Morashá
Judeus em São Paulo Foto Ilustrativa

Judeus em São Paulo

No trabalho anterior, escrevemos sobre os pioneiros que chegaram a São Paulo no final do século 19 e começo do século 20. Detivemo-nos fundamentalmente nos bessarabers e nos sefarditas, agrupados em torno das duas sinagogas da Mooca. Agora falaremos das migrações ocorridas em função do nazismo, do fascismo e da retaliação árabe à proclamação do Estado de Israel, que compuseram a maior entrada de migrantes judeus posterior ao final da década de 1930.

Edição 70 - Dezembro de 2010


No trabalho anterior, escrevemos sobre os pioneiros que chegaram a São Paulo no final do século 19 e começo do século 20. Detivemo-nos fundamentalmente nos bessarabers e nos sefarditas, agrupados em torno das duas sinagogas da Mooca. Agora falaremos das migrações ocorridas em função do nazismo, do fascismo e da retaliação árabe à proclamação do Estado de Israel, que compuseram a maior entrada de migrantes judeus posterior ao final da década de 1930.

A ascensão do nazismo na Alemanha, um sistema político fundamentado na desigualdade racial, e o seu total desrespeito pelos valores civilizatórios, e, depois, a incorporação do fascismo na Itália ao mesmo ideário, teve como desfecho a 2a Guerra Mundial. No período que a precedeu e durante a Guerra, houve a tentativa, quase bem sucedida, de se exterminar os judeus que viviam nos países sob a influência política e militar desses regimes.

A perseguição aos judeus na Alemanha sob os nazistas foi num crescendo. A propaganda nazista, através de discursos, livros e filmes demonizou os judeus atribuindo-lhes “defeitos” morais que lhes seriam “inerentes”. Esta campanha difamatória serviu para justificar sua exclusão da cidadania alemã, renomeada “do Reich”. Vieram então os boicotes comerciais, deportação de “judeus poloneses” para a Polônia, afastamento dos cargos públicos e uma legislação restritiva, que ia desde a proibição de casamentos mistos ao direito de propriedade. A “Solução Final”, que ceifou a vida de seis milhões de judeus, foi o último passo dado pelos nazistas para se verem livres de todos os judeus, ou, como eles diziam, para solucionar o “Problema Judaico”.

Judeus alemães

Sob o pretexto de vingar o atentado cometido pelo jovem desterrado Hershel Grysnszpan (1921-1943/5) contra um diplomata alemão, em Paris, turbas estimuladas pelas autoridades nazistas atacaram, judeus e suas propriedades, na noite de 9 para 10 de novembro de 1938, na Alemanha, no que foi chamado de a “Noite dos Cristais” (Kristallnacht), deixando 90 judeus assassinados e suas sinagogas e lojas destruídas. Para muitos judeus alemães, os primeiros anos e ações do nazismo foram um poderoso “estímulo” para a expatriação. A meta desses migrantes forçados era os Estados Unidos, porém as restrições imigratórias deste país os fizeram procurar outras opções, e uma delas foi o Brasil – local onde já viviam alguns judeus alemães desde o final do século 19, sem que formassem uma comunidade organizada. Entre os pioneiros, merece destaque um que contribuiria para a ocupação espacial da capital paulistana, o self-made manVictor Nothmann (1841-1905), que, de pobre vendedor ambulante, chegou a ser um dos pioneiros na criação das linhas de bondes e da telefonia urbana na cidade. Ele também foi um dos criadores do bairro de Higienópolis, em São Paulo. Esta migração massiva, em fuga do nazismo, começou nos anos 1930 e vai até 1939/40, quando ficou impossível cruzar os mares devido ao conflito mundial. Estima-se que 20 mil judeus vieram para São Paulo, não apenas judeus da Alemanha, mas também dos países vizinhos atingidos pela fúria nazista.

Esses refugiados enfrentaram graves problemas para entrar no país, pois, se até a década de 1930, não havia uma política oficial seletiva de imigração, já que o fluxo de imigrantes para o Brasil era essencialmente destinado à lavoura, em 1937 criou-se uma legislação, baseada em “cotas de imigração”, para controlar politicamente esta entrada. A nova legislação só trouxe prejuízos aos refugiados de origem judaica. Algumas circulares secretas expedidas pelo Itamarati reforçaram a exclusão dos judeus nesse período. Mesmo em casos especiais, como o dos Christlichen Nichtarier  (católicos de origem judaica), que tivera a intervenção da alta hierarquia da Igreja Católica para um grupo deles, o número dos que conseguiram entrar no país foi menor do que a cota liberada, pois alguns diplomatas anti-semitas usaram de todos os artifícios para barrá-los.

