Morashá
A MARCHA PELA PAZ Foto Ilustrativa

A MARCHA PELA PAZ

Cerca de nove mil pessoas participaram do ato pela Paz, contra o terror e o anti-semitismo, promovido pela Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) e pela Confederação Israelita do Brasil (Conib), no dia 21 de abril último.

Edição 37 - Junho de 2002



Considerado pelas lideranças como um dos acontecimentos mais significativos da história da comunidade judaica paulista nas últimas décadas, o evento superou até as expectativas mais otimistas que previam a participação de, no máximo, três mil pessoas.

Foi um ato pacífico que contou com a presença de pessoas idosas, jovens casais, jovens de todas as idades, mulheres grávidas, crianças de colo, rabinos das mais diversas tendências, empresários e representantes de vários segmentos religiosos e políticos do País. Por trás do êxito do ato, destaca-se a intensa mobilização da juventude, das escolas, de várias sinagogas e de lideranças religiosas e demais instituições, que atenderam o apelo das lideranças, conscientes da importância de sua presença em massa para manifestar o apoio da comunidade judaica ao Estado de Israel, seu apoio à paz, à luta contra o terror e contra o anti-semitismo.

O ato começou com uma concentração nas proximidades da região da avenida Faria Lima com Rebouças, de onde os manifestantes saíram em direção ao Centro Cívico de A Hebraica, no qual seria realizada uma cerimônia especial com a presença de autoridades. Milhares de pessoas usaram camisetas e bonés brancos, carregaram faixas, bandeiras do Brasil e de Israel de vários tamanhos, cantaram e caminharam pela avenida Faria Lima levando uma mensagem clara e inequívoca de “Sim à paz, não ao terror e ao anti-semitismo” em Israel, no Brasil e no mundo.

Foram momentos de emoção para quem assistiu e para quem participou, principalmente ao passar diante de um ônibus estacionado na avenida Faria Lima. Na faixa, os dizeres “Sobreviventes do Holocausto”. Nas janelas, os rostos emocionados e os olhos cheios de lágrimas de quem via passar diante de si a certeza de que a história de perseguição e morte aos judeus jamais voltará a se repetir. Certeza esta transmitida pela forte presença de jovens e crianças que, trazidos pelos seus pais e avós, vieram participar do ato.

O dia 21 de abril de 2001 foi um dia diferente na rotina dominical de São Paulo. Foi um dia especial para a comunidade judaica paulista e para a sociedade brasileira. Foi um dia no qual o azul e branco tomou conta da avenida, com fortes tonalidades de verde e amarelo. Foi um dia de paz.

Rio de Janeiro: Duas mil pessoas na Hebraica

uma manifestação que surpreendeu a muitos pela força e pelo entusiasmo, cerca de dois mil judeus cariocas - jovens, em sua maioria - lotaram o Salão Nobre da Hebraica-Rio para o “Ato em Solidariedade ao Estado de Israel”, realizado na noite do domingo, 28 de abril, uma semana após a passeata em São Paulo. A noite começou com um brado coletivo em uníssono: “Am Israel, Anachnu Itchem” (Povo de Israel, nós estamos com vocês).

“Temos que estar unidos entre nós, mas também de olho na comunidade maior”, alertou o deputado estadual judeu, Carlos Minc. “Paz, nós queremos paz. Shalom está nos nossos cumprimentos, está nas nossas canções, está nas nossas orações e está nos nossos corações”, afirmou Berel Aizenstein, secretário-geral da Confederação Israelita do Brasil (Conib).

O vereador Gerson Bergher mencionou que concedeu ao cônsul de Israel no Rio, Eitan Surkis, na semana anterior, a “Medalha Pedro Ernesto” em homenagem aos 54 anos do Estado de Israel. Roberto Saulo Stryjer, atual presidente da Fierj, leu um manifesto que foi entregue a Surkis, que também discursou.

Para o jornalista Osias Wurman, “o anti-semitismo é um câncer que vive dentro de um organismo. Quando o sistema imunológico fracassa, ele volta. E a comunidade está preocupada com isto”.

Vídeos gravados nos movimentos juvenis intercalaram as falas da noite, nos quais os chanichim deram opiniões espontâneas sobre o que o Estado de Israel representa em seus corações e como vêem os conflitos no Oriente Médio. A maioria surpreendeu pela maturidade das respostas. O jovem saxofonista Rodrigo Chá tocou uma linda versão de “Yerushalaim Shel Zahav”, Jerusalém de Ouro, enquanto o mar de bandeirinhas de Israel era suavemente agitado pela platéia.

Marcus Moraes
Jornalista Responsável pelo site morasha.com