Morashá
50 anos do Hospital Israelita Albert Einstein Unidade Morumbi

50 anos do Hospital Israelita Albert Einstein

Gestão, excelência, inovação e infraestrutura de ponta aliam-se às práticas de humanização e incorporação de um número cada vez maior de serviços cujo objetivo central é o benefício do paciente – uma missão definida há cinco décadas e que permeia a visão para o futuro.

Edição 113 - Dezembro de 2021


A história da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein (SBIBAE) teve início com um sonho do médico Manoel Tabacow Hidal: construir um hospital para a comunidade judaica e para a população da cidade de São Paulo, em retribuição ao acolhimento dado aos imigrantes no Brasil.

Era então a década de 1950, quando São Paulo celebrava o IV Centenário de sua fundação e as diferentes comunidades de imigrantes lhe prestavam sua homenagem. A forma que a comunidade judaica escolheu para demonstrar seu apreço está expressa no Manifesto à Coletividade Israelita de São Paulo, lançado em 4 de junho de 1955: “Apelam os signatários para a Coletividade Israelita de São Paulo no sentido dela obterem os elementos necessários e indispensáveis para a realização de obra tão meritória (...) cujas finalidades visam proporcionar conforto e assistência a doentes e menos favorecidos, constituindo também uma contribuição da Coletividade para a solução do problema assistencial de São Paulo”. Três anos depois, em 1958, era colocada a pedra fundamental do futuro hospital por Hans Albert Einstein, filho do famoso físico judeu, Albert Einstein, em um terreno doado no Morumbi por Emma Klabin, em memória de seu pai, Hessel Klabin, emigrado da Lituânia para o Brasil em 1895. Dezesseis anos após a assinatura do Manifesto à Coletividade e da criação da SBIBAE por um grupo de médicos e empresários judeus, era inaugurado, em 28 de julho de 1971, o Hospital Israelita Albert Einstein, que ao longo dos anos, se tornaria parte fundamental do progresso nacional na área da saúde.

No ano seguinte à inauguração tornou-se um dos primeiros hospitais do Brasil a implantar uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), com quatro leitos de cuidado intensivo e seis de semi-intensivo. A iniciativa ajudou a disseminar um modelo de atendimento fundamental para pacientes em estado crítico, com um índice de 35% de recuperação. Número impactante para a época; hoje, esse número está acima de 90%.

Cinquenta anos depois da inauguração do primeiro prédio, no ranking World’s Best Specialized Hospitals 2022, da revista americana Newsweek, divulgado em setembro último, o Einstein obteve posição de destaque em nove das dez especialidades avaliadas. Em três delas - Oncologia, Ortopedia e Gastroenterologia -, foi considerado o melhor hospital do Brasil e da América Latina. O hospital também foi reconhecido em outras seis áreas: Cardiologia, Cirurgia Cardiovascular, Neurologia, Neurocirurgia, Endocrinologia e Pediatria. O ranking inclui organizações de 21 países e foi elaborado a partir da recomendação de profissionais, pesquisas com pacientes e diferentes indicadores de desempenho médico.

O título de “melhor hospital da América Latina” também lhe foi conferido em um ranking da América Economía Intelligence – pelo 12º ano consecutivo. A classificação considera critérios de segurança, capital humano, experiência do paciente. O Hospital Municipal M’Boi Mirim - Dr. Moysés Deutsch, único do setor público nessa lista e gerido pelo Einstein, ocupou a 29ª posição. Suas conquistas incluem, ainda, em 1997, a Certificação ISO 9002: 1994 do Centro de Terapia Intensiva, tendo sido o primeiro no mundo a receber tal certificação; em 1999 foi o primeiro hospital fora dos Estados Unidos a obter a acreditação da Joint Commission International, entre outras. Esses primeiros 50 anos são apenas o começo de uma história que ainda terá muitas novas páginas.

Desde os primeiros passos, o Einstein inspirou-se em quatro princípios judaicos básicos, que norteiam sua atuação até hoje: os mandamentos de boas ações (mitzvá), assistência à saúde (refuá), justiça social (tzedaká) e educação (chinuch). Nas várias gestões que se sucederam desde 1955 tais valores têm-se mantido no atendimento às crescentes demandas da sociedade, sob o olhar atento de suas diretorias, encabeçadas por Manoel Tabacow Hidal (1955-1979), Jozef Fehér (1979-1995), Reynaldo André Brandt (1995-2001), Claudio Luiz Lottenberg (2001-2016) e Sidney Klajner (a partir de 2016).