Esta onda migratória teve uma característica peculiar em relação às  anteriores, tanto a bessaraber quanto a oriental do começo do século. Dentro das circunstâncias de desespero, ela foi relativamente planejada, pois algumas lideranças forjadas nesse conflito buscaram algumas estratégias para seu sucesso. Em 1933 foi criada a Comissão de Assistência aos Refugiados da Alemanha (CARIA), organizada pelo Dr. Luís Lorch (1894-1969), um judeu alemão que vivia em São Paulo e era casado na família Klabin. A Comissão objetivava levantar e administrar recursos para a inserção desses refugiados na sociedade brasileira, acompanhar a regularização dessas entradas, zelar pela manutenção econômica das famílias  e prover o ensino do português aos recém-chegados.

O mais visível desses líderes  foi o rabino Fritz Pinkuss (1905-1999), rabino em Heidelberg, cujo irmão Kurt viera para São Paulo e o convidara para ocupar o espaço religioso que estava para ser criado na cidade. Dois outros nomes devem ser lembrados: o Dr. Hans Hamburger  (1891-1953) e o Dr. Alfred Hirschberg (1901-1971). Assim, em 1936, judeus alemães liderados por ele fundaram a Congregação Israelita Paulista (CIP), hoje, na Rua Antonio Carlos, onde aglutinaram os judeus salvos da destruição nazista. Mesmo sendo os fundadores oriundos da burguesia alemã, os membros da CIP tinham perfis etno-religiosos diferentes, pois havia entre elesashquenazim e sefaradim – estes, em menor número. O elemento de corte era, porém, a divisão entre liberais e ortodoxos. Todos eles pretendiam manter suas identidades no novo país. Os dirigentes da nova comunidade trabalharam para aplainar estas diferenças e construir essa pujante congregação paulistana.

Judeus italianos

Naquele momento, na Itália, os judeus também enfrentavam o mesmo problema. Após Mussolini se aliar a Hitler, apesar de não ser anti-semita, no início de seu governo ele se tornou “discriminante”. “Justificado” por umManifesto da Raça, escrito por intelectuais fascistas em 26 de julho de 1938, seu governo promulgou leis claramente discriminatórias aos judeus, excluindo-os do serviço público e boicotando seus negócios. Para o controle político, fizeram um censo governamental levantando o número dos judeus que viviam no país. O número era pequeno: 45.270 judeus para uma população de 43.900.000 habitantes (0,1%); mas formavam uma população bem instruída, bem sucedida economicamente e claramente identificada com o país. Com tanta demanda para os países mais atraentes à imigração, o Brasil se tornou uma opção para eles.

Entre 1938 a 1940 chegaram ao Brasil os refugiados italianos,em torno de 70 famílias, que se autodenominaram ironicamente “a Colônia Mussolini”. Oriundos de um país de cultura latina, rapidamente eles se integraram ao país. Alguns, logo ao chegar, ocuparam cargos importantes em organizações estatais, como o demógrafo Giorgio Mortara (1885-1967) e o jurista Tulio Ascarelli (1903-1959). O primeiro, no IBGE, e, o segundo, na Faculdade de Direito da Universidade de S. Paulo. Como seu número era diminuto e suas origens variadas, eles não construíram uma sinagoga que lhes servisse como centro comunitário. Inicialmente freqüentaram a Sinagoga da Rua Abolição e, posteriormente, já conhecendo o ritual praticado nas sinagogas de S. Paulo, uniram-se à Congregação Israelita Paulista (CIP), fundada pelos judeus alemães, com quem tinham mais afinidades.

Judeus no mundo árabe

Uma das conseqüências da 2a Guerra Mundial foi uma reorganização geopolítica do mundo. E, em 1948, depois de anos de luta, os judeus que  viviam em Eretz Israel proclamaram o Estado de Israel. Nesse processo que restaurou Israel como Estado soberano, os governantes e grupos extremistas dos países árabes retaliaram os judeus que lá viviam há milênios.

