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Wiesenthal, a vida dedicada a uma causa - ed.37 - Página1
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HOMENS DA HISTÓRIA |
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WIESENTHAL, A VIDA DEDICADA A UMA
CAUSA |

Wiesenthal: "Sou dedicado ao meu trabalho pelo privilégio
de estar vivo"
Uma das personalidades mais importantes de nosso tempo, Simon Wiesenthal
dedicou sua vida a documentar com tenacidade e persistência os crimes
do Holocausto e a desmascarar e entregar à justiça os criminosos
de guerra ainda livres.
| Edição
37 - Junho de 2002 |
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Fundador do Centro Judaico
de Documentação, em Viena, ajudou a capturar cerca de 1.100
criminosos de guerra nazistas, entre eles Adolf Eichmann, o carrasco que
planejou o extermínio dos judeus.
Wiesenthal recebeu mais de uma centena de prêmios e condecorações,
entre os quais a Medalha Presidencial da Liberdade, maior
condecoração civil dos Estados Unidos, oferecida por Bill
Clinton, em 2000; e o World Tolerance Award, outorgado para
premiar seu compromisso com a justiça, a tolerância e a paz.
Também foi homenageado por movimentos de resistência de vários
países europeus, recebeu Medalhas da Liberdade na Holanda
e em Luxemburgo, e a Medalha de Ouro do Congresso americano. Foi nomeado
Cavalheiro da Legião de Honra, na França, e seu trabalho
em prol dos refugiados foi reconhecido pelas Nações Unidas.
Sua vida
Simon Wiesenthal nasceu em 31 de dezembro de 1908, em Buczacz, na Galícia,
então parte do Império Austro-húngaro, hoje Lvov,
na Ucrânia. Recusado pelo Instituto Politécnico de sua cidade
natal pelas cotas restritivas a alunos judeus, fez seus estudos na Universidade
de Praga, onde se formou em Arquitetura, em 1932.
Em 1936 casou-se com Cyla. Trabalhava, então, em um escritório
de arquitetura. Em 1939 a Alemanha e a União Soviética assinaram
um pacto de não-agressão mútua e dividiram entre
si a Polônia. O exército russo ocupava Lvov, promovendo as
famosas purgas dos elementos burgueses: especificamente dos
comerciantes, pequenos industriais e outros profissionais judeus. Seu
padrasto foi preso e morreu na prisão; seu meio-irmão foi
baleado; ele perdeu o trabalho e tornou-se mecânico em uma fábrica
de molas para camas. Wiesenthal salvou-se e à sua família
da deportação para a Sibéria subornando um comissário
de polícia.
Quando em 1941 os alemães ocuparam Lvov, ele e Cyla foram enviados
a um campo de trabalhos forçados, cujos prisioneiros cuidavam da
manutenção da rede ferroviária. No ano seguinte,
a máquina terrível do genocídio nazista estava em
pleno andamento e Simon e Cyla haviam perdido 89 membros de sua família,
entre eles a mãe de Simon. O tipo físico de Cyla
loira de olhos azuis permitia que ela passasse por ariana, e Simon
fez um acordo com a resistência polonesa: trocou mapas ferroviários
detalhados, feitos por ele mesmo, por documentos falsos e um salva-conduto
de saída do campo para a mulher, que passou a viver em Varsóvia
como Irene Kowalska.
Ele conseguiu fugir em 1943, mas foi recapturado no ano seguinte e enviado
novamente ao campo de Janovska. Com o avanço do Exército
Vermelho, para evitar que fossem enviados ao front, as SS decidiram manter
vivos os 34 prisioneiros que ainda restavam dos 149 mil que havia inicialmente
no campo. Durante a marcha de retirada rumo ao Ocidente, que passou pelo
campo de Buchenwald e terminou em Mauthausen, no norte da Áustria,
pouquíssimos prisioneiros sobreviveram.
Quando, em 5 de maio 1945, o campo de Mauthausen foi libertado pelos americanos,
Simon pesava menos que 50 quilos. Assim que recuperou suas forças,
começou a reunir provas das atrocidades cometidas pelos nazistas
para a seção dos crimes de guerra do exército americano.
Além desse trabalho, dirigia o Comitê Judaico da Áustria,
uma organização assistencial beneficente.
No final de 1945, Simon e Cyla se reencontraram e se reuniram novamente,
após anos acreditando que o outro morrera. Um ano depois, nasceu
sua filha Pauline. |
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| N.79/março 2013 |
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