concentração,
enquanto milhares de outros estavam a caminho do mesmo trágico
fim.
No entanto, o destino final das vítimas ainda era ignorado
pela maioria. Apenas o Vaticano, em função da presença
de seus representantes ao redor dos campos da morte nazista, tinha
informações precisas sobre o que estava acontecendo
aos judeus. Porém, apesar de receber constantemente relatórios
sobre os fatos, o Papa Pio XII - então líder supremo
da Igreja Católica permaneceu calado. Nada, então,
podia deter o monstruoso plano de exterminação de Hitler,
face ao silêncio daquela que era a única potência
moral que detinha poder e meios para modificar a grande indiferença
- ou mesmo conivência dos habitantes dos povoados de
onde os judeus eram deportados.
A história judaica é marcada por tragédias que,
apesar do tempo, às vezes apresentam entre si semelhanças
perturbadoras. Dois acontecimentos históricos separados no
tempo por 18 séculos, a Batalha de Betar (vide artigo nesta
edição), que marcou o trágico fim da segunda
revolta dos judeus contra Roma, e o Levante do Gueto de Varsóvia,
assustam pela similaridade de alguns aspectos. Ambos registram a luta
desesperançada dos judeus contra um inimigo implacável,
com gigantesco poder de destruição. No ano 135 da era
comum, Simon Bar Kochba liderou os judeus contra o Império
Romano; em 1943 coube ao jovem Mordechai Anilevitch coordenar, no
Gueto de Varsóvia, a luta dos judeus contra o poderoso exército
alemão.
No primeiro evento, os judeus defendiam o direito de libertar seu
próprio território do jugo do inimigo romano. No segundo,
lutavam para defender princípios elementares dos direitos do
homem, pisoteados e desprezados abertamente em pleno século
XX por monstros disfarçados de homens.
Entre estes dois momentos históricos, a parte que tocou ao
povo judeu disperso na Diáspora foi calcada na perseverança
e resignação e na esperança de um dia ver, finalmente,
a justiça triunfar sobre o ódio um ódio
que fora disseminado pela Europa, durante 18 séculos, através
de ensinamentos cristãos baseados em calúnias e desprezo.
Mas as raízes desse mal já estavam tão enraizadas
que o povo judeu, mais uma vez, teve que vivenciar as trágicas
conseqüências do preconceito.
Quando o governo alemão instalou-se na Polônia, em outubro
de 1939, uma de suas primeiras providências foi transferir e
aprisionar, no exíguo espaço do antigo bairro judeu,
os 400 mil judeus de Varsóvia. Um bairro que em condições
normais tinha a capacidade de abrigar apenas 60 mil pessoas. Um muro
foi rapidamente levantado para isolar completamente o bairro, que
tornou-se um gueto no sentido mais exato e nefasto da
palavra. Aos judeus de Varsóvia presos no gueto se somaram
rapidamente 100 mil outros, evacuados de povoados vizinhos. Toda essa
população vivia em condições sub-humanas.
Em cada cômodo disponível viviam em média 13 pessoas,
enquanto grande parte da população sequer tinha um abrigo.
A resistência judaica começou a se formar no início
de 1940, mas apenas no dia 2 de dezembro de 1942 foi organizado um
grupo de combate, reunindo todas as tendências políticas
possíveis.
No dia 9 de janeiro de 1943, Himmler, então chefe supremo da
Gestapo, chegou, de surpresa, à Varsóvia, indo até
o gueto. Logo se seguiu a ordem de destruí-lo e exterminar
todos os seus habitantes. Assim, no dia 18 de janeiro de 1943, vários
batalhões da SS marcharam rumo ao gueto, mas, pela primeira
vez, os alemães foram recebidos com o som de granadas e metralahadoras.
Após sofrerem muitas baixas, as tropas da SS foram obrigadas
a se retirar. |
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| N.79/março 2013 |
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