Morashá
Chanucá e a Pureza da Sabedoria

Chanucá e a Pureza da Sabedoria

Chanucá, a festividade de oito dias que celebra eventos ocorridos há mais de 2.200 anos, e que se inicia na noite de 25 de Kislev (este ano, após o anoitecer do dia 6 de dezembro), celebra um grande milagre na história judaica.

Edição 90 - Dezembro de 2015


A história é conhecida. Durante a época do Segundo Tempo Sagrado de Jerusalém, a Terra de Israel era ocupada por greco-sírios, que tentavam impor ao Povo Judeu o helenismo – a cultura grega prevalente. Liderados pelos Macabeus, os judeus derrotaram militarmente os greco-sírios e retomaram o Templo Sagrado, que fora profanado pelos helenistas.

Após a recaptura do Templo, os judeus limparam-no de todos os ídolos, reconstruíram o altar e reiniciaram os serviços religiosos. Parte central do serviço diário do Templo era o acender das velas da Menorá com azeite de oliva ritualmente puro. Mas, quando os judeus quiseram acender a Menorá do Templo, apenas encontraram um pequeno frasco de azeite de oliva com o lacre do Sumo Sacerdote. Tal selo era a garantia de que o azeite continuava ritualmente puro. Todos os demais frascos haviam sido propositalmente impurificados pelos gregos. Os judeus acenderam o pequeno frasco de azeite, que milagrosamente ardeu durante oito dias - o tempo necessário para que fosse produzido novo azeite ritualmente puro. Esse milagre do azeite foi um sinal de D’us de que Ele estivera, lado a lado com os judeus, lutando contra os greco-sírios. A partir do ano seguinte, nossos Sábios instituíram a festa de oito dias, chamada de Chanucá.

A profanação do azeite

Ao discutir o milagre de Chanucá, o Talmud afirma: “Quando os greco-sírios entraram no Templo, eles profanaram todo o azeite que encontraram. E quando a Casa Real dos Hasmoneus os subjugou e venceu, eles buscaram [o azeite], mas apenas encontraram um frasco com o lacre do Sumo Sacerdote”.

Essa declaração talmúdica contém vários pontos a discutir. Primeiro, por que os greco-sírios apenas “profanaram” o azeite? Se seu desejo era suspender o acendimento da Menorá, deveriam ter destruído todo o azeite existente. Poderiam tê-lo simplesmente derramado no chão. Não o fizeram. Ficou claro, portanto, que sua intenção era especificamente profaná-lo – fato que indica que conheciam as leis da Tahará e da Tumá, os rituais da pureza e impureza.

Por que teriam os greco-sírios profanado o azeite e não o destruído, simplesmente? Se sua intenção era eliminar a luz da Menorá, deveriam ter eliminado o azeite, de uma vez por todas. E, como conheciam as leis da pureza e impureza rituais, sabiam que profanando o azeite – sem o destruir – não impediriam o acendimento da Menorá, já que a Lei Judaica estipula que se a maioria do Povo Judeu estiver ritualmente impura, a questão da impureza ritual pode ser ignorada. Em outras palavras, mesmo com o azeite profanado, os judeus poderiam continuar acendendo a Menorá. Podemos daí deduzir que o objetivo dos greco-sírios ao violar o azeite não era evitar que os judeus acendessem a Menorá, mas sim, que o fizessem com o azeite ritualmente puro.

Os greco-sírios não profanaram o azeite simplesmente para humilhar o Povo Judeu. Não se tratou de um mero ato de vandalismo. Os eventos relacionados ao azeite do Templo – sua violação e o milagre subsequente de o suprimento para um dia de azeite ritualmente puro ter sido suficiente para queimar durante oito dias – simbolizam a luta entre o judaísmo e o helenismo – uma guerra essencialmente espiritual – que continua a ser travada, de uma forma ou de outra, geração após geração.

A preservação da pureza da Torá

De acordo com o judaísmo, o azeite de oliva simboliza o intelecto e a sabedoria. A Cabalá o ensina explicitamente e o Talmud afirma: “Porque eles estavam acostumados a (comer) o azeite de oliva, havia sabedoria entre eles” (Menachot, 85b). O azeite é uma metáfora para a sabedoria, mas é a Torá – Sabedoria e Vontade de D’us – que é literalmente a fonte de sabedoria do Povo Judeu. Se somos um povo sábio, não é apenas por sermos o povo mais antigo do mundo, é também porque D’us nos escolheu para receber a Sua Torá.