Um desses ataques aconteceu em Alepo, um dia após a votação que estabeleceu a  Partilha na ONU, em 29 de novembro de 1947. Grupos de populares muçulmanos, contando com a leniência governamental, saquearam, destruíram residências e casas comerciais dos judeus locais. Queimaram 18 sinagogas, inclusive a Grande Sinagoga de Alepo, destruindo também os livros sagrados – estima-se em 1.500 o número de Sifrei Torá destruídos. Parte do Keter Alepo salvou-se milagrosamente e hoje se encontra em Israel. O pogrom foi o “estímulo” para a maioria dos judeus alepinos deixarem  rapidamente o país. Seguindo até uma lógica natural, muitos foram para Beirute, onde já tinham parentes ou amigos.

O final da Guerra deixou no Brasil a necessidade de se modernizar para poder integrar-se à economia mundial. A mudança de país agrícola para industrial, ocorrida no governo de Juscelino Kubitschek (1902-1976) e estabelecida em seu Plano de Metas intitulado “Cinqüenta anos em cinco”, gerou um clima positivo de desenvolvimento, com a implantação de pólos industriais pujantes. Atraído por este clima econômico, Edmond Safra (1932-1999) chegou ao Brasil em 1952 e, no ano seguinte, seu pai, Jacob E. Safra (1891-1963), se estabelece com sua família em São Paulo. Seguindo este exemplo, outras famílias sírio-libanesas tomam o mesmo caminho.

Inicialmente muitos vão para o Rio de Janeiro, seguindo depois para São Paulo. Estes imigrantes eram empreendedores e possuíam experiência comercial em áreas importantes, como na indústria têxtil, construção e incorporação civil e no setor financeiro. A este grupo inicial somaram-se outros, vindos principalmente do Líbano, em 1960 e 1970.

A absorção dos recém-chegados foi facilitada pela presença de escolas judaicas e de entidades como A Hebraica, Congregação Israelita Paulista e Sinagoga da Abolição (Sinagoga Israelita Brasileira Shaar Hashamaim/Templo Israelita Ohel Yaacov), e pelo fato de os imigrantes falarem, além do árabe, línguas européias. Isto lhes permitiu dominar o português com certa rapidez. Os laços comunitários e sociais entre os imigrantes eram sólidos. Costumavam-se reunir em casa, freqüentavam o Café Barba Azul, o Restaurante Fasano, o Clube A Hebraica, dentre outros locais. 

A maioria passou a freqüentar a Sinagoga da Abolição; outros freqüentavam a CIP, onde, inclusive, foram realizados muitos casamentos entre judeus sírio-libaneses. No entanto, a preservação de sua tradição religiosa e seus ritos era de extrema importância para os judeus desta origem. Por isso, após superarem as primeiras dificuldades de adaptação, algumas famílias, lideradas por Jacob Elie Safra, decidiram formar sua própria congregação, construindo uma sinagoga e um centro de estudos judaicos.

Assim, em 21 de outubro de 1959, na sinagoga da Rua Abolição, um grupo liderado por Jacob Elie Safra, juntamente com o rabino Yitzhak Dayan (1878-1964), criou a Congregação Sefardi Paulista. Logo a seguir compraram um terreno na Rua Bela Cintra e a construção da sinagoga ficou a cargo do Banco Safra, com o projeto do arquiteto Jorge Wilheim, antigo refugiado italiano que pertencera à “Colônia Mussolini”, já citada anteriormente. Após o falecimento do seu benfeitor, a sinagoga inaugurada em 1964 passa a levar o nome de Sinagoga Beit Yaacov. Para a direção religiosa contrataram o rabino Menahem Mendel Diesendruck, que os lideraria até o seu falecimento em 1974.

Outra onda migratória de judeus vindos dos países árabes chegou a São Paulo no final da década de 1950. Eram judeus egípcios que, depois da queda da monarquia e a ascensão do general Nasser ao governo, em 1952, sofreram com a política discriminatória, num processo que ia desde desapropriações a prisões arbitrárias. Muitas destas famílias se estabeleceram em São Paulo após a Guerra do Suez, em 1956. Aqui eles freqüentaram inicialmente a sinagoga da Rua da Abolição, depois uma casa cedida pela Congregação Israelita Paulista (CIP), na Rua Brigadeiro Galvão, e, mais tarde, liderados por Joseph Farhi, constroem a Congregação Mekor Haim, na Rua São Vicente de Paula, em Higienópolis. A sinagoga foi assim nomeada em homenagem ao benfeitor de origem egípcia, Haim Laniado. Inaugurada em 1967, foi dirigida pelo rabino Moshe Dayan até seu falecimento, em 1982.

Com o aumento da comunidade sírio-libanesa, em São Paulo, a sede da  Rua Bela Cintra se tornou pequena. Em 1991, Joseph Safra percebeu a necessidade de se construir uma nova sinagoga, mais espaçosa, em Higienópolis, onde se concentrava a maior parte da comunidade.

