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Doña Gracia Nasi - ed.20 - Página1
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MULHERES NA HISTÓRIA |
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DOÑA GRACIA NASI |

Foto Ilustrativa
Uma mulher de personalidade excepcional marcou a cultura judaica de maneira
singular. É considerada heroína por escelência do
judaísmo, e dos sefaraditas em particular.
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Doña Gracia Nasi, a
mulher judia mais impressionante de sua época, nasceu em Lisboa,
Portugal, em 1510, e morreu em 1569. Possuidora de um vasto e complexo
império comercial e financeiro na Europa, administrou-o, preservando-o
e ampliando a sua fortuna, apesar dos esforços de reis e outros
dirigentes para afastá-la de seu patrimônio.
Doña Gracia salvou centenas de marranos da morte e das perseguições.
Apesar de seus esforços para estabilizar a economia e a política
da comunidade judaica, fracassou. Mesmo assim, foi uma mulher à
frente de seu tempo. Tentou agir contra o anti-semitismo, impondo um boicote
econômico. Tentou construir uma pátria judaica na Palestina,
tendo Tiberíades como base.
A señora, a dama, Ha-geveret em hebraico marcou de
uma maneira indelével a cultura judaica. Sua lembrança foi
perpetuada através das inúmeras sinagogas que têm
o seu nome, entre elas, uma em Esmirna, El Kal de la Señora, sinagoga
que foi muito freqüentada até 1970, sendo gradativamente abandonada
até se tornar um galinheiro.
Doña Gracia Nasi é considerada a heroína por excelência
do judaísmo, em geral, e do judaísmo sefaradita, em particular.
Nascida no seio de uma família de marranos batizada à força,
era obrigada a usar o nome cristão de Beatriz de Luna, substituindo-o
mais tarde por Gracia, Hannah, em hebraico. Seu irmão Agostinho
Miguel era médico na corte e lecionava medicina na Universidade
de Lisboa.
Em 1528, ao 18 anos, Beatriz casou-se com Francisco Mendes, outro marrano
que, junto com seu irmão Diogo Mendes, lidera um império
de comércio de pedras preciosas e especiarias, além de bancos
em vários países da Europa. O casal tem uma filha chamada
Brianda que, mais tarde, tornou-se conhecida como Reyna. Em 1537 Francisco
Mendes morre, deixando uma criança e uma viúva, que fica
à frente de uma imensa fortuna: o império dos Mendes.
A Inquisição foi estabelecida em Portugal em 1536 e Beatriz,
percebendo o perigo que corria no país, aos 26 anos, deixou o seu
lar acompanhada da filha, da irmã e de seu sobrinho João
Miquez (futuro Joseph Nasi), então com 13 anos. Viajaram para a
Antuérpia, passando pela Inglaterra e conseguindo fugir, salvando
seus bens, para encontrar seu cunhado Diogo Mendes.
Mantendo sempre a aparência de família cristã, Beatriz
integra-se e frequenta a mais alta sociedade da Antuérpia. Trabalhando
juntamente com o seu cunhado e sócio, expandiram seus negócios.
Beatriz era considerada o melhor banqueiro dos reis da França,
do Imperador Charles V. Paralelamente a seus negócios, Beatriz
e Diogo montaram uma base de operações clandestinas, organizando
rotas para ajudar as famílias marranas a fugirem de Portugal e
da Inquisição, estabelecendo-se em outros países.
Beatriz e sua família permaneceram em Antuérpia até
a morte de Diogo Mendes, em 1543. Quando um nobre cristão pediu
a mão de sua filha em casamento, viu-se então diante de
um grave problema. Por adiar inúmeras vezes uma resposta positiva,
surgiram suspeitas sobre a "lealdade cristã" da família.
Beatriz, determinada a casar a sua filha Reyna somente com um judeu e
pressentindo o perigo, tomou uma séria decisão.
Em uma manhã, já no final de 1544, o palácio de Beatriz
na cidade foi encontrado totalmente abandonado. Sem avisar ninguém,
levando apenas suas jóias e pertences pessoais, partiu com a família
para Veneza, deixando tudo aos cuidados de seu sobrinho João Miquez. |
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| N.69/setembro 2010 |
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