Como o azeite de oliva é um símbolo do saber judaico e a Torá é nossa fonte de sabedoria, pode-se dizer que o azeite é um símbolo da Torá. Por essa razão, o azeite está presente em tantos rituais judaicos. O acendimento da Menorá, que simbolizava a difusão da luz da Torá, era um dos serviços mais importantes realizados no Templo Sagrado de Jerusalém. Era da maior importância que o azeite usado fosse ritualmente puro porque representava a Torá e esta, por ser a Sabedoria Divina, tem de ser mantida em seu estado de pureza. É bem verdade que se a maioria do Povo Judeu estivesse em estado de impureza ritual, seria permitido recorrer ao azeite ritualmente impuro para acender a Menorá. Mas isso seria em último caso.

É importante enfatizar que o conceito de pureza ou impureza ritual se coloca além de nosso entendimento. Tais conceitos não se relacionam com limpeza física nem mesmo com santidade. O homem não pode entender o que torna um objeto puro e outro impuro. Por exemplo, por que os utensílios de barro são suscetíveis à impureza ritual através de seu espaço interno, ao passo que os de outros materiais o são através de sua superfície externa? Não o sabemos. Só o sabe a Torá, Sabedoria Divina. Maimônides, o Rambam, enfatiza esse ponto: “Está claramente evidente que as categorias de pureza e impureza ritual são determinadas por Decreto Divino. Não se trata de algo que a sabedoria humana pode determinar” (Sefer Tahará, Hilchot Mikvaot 11:12). As leis da Torá sobre pureza e impureza transcendem o intelecto humano.

Assim como pureza e impureza ritual são conceitos que transcendem o intelecto humano, também o conceito de “Torá pura” significa uma Torá que é estudada e cujos mandamentos são cumpridos com o entendimento primordial de que sua verdadeira essência não pode ser inteiramente entendida intelectualmente. Uma Torá pura significa uma Torá que se origina em D’us, e não no homem – uma Torá que é estudada e cumprida com a compreensão de que se trata da Sabedoria e Vontade Divinas, não do homem. Como a Sabedoria do Infinito não pode ser plenamente compreendida pela mente finita do homem, nenhum ser humano pode dominar totalmente a Torá. Uma Torá não adulterada é aquela que é corretamente entendida como sendo a Divindade absoluta, cujas leis não foram alteradas para se adequar à aptidão intelectual ou aos desejos dos homens. Sua pureza é comprometida quando o homem muda seu conteúdo e suas leis em seu próprio benefício. Quando isso acontece, a Torá deixa de ser a Sabedoria Divina absoluta e se torna uma mistura de sabedoria Divina e humana: sua pureza fica, pois, comprometida.

À luz do que vimos acima, podemos entender por que os greco-sírios não descartaram simplesmente o azeite, no Templo. Seu propósito não era impedir que os judeus acendessem a Menorá. Eles apenas não queriam que os judeus usassem azeite ritualmente puro para fazê-lo. E por que não? Por que lhes importaria que tipo de azeite os judeus usassem? Porque para os helenistas, o próprio conceito de pureza ritual – e o que simboliza – era abominável. Para os greco-sírios, o conceito de uma sabedoria que era superior à humana era inaceitável. Para eles, o homem era o centro da Criação e a sabedoria humana era o principal. Eles não aceitavam que o Povo Judeu acreditasse ou seguisse leis que não pudessem ser plenamente compreendidas pela mente humana.

A violação do azeite de oliva simboliza a tentativa greco-síria de violar a Torá. A eles não importava que os judeus estudassem a Torá, assim como não agiam para evitar o acendimento da Menorá. Eles se opunham ao estudo e prática da Torá absoluta e pura. A civilização grega, baseada no culto ao intelecto, aceitava a Torá como um livro de ideias profundas e enriquecedoras. Como os judeus, eles também adoravam o conhecimento e a sabedoria: eles adoravam o “azeite”. O que se opunham era ao “azeite puro, absoluto” – a Sabedoria Divina. Os greco-sírios permitiriam que os judeus estudassem a Torá e seguissem seus mandamentos se nossos antepassados abandonassem a ideia de que eram Sabedoria e Vontade Divina. O que os greco-sírios não podiam tolerar era que os mandamentos da Torá não estivessem calcados na lógica humana.