Desde o início estabeleceu-se que um terço dos leitos de internação seriam destinados ao atendimento gratuito. Convênio firmado em 1973 com a Federação Israelita do Estado de São Paulo garante atendimento gratuito aos pacientes encaminhados pelo seu serviço social. Desde então, ações de filantropia e programas voltados à comunidade estão na agenda do hospital com os Programas Einstein na Comunidade Judaica e Residencial Israelita Albert Einstein (antigo Lar Golda Meir).

Os planos de expansão sempre fizeram parte do projeto. Assim, em 1958, comprou-se um terreno vizinho ao primeiro edifício, no Morumbi; em 1973, outro no mesmo local, e, em 1977, mediante autorização municipal para a incorporação da área entre os terrenos, teve início a construção de um novo prédio, com a colocação da Pedra Fundamental do Edifício Safra, que passaria a abrigar o Centro Médico de Diagnóstico e Tratamento. Quatro anos após a sua inauguração, em 1982, já oferecia 23 serviços de diagnóstico (em 1980 eram apenas três), além de um Day Clinic, então um novo conceito de internação para pequenos procedimentos e exames.

Em 2009 foi inaugurado o Pavilhão Vicky e Joseph Safra, possibilitando a implementação de um novo modelo de atendimento em Medicina Ambulatorial, combinando humanização, agilidade e soluções. O cuidado centrado no paciente e as práticas humanizadas nas diversas frentes de atuação – promoção, prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação – levaram o Einstein a ser o primeiro Hospital da América Latina a receber, em 2011, a designação Planetree, que reconhece as instituições que atuam dentro destes conceitos.

Mitzvá e Tzedaká

Em 1959 coube a Joana Wilheim, Fanny Aronis e Judith Schachnik a criação do Departamento de Voluntárias, inicialmente formado apenas por mulheres e voltado à criação de grandes eventos para arrecadação de fundos, paralelamente a construção do Hospital. Com o olhar atento às demandas da sociedade, o Departamento de Voluntárias criou, em 1969, antes mesmo da inauguração do Hospital, o Serviço de Pediatria Assistencial que, a partir de 1977, incluiu uma enfermaria destinada às crianças do ambulatório que necessitassem de internação ou cirurgia, contando com leito na UTI pediátrica e retaguarda de todas as especialidades. Naquela época, as atividades coordenadas pelo voluntariado já contribuíam para atenuar os efeitos das primeiras internações no Einstein.

A atuação do voluntariado tem sido essencial para o êxito das várias iniciativas do Hospital, principalmente na continuidade de seu compromisso com as populações carentes, em parceria contínua com as equipes profissionais. O Programa Einstein na Comunidade de Paraisópolis (PECP) foi criado em 1998 e integra educação, serviço social, esportes, artes, saúde e capacitação profissional, tendo realizado mais de seis milhões de atendimentos desde a sua implantação. O trabalho de atenção e desenvolvimento da comunidade local é realizado pela equipe multidisciplinar do Einstein e do Voluntariado Einstein, que financia atividades de capacitação profissional, oficinas de artes e comunicação, esportes e reformas de infraestrutura. Em 2001, o PECP passou a ser conhecido como “Complexo Telma Sobolh”, em referência à presidente do Voluntariado e idealizadora do programa.

O complexo tem 5.500 metros quadrados de área construída, sendo formado por seis grandes núcleos: Arte e Comunicação, Capacitação Profissional, Educação, Esportes, Saúde e Serviço Social. Tudo isso é possível graças a um time dedicado e comprometido formado por colaboradores Einstein, parceiros, prestadores de serviços e mais de 120 voluntários, peças fundamentais para garantir que todas as atividades aconteçam de forma integrada e focadas na evolução social de cada cidadão.