Planejada pelo arquiteto francês Alain Raynaud e patrocinada pelo Banco Safra, essa imponente sinagoga na Rua Veiga Filho servirá não  só como local de orações, mas abrigará outras necessidades de uma comunidade formada hoje por 700 famílias. Pela Sinagoga Beit Yaacov de Higienópolis passaram figuras importantes da vida religiosa judaica de expressão mundial e até presidentes da República brasileira. Um local onde se tem, além da dimensão religiosa, o espaço educacional, assistencial e também o trabalho de recuperação e preservação da memória, realizado através do construtivo trabalho do Instituto Morashá de Cultura.

Outra sinagoga sefaradita, em Higienópolis, a Congregação Monte Sinai, foi fundada por judeus libaneses oriundos de Sidon e também de Israel, Egito e Turquia. Surgida de uma migração dentro da cidade, seus membros inicialmente moravam na Mooca. Porém, com sua mudança para as imediações da Avenida Paulista e do bairro de Higienópolis, tornou-se difícil deslocar-se para a sua sinagoga de origem. Assim, compram e fundam a sinagoga da Rua Piauí, em 1971, cujo primeiro presidente foi Assilan Meyer Nigri.

Conclusão

Estas são as principais correntes migratórias que identificamos na história judaica de São Paulo. Há outras menores, que, de certa forma, são ligadas às já citadas, além de indivíduos que chegaram ao país de pontos extremos da Terra e que foram acolhidos por seus irmãos que os precederam. Há também uma grande migração interna no Brasil, que trouxe do Sul gente que veio para as colônias agrícolas da Jewish Colonization Association (ICA), formadas no começo do século passado em Quatro Irmãos e Fillipson; ou do Norte, os hebraicos do Norte da África que viveram por muitas décadas da cultura da borracha na Amazônia. Todos eles vieram em busca das oportunidades de trabalho e de crescimento educacional que a cidade de São Paulo oferece a seus moradores. Uma das características destas imigrações é que todas nasceram da “migração em cadeia”. É a história de alguém que veio antes, trabalhou e percebeu as potencialidades do país, depois trouxe os seus parentes e também os seus amigos. Não houve ajuda governamental. Com o tempo, a própria comunidade criou instituições para auxiliar os “novos brasileiros”, que sempre teve os seus benfeitores, como a família Klabin, na primeira metade do século 20, e a família Safra, nos anos seguintes.

As contribuições destes imigrantes e seus descendentes ao Brasil são incontáveis, em todos os campos de atividade humana, dos negócios às ciências, das artes aos esportes. Basta consultar os jornais e os dicionários biográficos para perceberem o sucesso desta integração positiva.

Importante lembrar uma figura que marcou a comunidade pela energia e inteligência de sua ação – o industrial Leon Feffer (1902-1999), nascido em Kolki, na Ucrânia, mas criado em Rovno e casado com Antonieta Teperman, filha de uma antiga família bessaraber de ativistas. Leon Feffer entrou para a vida comunitária na década de 1930, quando surgiram as principais instituições judaicas que se estruturaram com o aumento demográfico da comunidade. Ele sempre foi ligado a Israel. Em 1939 era vice-presidente do Centro Hebreu Brasileiro, que fazia a ponte entre a comunidade e a então Palestina e culminou quando da criação do Estado, nomeado Cônsul Honorário de Israel em São Paulo a partir de 1955.

A comunidade judaica de São Paulo é a maior do Brasil, apesar de não haver dados estatísticos precisos. Estima-se que hoje vivam em São Paulo cerca de 60 mil judeus. É uma comunidade organizada que conta com 112 instituições judaicas, entre as quais 58 sinagogas, 9 movimentos juvenis e 12 escolas judaicas, entre as quais Peretz, Renascença, Yavne e a Escola Beit Yaacov. Esta última, construída pela Fundação Safra, está comemorando seu décimo aniversário. Destaca-se por um inovador programa bilíngüe e conta com 800 alunos, já sendo uma das maiores escolas judaicas de São Paulo.

Três instituições judaicas, fundadas e geridas pelos descendentes dos imigrantes, estão acima das divisões da origem geográfica, pois servem a todos, sem distinção. São espaços de encontros e convergência judaica: a Chevra Kadisha, o clube A Hebraica e o Hospital Israelita Albert Einstein. Estas duas últimas sociedades, que por sua natureza são abertas à população em geral, são as associações judaicas mais visíveis entre os não-judeus e servem como cartão de apresentação da comunidade.