Mas a guerra entre os judeus e os greco-sírios não foi meramente filosófica – um embate de ideologias. Os decretos dos greco-sírios que proibiam certas práticas religiosas judaicas tinham motivos nefastos. Diferentemente de outros inimigos históricos do Povo Judeu, os greco-sírios não procuravam a aniquilação física dos judeus. O que queriam era que abandonássemos nossa religião e apenas mantivéssemos a cultura judaica. Queriam que os judeus se unissem à sua sociedade helenística intelectualizada, que adorava o conhecimento pelo conhecimento, ao invés de um propósito superior. Isso acarretaria a morte do judaísmo, cedo ou tarde.

Para os greco-sírios, o conhecimento não era um meio para se chegar a um fim, como no judaísmo. O estudo da Torá é o mandamento mais importante para nós porque leva à ação. Apenas por meio do estudo da Torá podemos saber o que D’us espera de nós: o que é bom e o que é mau, o que é certo e o que é errado. Os greco-sírios, por outro lado, continuaram imunes ao conhecimento que adquiriram. Aprenderam sobre ética e seguiram vivendo vidas despidas de ética; estudaram o que era virtude e viveram como hedonistas; estudaram metafísica e seguiram adorando objetos inanimados, crendo em uma religião fabricada pelo próprio homem. Seu conhecimento e sabedoria não tiveram efeito sobre seus atos. Na verdade, nem pretendiam que tivessem impacto. Para eles, conhecimento e sabedoria não visavam a transformar o ser humano, mas eram os objetivos, por si sós. A Torá, como Sabedoria Divina, que eleva o ser humano – era um anátema para eles. Era a antítese de seu conceito de sabedoria. Os greco-sírios queriam uma Menorá que queimasse com a luz do homem, não a luz de D’us. Para eles, o conceito da pureza e impureza rituais era o exato oposto daquilo em que acreditavam.

Aquele que não entende a Torá pelo que é – Sabedoria e Vontade Divinas – pode entender por que os greco-sírios ficaram aturdidos com o judaísmo. Em que o azeite ritualmente impuro difere do azeite ritualmente puro? Sua aparência, seu odor, seu gosto, ou toque são diferentes? Por isso, os greco-sírios profanaram o azeite ritualmente puro, tocando-o com mãos humanas, simbolizando a manipulação humana da Torá Divina. Seus atos refletem sua crença de que a Torá é um simples conhecimento e lógica: que seus decretos sobrenaturais, como os conceitos de pureza e impureza ritual, são absurdos e inaceitáveis. Para os greco-sírios, a vida começa e termina com o homem. Portanto, não há nada que transcenda o conhecimento humano: não há nada sagrado, intocável e além do intelecto. Para os helenistas, a Torá pertence ao homem e, portanto, pode ser debatida, comprovada e refutada. Nada nela é imutável. Tudo nela pode ser moldável para se adaptar aos propósitos humanos.

O Povo Judeu, por outro lado, crê que a Torá é a Sabedoria Divina, não humana. Temos muito boa razão para crer que D’us criou o mundo, que ele é seu Regente e Juiz e que Ele revelou Suas Leis ao homem. Acreditamos que o intelecto é uma dádiva Divina, e que seja nossa obrigação empregá-lo para adquirir um pouco da Sabedoria Divina e, por meio dela, cumprir a Vontade Divina.

Um princípio fundamental do judaísmo diz que a Torá é de Autoria Divina. D’us escreveu cada letra do Chumash (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio). Nem Moshé nem outro profeta qualquer escreveram esses cinco livros. Assim sendo, a Torá é pura Divindade que desceu ao nosso mundo e que se encobriu dentro dos confins da compreensão humana para que todos os judeus pudessem entender algo de sua infinidade. Considerar que a Torá é algo menos do que pura Sabedoria Divina é seguir nos passos dos greco-sírios.