Os 20 anos mais recentes do Einstein mostram como parcerias com o sistema público melhoram a saúde da população. O primeiro contrato com o SUS foi firmado em 2001 e, atualmente, o Hospital administra mais de duas dezenas de unidades de saúde. E mais: desde 2009 participa, com outros hospitais de excelência, do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS), realizando pesquisas, avaliação de tecnologias, gestão e assistência especializada para o fortalecimento do SUS em todo o Brasil. No triênio encerrado em 2020, o Einstein aplicou recursos próprios no valor de R$ 620 milhões em cerca de 40 projetos. No contexto de Parcerias com o Poder Público o Einstein administra 27 unidades de saúde na cidade de São Paulo, tendo já realizado 3,8 milhões de atendimentos. O Programa Integrado de Transplante de Órgãos é composto, em 93%, por pacientes do SUS.

Educação, cura e tecnologia

A educação é um valor fundamental no judaísmo, assim o Ensino, a Pesquisa e a Inovação sempre estiveram no DNA do Einstein, tendo a instituição avançado muito ao longo de sua trajetória. Na Assembleia Geral Ordinária da SBIBAE, de 6 de março de 1972, Manoel Tabacow Hidal já dizia: “É tal o conceito de que goza esta instituição nos meios educacionais da nação, que, por três vezes, a diretoria foi consultada para transformar este Hospital em Escola de Medicina”. Mencionou, então, iniciativas do governo do Estado e da Universidade de São Paulo, em 1967, do Ministério da Educação e de uma universidade particular paulista, ambas em 1971.

A implantação da Faculdade de Enfermagem aconteceu em 1989. O sonho de Manoel Tabacow Hidal – o Curso e Graduação em Medicina da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein - foi concretizado com a autorização do MEC, com nota máxima, em 2 de julho de 2015. Seu funcionamento iniciava-se já no ano seguinte. Um dos seus diferenciais é a abordagem da atitude profissional, que visa formar médicos com participação responsável no sistema de saúde.

Em 1991, disse o então o presidente da SBIBAE Jozef Fehér: “É chegada a hora de investirmos em pessoas. São as pessoas que fazem das construções, maquinário e medicamentos uma instituição hospitalar. São elas que sentem as alegrias e tristezas dos que delas dependem, são as que prestam serviços e representam a interface paciente-hospital”. A estrutura atual de ensino do Hospital reflete esta filosofia através dos programas e ações do Centro de Educação em Saúde Abram Szajman (CESAS). Este Centro oferece imensa gama de cursos – desde as graduações em Enfermagem e Medicina, até residências médica e multiprofissional, mestrados, doutorados, cursos de atualização, especialização, cursos técnicos e ensino a distância. Em 2006 foi inaugurado o Centro de Cirurgia Minimamente Invasiva. Dois anos depois, mais uma inovação: a aquisição do robô cirúrgico Da Vinci, tornando o Einstein pioneiro no Brasil em cirurgia robótica e, atualmente, o detentor do maior parque robótico da América Latina.

O Centro de Simulação Realística (CSR), inaugurado em 2007, foi um complemento importante à infraestrutura voltada à educação, com a missão de ampliar opções metodológicas de ensino e oferecer novas formas de aprendizado e treinamento aos alunos do CESAS. Suas instalações reproduzem diferentes cenários clínicos e cirúrgicos, com uso de simuladores, robôs e atores, para o treinamento dos conhecimentos adquiridos.

Além de ser referência em pesquisa através do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa (IIEP), que abriga o Centro de Pesquisa Clínica, o Centro de Pesquisa Experimental e o Instituto do Cérebro, suas pesquisas confirmam que o IIEP é a instituição brasileira com o maior número de citações em artigos científicos. Em 1987 foi realizado o primeiro Transplante de Medula Óssea no Einstein, iniciando um serviço pioneiro em hospital privado. Em 1995, o Hospital realizou o primeiro transplante de células de cordão umbilical não aparentado do País e criou um banco de cordão umbilical.

Em 2002 deu início ao Programa Integrado de Transplante de Órgãos, com o objetivo de realizar, por meio do SUS, transplantes de fígado, rim, pâncreas-rim, coração e pulmão. Em 2018, o Hospital tornou-se o maior centro transplantador de fígado da América Latina, com quase dois mil procedimentos realizados até esse ano. O Hospital está também na vanguarda dos tratamentos de câncer. O Centro de Oncologia e Hematologia Einstein Família Dayan-Daycoval foi pioneiro na aplicação do conceito de medicina integrativa e se apoia no uso de terapias complementares com resultados comprovados no bem-estar psicossocial. “O papel do Einstein é criar soluções inovadoras para os principais desafios do sistema de saúde. Nós buscamos a melhor forma de entregar saúde, bem-estar e sustentabilidade, não apenas diagnóstico e tratamento. E isso não tem fim”, afirma o atual presidente, Sydney Klajner.