Paulo Valadares, Mestre em História Social USP), genealogista e autor (com Guilherme Faiguenboim e Niels Andreas) de “Os primeiros judeus de São Paulo” (2009).

Chevra Kadisha

A primeira dessas instituições é a Chevra Kadisha (Sociedade Santa), que administra e cuida dos cemitérios judaicos na cidade e serve aos judeus de todo o Estado de São Paulo. Foi fundada em 25 de fevereiro de 1923 por um grupo de ativistas, sob o nome de “Sociedade Cemitério Israelita de São Paulo”, para tomar conta do terreno de 5.000 m2 doado, em 1919, por Maurício F. Klabin (1860-1923), para a construção de um cemitério em Vila Mariana.

Os fundadores enfrentaram muitas dificuldades para sua construção. A maior delas não foi a falta de recursos, mas a legislação de natureza positivista que não permitia a construção de cemitérios confessionais no país, para salvaguardar a liberdade religiosa.

O primeiro cemitério foi o de Vila Mariana, ativo entre 1923 até a década de 1950 (mas que ainda está em funcionamento). Em 1954 foi inaugurado o Cemitério Israelita do Butantã e, em 2001, o do Embu.

Além deste trabalho de atendimento diário, a Chevra Kadisha também já fez o traslado dos judeus que estavam sepultados em Franca (1978) e cuida de outros cemitérios menores, já abandonados, como o de Cubatão, que esteve ativo entre 1924 a 1966, e o cemitério anexo ao Cemitério Municipal de Santana/Chora Menino, em São Paulo, que foi destruído pela Prefeitura e que teve suas 200 sepulturas trasladadas pela Chevra Kadisha para o Butantã. Site: www.chevrakadisha.org.br/

A Hebraica

A outra destas sociedades é o clube A Hebraica – Associação Brasileira A Hebraica de S. Paulo, localizado na Rua Hungria nº 1000, no Jardim Paulistano. Já havia alguns clubes judaicos na cidade, porém com a mudança do perfil econômico-social dos judeus paulistanos e seu deslocamento residencial para fora do bairro do Bom Retiro, um grupo de ativistas pensou na construção de novo clube. O modelo foi baseado nos clubes de elite da cidade: Paulistano, Monte Líbano, Sírio e Pinheiros.

O clube teve o projeto do arquiteto Gregório Warchavchik (1896-1972), no terreno de 54.000 m2 doado pela Sra. Ema Klabin. A Hebraica foi inaugurada em 17 de dezembro de 1957, depois de várias reuniões preparatórias iniciadas em 1953. Já no início do clube, 42,6% dos sócios moravam nas suas proximidades.

Na descrição institucional, o mesmo se tornou um “Centro comunitário de cultura, esporte, lazer e educação judaica”, com números gigantescos: 33 mil associados, 3 teatros, oficina de artes, escolas de esportes, 5 piscinas, 14 quadras de tênis, 8 ginásios, biblioteca e sinagoga – o que permite concluir não se tratar apenas de um local de recreação, mas de ponto de integração entre os diversos grupos que formam a comunidade. Site:   http:www.hebraica.org.br/sitenovo/

Hospital Israelita  Albert Einstein

A outra sociedade é o Hospital Israelita Albert Einstein – Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Hospital Albert Einstein, localizado na Av. Albert Einstein nº 627, no Morumbi. Surgiu de uma idéia do médico urologista Manoel Tabacow Hidal (1919-1979), na década de 1950, mas só foi inaugurado em 23 de junho de 1971. O propósito era oferecer um presente para o Brasil. Apesar de ser um hospital comunitário, seu atendimento não faz distinção de raça, cor ou religião. Nas palavras da instituição, visa “oferecer excelência de qualidade no âmbito de saúde, do conhecimento e da responsabilidade social” com os valores judaicos damitzvá (boas ações), refuá (saúde), chinuch (educação) e tzedacá (justiça social).  Hoje o “Albert Einstein” é o hospital mais sofisticado da América Latina, onde as especialidades médicas (cardiologia, hematologia, neurologia, oncologia, ortopedia e reumatologia), ajudadas pela alta tecnologia, convivem com a pesquisa e ensino (de cursos técnicos a pós-graduação) e também a responsabilidade social, sendo que o “Programa Einstein na Comunidade de Paraisópolis” assiste 10.000 crianças carentes.
Site:  www.einstein.br/Paginas/home.aspx