O judeu deve, portanto, achegar-se à Torá com apreensão e humildade. Ele deve entender que é mero pó perante o Todo Poderoso. Ele precisa empregar todo o seu empenho intelectual para compreender a Torá, sabendo, no entanto, que a Torá é de D’us, não sua. Seu objetivo ao estudá-la deve ser para que seus ensinamentos o mudem, não para que ele manipule a Torá para adequá-la a seus desejos e necessidades. Um judeu sempre deve ter o cuidado de não violar a Torá com suas mãos, adulterando-a.

Essa violação pode existir em vários níveis, o maior deles sendo quando alguém considera que a Torá é apenas uma compilação de ideias humanas – um texto escrito por seres humanos. O pilar central do judaísmo é o conhecimento de que existe um D’us e que a Torá é Divina. Considerá-la tudo menos Divina é afirmar, implícita ou explicitamente, que o judaísmo é baseado em falsidades. Mas há outras ideias mais sutis que também comprometem a pureza da Torá. Por exemplo, algumas pessoas acreditam que a Torá é Divina, mas que o homem, por tê-la recebido, pode-se tornar seu senhor e moldá-la de acordo com sua mente e suas preferências.

Durante os oito dias de Chanucá,recitamos em nossas preces que os greco-sírios desejavam fazer com que os judeus “esquecessem a Tua Torá e violassem os decretos da Tua Vontade”. A linguagem é muito clara. Os helenistas não queriam que os judeus esquecessem a Torá, mas a “Tua Torá”, a Torá de D’us: eles queriam que os judeus se esquecessem de que a Torá é Divina. Da mesma forma, os greco-sírios não se opunham ao cumprimento judaico dos mandamentos da Torá, como não matar e não roubar. Opunham-se aos decretos de “Tua Vontade”. Eles não eram contrários aos mandamentos da Torá que lhes pareciam racionais – aqueles que poderiam ter sido decretados por seres humanos. O que repudiavam eram os mandamentos que consideravam irracionais – as leis que não eram embasadas na lógica humana, que os judeus guardavam unicamente pelo fato de ser a Vontade de D’us.

É possível que os greco-sírios tivessem permitido que os judeus cumprissem seus “mandamentos irracionais” como parte de uma cultura nacional. Por exemplo, os helenistas poderiam não ter-se oposto a que eles usassem Tzitzit – as franjas rituais – desde que os judeus o considerassem como parte de sua cultura e não um cumprimento da Vontade de D’us. Era a premissa de que os mandamentos da Torá são a Vontade de D’us que os helenistas desprezavam. Eles exigiam que a Torá fosse secularizada e aculturada.

O significado de Chanucá

A festa de Chanucá simboliza a autenticidade e eternidade da Torá. A vitória dos Macabeus foi um grande triunfo militar, mas, talvez ainda mais importante, foi o fato de ser um triunfo espiritual. Tivessem os judeus perdido a guerra, a pureza da Torá talvez tivesse sido comprometida e, cedo ou tarde, o Povo Judeu a teria abandonado e se assimilado. Não é necessário ser profeta para prever que isso teria ocorrido, pois logo que um judeu considera a Torá algo além de Divina, sua ligação com o judaísmo inevitavelmente enfraquece. Por que alguém guardaria as inúmeras leis da Torá – manter a casherut, guardar o Shabat, jejuar em Yom Kipur e dedicar tempo a orar e estudar a Torá – se suas leis não fossem Divinas? Há um limite de sacrifício quando a pessoa quer apenas preservar sua identidade cultural.

Os greco-sírios e muitos outros inimigos do Povo Judeu em épocas mais tardias perceberam que a maneira mais fácil de fazer os judeus desaparecerem da face da Terra era violar sua Torá. Não é necessário manchar as mãos com sangue judeu para diminuir significativamente o tamanho e a força do Povo de Israel. Basta causar uma cisão entre os judeus e sua Torá, e a maneira mais eficaz de fazê-lo é violar a pureza da Torá. A assimilação seguir-se-á inevitavelmente, especialmente se os judeus estiverem vivendo na Diáspora ou se forças estrangeiras estiverem ocupando a Terra de Israel, como estavam os greco-sírios na época em que ocorreu o milagre de Chanucá.