Em 1999 foi inaugurada a primeira Unidade Avançada Einstein em Alphaville, visando acolher uma demanda para expansão dos atendimentos para outras regiões de São Paulo. Em 2006 foi inaugurada a Unidade Avançada Ibirapuera, em 2010, Perdizes-Higienópolis e a nova casa de Checkup da Unidade Jardins, com um modelo personalizado de avaliação integral e multidisciplinar de saúde. O atendimento também foi ampliado nas Unidades Avançadas, com Day Clinic, tratamentos como quimioterapia e Clínica de Imunização. As unidades oferecem Medicina Diagnóstica e Pronto Atendimento Adulto e Pediátrico, com a possibilidade de remoção em UTI móvel.

O desafio da Covid-19

O maior desafio enfrentado pelo Einstein nos últimos anos foi a pandemia da Covid-19. O Hospital recebeu o primeiro brasileiro diagnosticado com a doença e, a partir de então, teve um papel de destaque no seu combate ao lado das autoridades sanitárias. Envolveu-se na geração de informações sobre a doença, pesquisas sobre testes, vacinas e tratamentos, entre outros.

Testou medicamentos por meio da Academic Research Organization (ARO) Einstein, que coordena projetos multicêntricos de pesquisa clínica desde 2017. E ajudou a preparar a rede pública, inclusive com a implantação do hospital de campanha no Estádio do Pacaembu e expansões físicas relevantes, erguidas em cerca de um mês e meio, no Hospital Municipal Vila Santa Catarina – Dr. Gilson de Cássia Marques de Carvalho e no Hospital Municipal M’Boi Mirim – Dr. Moysés Deutsch.

No Einstein, gestão, excelência, inovação e infraestrutura de ponta aliam-se às práticas de humanização e incorporação de um número cada vez maior de serviços, cujo objetivo central é o benefício do paciente. Missão definida há 50 anos e que permeia sua visão para o futuro.

FOTOGRAFIAS

Acervo do Centro Histórico da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Hospital Albert Einstein

MARCOS HISTÓRICOS

1955 – Fundação da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein (SBIBAE)

1959 – Criação da Comissão de Atividades Femininas, embrião do Corpo de Voluntárias e atual Departamento de Voluntários.

1969 – Início da Pediatria Assistencial

1971 – Inauguração do Hospital Israelita Albert Einstein

1972 – Inauguração da UTI

1981 – Inauguração do Centro de Estudos

1986 – Chegada do primeiro aparelho de Ressonância Magnética da América Latina

1987 – Realização do primeiro transplante de medula óssea em hospital privado

1989 – Inauguração da Faculdade de Enfermagem Einstein

1991 – Realização do primeiro transplante de fígado

1997 – O Centro de Terapia Intensiva é o primeiro do mundo a receber a certificação ISO 9002–1994

1998 – Criação do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa (IIEP)

1999– Conquista a acreditação da Joint Commission International

1999 – Inauguração da primeira Unidade Avançada Einstein, em Alphaville (SP)

2001– Parceria com o Sistema Público de Saúde (SUS)

2002 – Inauguração da Escola de Saúde

2004 – Criação do Programa de Residência Médica

2004 – Criação do Centro de Educação em Saúde Abram Szajman (Cesas)

2007– Valorização dos cuidados com o AVC - Certificado de Primary Stroke Center pela Joint Comission International

2008 – Primeira cirurgia robótica. O hospital é atualmente considerado centro de excelência no segmento

2009 – Inauguração do Pavilhão Vicky e Joseph Safra

2013 – Parceria com o Institute for Healthcare Improvement (IHI)

2014 – Criação do Programa de Residência Multiprofissional

2015– Início do Projeto Parto Adequado

2016 – Inaugurada a graduação em Medicina da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein

2017 – Início das atividades da Academic Research Organization (ARO) Einstein, que coordena projetos multicêntricos de pesquisa clínica

2017 – Inauguração da Eretz.bio Incubadora de Startups

2020 – Preparo e atendimento para casos de Covid-19

2021 – Goiânia tem o primeiro hospital do Einstein fora de São Paulo

2021– Revista Newsweek considera o Einstein um dos melhores centros de saúde do mundo.