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JUDAÍSMO NO SÉCULO XII Foto Ilustrativa

JUDAÍSMO NO SÉCULO XII

Campos do Jordão foi sede do simpósio internacional 'Judaísmo no Século XXI', promovido pela Sociedade Brasileira dos Amigos da Universidade Hebraica de Jerusalém, no período de 12 a 15 de novembro último.

Edição 26 - Dezembro de 1999


    Sob a presidência de Paola De Picciotto, o evento foi muito bem-sucedido e contou com a presença de professores da Universidade Hebraica, sendo prestigiado por representantes de grande parte das instituições judaicas do Estado de São Paulo e convidados estrangeiros. O evento contou, ainda, com a presnça de Menachem Magidor, presidente da Universidade Hebraica. Entre os objetivos do simpósio estavam o exame da tendência de assimilação da diáspora e a observação de forma renovada do sionismo.

"Nos umbrais do incógnito: tendências e escolas da vida religiosa e intelectual do povo judeu" foi o primeiro tema abordado no evento pelo professor Shalom Rosenberg. O ponto central de sua palestra foram os horizontes e problemas com os quais o pensamento judaico se depara no terceiro milênio, quando a cultura dos tempos atuais desafia a tradição espiritual do judaísmo. Rosenberg mostrou aos presentes que ser verdadeiramente humano implica a necessidade de estar, às vezes, em oposição, ser contra tendências, tolerar ser minoria e lutar para integrar um futuro incógnito com os ensinamentos de um passado que sobreviveu ao exame do tempo.

"Do Oriente ao Ocidente - tradição e conflito nas comunidades de imigrantes da nova era" foi o tema analisado pelo professor Yom Tov Assis, avaliando as possibilidades de uma futura tradição judaica e sua preservação no próximo século. O professor Menachem Ben Sasson, reitor da Universidade Hebraica de Jerusalém, falou sobre "A posição de Israel no mundo judaico: passado, presente, futuro", abordando o vínculo entre o país e os judeus durante o milênio passado e o próximo.

Sérgio Della Pérgola, professor de Demografia do Instituto de Judaísmo Contemporâneo da Universidade Hebraica de Jerusalém, falou sobre "A demografia e identidade judaica na América Latina e na era da globalização". Della Pérgola fez uma análise das tendências sociais e demográficas entre os judeus da América Central e da América do Sul, considerando as várias influências da cultura local e do ambiente político e sócio-econômico que os cercam. A população judaica mundial conta atualmente com cerca de 13 milhões de pessoas, das quais quase a metade vive no Estado de Israel. Ao falar sobre o crescimento demográfico da diáspora, fez um prognóstico assustador considerando a tendência atual de assimilação: no ano 2080 não haverá judeus fora de Israel.

Os judeus do continente latino-americano também foram tema da palestra do professor Bernardo Kliksberg, assessor das Nações Unidas, Unesco, Unicef e outros órgãos internacionais. Kliksberg abordou "Os problemas sociais da América Latina e seus impactos nas comunidades judaicas: perspectivas e alternativas para a ação", comovendo os presentes quando analisou o empobrecimento das comunidades judaicas da região, afetadas pelas crises econômicas que atingem os países nos quais vivem.

O simpósio internacional contou com o apoio do Congresso Judaico Latino-Americano, da Confederação Israelita do Brasil e da Federação Israelita do Estado de São Paulo.