A festa de Chanucá não é apenas bonita e inspiradora, mas também de um significado extraordinário porque nos ensina que se nos esforçarmos para preservar a pureza da Torá, estaremos preservando a integridade do Povo Judeu. Precisamos inculcar dentro de nós e ensinar aos demais judeus que a Torá é Divina, e que, portanto, é atemporal e imutável, como seu Autor. Se nos aproximarmos da Torá respeitando o que ela é - Sabedoria e Vontade Divinas não-adulteradas - nosso relacionamento com seu conteúdo e suas leis será reverencioso. Mas, se por outro lado, acreditássemos que tivesse sido escrita por Moshé ou por qualquer outro ser humano, concluiríamos que, como qualquer ser humano, também a Torá seria falível, e, assim, passível de mudança.

O milagre do azeite puro nos faz lembrar que a Torá tem de ser mantida pura: jamais poderá ser adulterada por seres humanos. Por ser Divina, nenhum de nós pode mudá-la, acrescentando ou subtraindo ou modificando seus mandamentos. Como vimos acima, a Lei Judaica teria permitido que os judeus acendessem a Menorá com o azeite ritualmente impuro já que a maioria dos judeus, à época, encontravam-se ritualmente impuros. Mas o Povo Judeu decidiu que eles não o fariam. Eles acenderiam a Menorá com o azeite puro, mesmo se a quantidade fosse suficiente apenas para um dia, e seriam necessários mais sete dias para fazer azeite ritualmente puro.

Esse único frasco de azeite puro não ardeu apenas um dia – mas durante oito. E oito é um número que simboliza o sobrenatural. Esse milagre trazia consigo uma mensagem Divina: não apenas D’us lutara ao lado do Povo Judeu contra os greco-sírios, mas sua milagrosa vitória militar ocorreu graças às nobres razões por trás de seu levante contra as forças de ocupação. Os judeus lutaram pela pureza da Torá e D’us então realizou um milagre com o azeite puro, simbolizando a pureza da sabedoria.

Homem, veículo para o Divino

Na história de Chanucá, depois que os judeus recapturaram o Templo Sagrado de Jerusalém, eles encontraram um frasco de azeite ritualmente puro. Como eles sabiam que aquele frasco estava ritualmente puro? Porque levava o selo do Cohen Gadol, o Sumo Sacerdote. Este era o homem mais espiritual em meio ao Povo Judeu. Toda a sua vida era dedicada ao serviço de D’us.

Na ausência do Templo Sagrado, não há Sumo Sacerdote. Contudo, há um Cohen Gadol dentro de cada um de nós, judeus: é a centelha que forma o alicerce de nossa conexão com D’us. O Sumo Sacerdote que há dentro de nós é o que nos impele a lutar pela eternidade do Povo Judeu e pela pureza do judaísmo.

É imperativo que nosso relacionamento com a Torá leve o selo do Sumo Sacerdote, mas há que haver azeite dentro do frasco. Em outras palavras, por um lado a pureza da sabedoria não pode ser comprometida, mas, por outro, a vida de um judeu deve ser permeada de sabedoria e conhecimento. Pureza sem azeite nada vale. Não basta reverenciar a D’us, Suas Leis e Sua Sabedoria. Também é necessário estudar e praticá-las. A pureza ritual é apenas um lado da moeda. O outro é a sabedoria e o conhecimento, ou seja, o estudo da Torá.

A pedra fundamental do judaísmo, na qual se ancora cada um dos mandamentos, deve ser a aceitação incondicional por cada um de nós das Leis de D’us, aliada a um grande empenho intelectual. Nós, judeus, devemos servir a D’us com nosso coração e com nossa mente. Há dois lados do serviço religioso – o azeite dentro do frasco e o selo do Sumo Sacerdote que atesta sua pureza. Quando o judeu estuda a Sabedoria Divina e cumpre Sua Vontade com a mente aberta e o coração puro, ele se transforma em veículo para o Divino.

BIBLIOGRAFIA
Rabi Boteach, Shmuel, Wisdom, Understanding, and Knowledge: Basic Concepts of Hasidic Thought, Jason Aronson Inc