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Havdalá - ed.37 - Página1
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| HAVDALÁ, A CERIMÔNIA
DO FIM DO SHABAT |

Caixas para bessamim
Abençoado sejas Tu, ó Senhor nosso Dus, Rei
do Universo, que distingues entre o sagrado e o profano, entre a luz e
a escuridão, entre Israel e as nações, e entre o
sétimo dia e os outros seis dias de trabalho.
| Edição
37 - Junho de 2002 |
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Havdalá é uma
cerimônia profundamente poética, realizada sempre no final
do Shabat e das festas. Marca a passagem de um dia sagrado para um dia
de rotina, ou seja, do Shabat para o restante da semana. A Havdalá,
palavra cuja origem vem do hebraico LeHavdil separar ou diferenciar
marca também o fim de todas as leis especiais e as proibições
relativas ao Shabat. Após essa cerimônia, é permitido
recomeçar a rotina semanal do viver cotidiano.
A Havdalá é recitada em pé, ao anoitecer de sábado,
após o aparecimento das primeiras três estrelas médias.
Esta prece pode ser feita em casa ou na sinagoga e não requer um
minian (quorum de dez judeus). É um mandamento que tanto homens
quanto mulheres devem seguir. Se não for possível realizar
a cerimônia inteira, deve-se fazer, ao menos, a bênção
abreviada (Baruch Hamavdil Ben Kodesh Lechol) antes de acender as luzes.
Entre sombras e luzes produzidas pela chama de uma vela comprida e trançada,
pronunciam-se quatro bênçãos, todas relacionadas com
os nossos sentidos: a primeira sobre uma bebida geralmente vinho;
a segunda sobre especiarias ou uma planta perfumada; a terceira, sobre
a luz da chama; e a quarta e última, em louvor a Dus, confiantes
que Ele nos dará a força e a determinação
para enfrentar os desafios da nova semana.
A cerimônia começa ou termina com uma canção
que fala sobre Eliahu Hanavi. O profeta anuncia o Messias que, segundo
a tradição, não virá no Shabat, pois este
representa o sabor do mundo vindouro. Portanto, quando o Shabat termina,
pode-se voltar a ter esperança de que o profeta Eliahu está
por vir, prenunciando a época messiânica. O mundo, então,
será transformado em um longo Shabat.
As bênçãos
As bênçãos são feitas em seqüência
específica, o que pode ser entendido como um aprimoramento, uma
elevação espiritual: dos lábios para o nariz, daí
para os olhos e, finalmente, para o cérebro. Isto é, enquanto
o vinho deve ser tomado, as especiarias bastam ser aspiradas para elevar
e alegrar nossa alma. A vela nem precisa estar muito próxima para
que sua luz derrame claridade, enquanto que para nos conscientizarmos
do término do Shabat não se faz necessário nenhum
dos sentidos, é como se nosso cérebro o compreendesse de
pronto.
Assim como o Shabat começa com o kidush a bênção
sobre o vinho também termina, na Havdalá, da mesma
forma. O vinho tem uma conotação de alegria e de celebração.
Existe o costume de encher o copo de vinho até transbordar, para
atrair a bênção da abundância (Salmo 23). Apesar
de ser a bebida mais adequada para a reza, se não houver vinho,
pode-se usar qualquer líquido considerado importante, exceto água.
Contrariamente ao do kidush, o vinho da Havdalá não é
distribuído aos presentes, sendo unicamente ingerido, ao final
da cerimônia, por aquele que pronuncia a bênção.
Há também entre as diferentes comunidades o costume de esfregar
vinho nas têmporas ou atrás da orelha. Os sefaraditas costumam
passá-lo atrás da orelha, nas têmporas, na nuca e
nos cantos dos bolsos, para trazer sorte.
A bênção sobre as especiarias é a segunda.
Esta é a uma das raras vezes no ri-tual judaico em que se usam
aromas. Desconhecemos a origem do costume, pois esta já se tinha
perdido quando o Talmud foi escrito. Qual seria o significado deste ritual
perfumado? Por que devemos inalar o aroma de especiarias (bessamim, em
hebraico) no final do Shabat? Segundo os ensinamentos cabalísticos,
na véspera do Shabat o homem recebe uma alma suplementar, que em
hebraico é chamada neshamá yeterá. Quando esta alma
adicional retorna a seu mundo, ao término do Shabat, o homem, sentindo
a perda, mergulha em profunda nostalgia e utiliza o perfume para se reerguer
e reanimar o corpo. |
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| N.69/setembro 2010 |
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